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terça-feira, 15 de junho de 2010

Desabafo

Creio que não viverei tanto tempo. Ainda sou nova, mas já passei por várias experiências. A primeira delas foi uma agulhada que me encheu de esperança. Me apertavam, me entreolhavam e alguns segundos ganhei o ar, ganhei o mundo. Alguém que vestia algo que parecia um uniforme me ergueu como se fosse um troféu. Me olhou nos olhos e me deu um tapinha de saudação ao mundo.

Depois disso uma enfermeira me levou até o berçário. Todo mundo me olhava, queria apertar minhas bochechas, me tocar. Conseguia ouvir cochichos. Diziam que eu era diferente. Mais leve que o normal e mais espevitada também. Mesmo assim o pessoal me olhava com cobiça. Com gana. Com desejo. Fiquei toda boba. Toda exibida.

Até que me tiraram daquele aquário. Começava minha vida. Fizeram alguns teste comigo. Diziam que eu era superdotada, um prodígio, uma obra perfeita dos deuses. Depois de todos os elogios e saudações deixei que me usassem como bem entendiam. Qualquer um que se aproximava me tinha como queriam e podiam. Alguns até me controlavam, outros não tinham tanta intimidade comigo nem com minha família.

O tempo passava rápido. Na mesma proporção ganhava experiência nas viagens pelo mundo afora. Ganhei mais depressa ainda. O pessoal que antes me adorava passou a me fazer críticas severas. Parecia um complô. Era uma bola de neve. Todos decidiram falar mal de mim. Meu analista disse que era pelo meu rompante e além do mais eu já não passava tanta confiança para ninguém.

A culpa não era minha. Eu só queria ser amada. Tinha gente que até me beijava e abraça e me defendia. Afinal ainda existe Direitos Humanos. A imprensa me procurava. Virei manchete no mundo inteiro. Não conseguia me redimir. Continuavam me humilhando, me surrando, dizendo que eu era a ovelha negra da minha família. Eu era um cachorro morto e ainda me chutavam. De um lado para o outro. Ninguém queria conversa comigo. Diziam que eu era uma farsante.

Por alguns lugares que passei o ódio por mim é unânime. Não houve direito de resposta. Tudo aconteceu rápido demais. Em pouco tempo não aparecia mais em público. Só rodava por vilarejos. Ainda assim era motivo de chacota, mas o pessoal tinha o mínimo de respeito por mim. Em lugares mais humildes o pessoal se esmerava para me receber em casa. Apesar de dificuldades preparavam até churrasco para me recepcionar. Se eu era amada de verdade não sei, mas tinha gente que se exibia por estar por perto de mim. Pediam fotos e quase sempre marcavam novos encontros, mesmo sem entender meu nome e fazer confusão não cansavam de correr atrás, pena que vou morrendo a cada encontro. É por isso que vou fazendo minhas peripécias. Eu só quero ser amada e ficar para história.

Att,

Menina Jabulani

domingo, 23 de maio de 2010

Relato de um ex camisa 9

Tenho inúmeros amigos que seguiram a profissão de seus pais. Dentista filho de dentista, veterinário filho de médica com agricultor, técnico em informática filho de Professor Pardal... coisas do tipo. Se bem que tenho um amigo que é modelo fotográfico, filho de um ex-ginete que se juntou com uma dona da cidade. O pai, criado em lombo de aporreado, não aceitou a profissão do filho. O que o garoto fez? Falou para seu pai que faria faculdade de Direito na cidade grande e seguiu fazendo fotos para tudo que é tipo de revista, exceto revistas campeiras. Quando volta pra casa vem falando que fulano ou sicrano deveria processar o vizinho por isso, por aquilo. Assim já está quase na hora da formatura e ele nunca entrou na faculdade. O máximo que faz é procurar na internet alguns artigos de “seus direitos” e contar com a cumplicidade da mãe.

Mas eu até entendo isso. Eu mesmo. Sempre joguei de atacante. Mesmo quando os times estavam inflados de jogadores agudos. Sempre briguei pela camisa 9. Não que eu tenha aptidão física para ser centroavante. Bem pelo contrário. Mas queria ser o homem referência, assim como meu pai sempre foi. Queria ter os troféus de goleador, primeiro gol de cabeça, destaque, revelação... tudo o que eu via na caixinha de medalhas do pai. Queria ser um centroavante como ele. Mas não sabia sequer fazer um pivô. Claro que tinha jogos que fazia meia dúzia de gols. Sempre esperando a bola no segundo pau ou antecipando uma bola atravessada na frente da área por algum zagueiro displicente.

Aos poucos o pessoal pedia para que eu voltasse um pouco mais para marcar. Diziam que até marcava bem, porque não desistia das jogadas, que era só eu pegar o jeito de marcação e não me bocar nos dribles que renderia muito mais ali atrás do que pescando na frente. Aos poucos a turma já pedia que eu iniciasse o jogo na marcação. Os elogios começaram a brotar. Um emaranhado de dúvidas atormentava minha cabeça durante e após os jogos, mas no jogo eu era só dedicação. Não podia comprometer taticamente.

Fui perdendo minha centroavância. Logo agora que estava concluindo um pouco mais forte. Ao aceitar que jogava melhor pela ala ou pela ponta voltando para marcar, mudei também minha personalidade. De centroavante, passei a ser um ponta ciscador não só dos gramados, mas também da vida amorosa. Nas ruas já não andava com a desenvoltura de antes. Lateral tem uma vida sofrida, triste. Não pode andar por aí mostrando os dentes. Às vezes é como a vida de um cachorro preso ao vai-vem. Mas o principal: Lateral qualquer um pode ser, ninguém nasce lateral, assim como um centroavante. Mas agora eu sou um lateral. Um camisa 2 com mais credibilidade e confiança do que quando vestia a 9 ou 18. E outra: eu atribuo essa minha mudança de posição e atitude nos campos da vida ao fato de ter perdido o companheiro de ataque dos velhos tempos do Terror das Menininhas F.C., quando saíamos na noite para honrar e representar o nome do time.

Cumprindo bem a função de ala, sem mais aquela ânsia de colocar as bolas na rede, e sem o ímpeto de atacante feroz, comecei a jogar com a camisa 2. Às vezes na lateral esquerda, outras na direita mesmo. Aquele lateral de algumas arrancadas verticais e algumas ultrapassagens para surpreender o adversário, mas geralmente esperando a reação do adversário para só então agir e não levar o drible. Agora só vou na boa. Só com muita certeza de que a empreitada a frente não vai me fazer levar bola nas costas. Como eu disse lá em cima. Com a obrigação de marcação em detrimento de qualquer ataque, passei a utilizar essa doutrina na minha vida pessoal. Não foi apenas o número às minhas costas que mudou. Essa foi a primeira mudança apenas. Uma mudança de fora para dentro.

Agora o difícil vai ser eu falar para meu pai. Acho que ele não vai entender meus motivos de jogar com a camisa 2. Já sei. Vou fazer como meu amigo modelo fotográfico fez: apareço na casa dele com a camisa 7. Chego dos jogos e comento algumas jogadas agudas e tudo resolvido, ele vai pensar que sou um ponta das antigas, daqueles dribladores. Aquele meu amigo está há três anos dizendo que faz Direito. Quando eu tiver consolidado na posição conto para ele. Ele vai entender. Mas não quero nem ver a reação dele quando eu for cobrar um arremesso lateral. Isso sim vou esconder. É muita judiação pra um pai camisa 9.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Goleiro, uma profissão para poucos

Qualquer um pode jogar na frente, na lateral, no meio ou na defesa, improvisado e se dar bem. Mas para se dar bem debaixo do arco são outros quinhentos. Até porque, geralmente quando se é mandado para o gol é de contragosto.

Há pouco eu não entendia porque alguém decidia ser goleiro. Uma criança diz: _quero ser goleiro. Só goleiro, nãos esses que batem falta, pênalti e a cada jogo fazem milagres salvadores. Decidem ser goleiro e enfrentar as paradinhas, as jogadas ensaiadas, que desmontam qualquer barreira. Não conseguia entender porque, afinal, alguém queria jogar contando apenas com três amigos: as duas traves e o travessão, sendo que muitas vezes esses amigos o traem.

Quem me respondeu foi meu primo, de apenas 10 anos. Ele me disse que era goleiro. Achei que seria meia ou zagueiro, mas não. Preferiu jogar com a camisa 1 nas costas e as havaianas nas mãos. Perguntei por que ele decidiu ser goleiro e o garotinho respondeu na lata com a sinceridade, espontaneidade e razão que sua idade lhe confere:

_Eu gosto de defender. Meus colegas jogam melhor que eu; e eu ataco melhor que todos.

Na verdade ele já dava indícios. Eu que não queria enxergar. Era por isso que ele usava aquele pedaço de couro no joelho das calças.

Tem nome de craque. Renah é o nome dele. Guardem esse nome.

Parabéns, Renah. 26 de abril é o teu dia. O dia de uma das profissões mais difíceis, depois, é claro, de minerador e de marido de mulher autoritária. Essas sim são as profissões mais estressantes e complicadas que já inventaram no mundo inteiro.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

As (in)certezas de Fossati

Algumas pessoas tem convicções que não consigo compreender. Acreditam em suas teses como verdades de mãe. E mãe não mente.

Uma vez um amigo contou que conhecia um lugar em São Gabriel onde os pés de soja alcançavam dois metros de altura. Ninguém acreditou nessa história sem cabimento, já que estávamos todos de borracheira, mas rendeu boas risadas a noite inteira. Mas o que me impressionou foi que no outro dia ele reafirmou essa história. Ainda acrescentou que tinha visto “com esses olhos verdes que um dia a terra há de comer”.

Essa história mirabolante do meu amigo não o prejudica em nada. Já o treinador do Internacional, Jorge Fossati, que assim como o Tiago, carrega certezas duvidáveis está em uma profissão -mais que isso- em uma situação em que algumas convicções furadas podem afundá-lo.

O sistema 3-5-2, por exemplo. Tudo bem que no plantel colorado há zagueiros que jogam como laterais e laterais que “curtem uma de ponta”. E que tudo isso junto favorece o treinador a mudar o esquema de jogo da equipe com apenas dois ou três sinais para o campo, mas será que ele não percebe que quando joga com três zagueiros toma gols e logo em seguida vê-se obrigado a impor o 4-4-2 ou até mesmo 4-3-3 para recuperar o escore e geralmente da certo, como hoje contra o Pelotas, na decisão da Taça Fábio Koff.

Só não entendo por que ele não inicia todos os jogos com o eficiente 4-4-2, que é o esquema de ganhar jogo. Assim o Inter poderia garantir a vitória já no primeiro tempo e, se seu capricho exigir , que mude para 3-5-2 no final de jogo, tome o gol e mantenha os três pontos da vitória e a paz na casa-mata.

O jogo de hoje como exemplo:

Primeiro tempo: Enquanto tinha três zagueiros o Pelotas teve duas chances de gols. Converteu as duas. Antes do intervalo Bolívar diminuiu a vantagem dos visitantes. 2 a 1.

Segundo tempo: Depois de mudar alguns jogadores e o esquema para 4-3-3, o Pelotas não teve sequer uma única chance de gol, já o colorado fez dois (com Edu e D’Alessandro, que entraram no segundo tempo), virando o jogo para 3 a 2. Vitória colorada e Fábio Koff de novo no Beira Rio.

Agora é final, gurizada. E em greNal todos sabem quem é que manda.

terça-feira, 9 de março de 2010

Romance de um boleiro

Quando eu vi aquele distintivo nela, pensei: ela é do jogo! Vestia um belo uniforme. Short branco, camisa alvinegra e meiões brancos, que lhe acariciavam as panturrilhas. O short, é bom dizer, deixava seu bom preparo físico exposto aos olhos de qualquer torcedor.Tinha o andar de uma bailarina, o olhar feroz de uma zagueiro de segundona gaúcha, as pernas do garrincha.

Como por acaso sentei à mesa ao lado. Ela recém tinha escolhido a dela.

_Uma Polar, por favor!

Aproveitando a atenção do garçom para aquele lado ela o chamou e pediu uma Brahma extra.

Olhei para ela novamente e pensei: o que uma mulher faz num bar. Sozinha. E pedindo cerveja extra? Rapidamente me veio a resposta. Ela queria era conversar sobre futebol com o cara da mesa ao lado, que no (a) caso naquele dia era eu.

Em alguns minutos a gente já estava na mesma mesa. Na dela, é claro. Falamos das nossas preferências táticas, das nossas escalações, plantéis... discutimos jogadas ensaiadas, a linha burra... Enfim... Aquele papo boleiro estava bom. Continuaria ali até que apagassem os refletores.

Marcamos um horário para nos conhecermos melhor.

Propus que fosse sábado. Ela aceitou.

Chegamos no horário combinado. O estádio não estava tão cheio, mas o clima era favorável. Tocava Funk, Hino, Pagode... De tudo. Na hora do hino era mãozinha no peito. Nisso eu pude notar melhor. Atrás dela tinha uma charanga. Redondinha, numa variação perfeita de agudos, médios e graves. Afinadinha. Uma bela charanga. E grande. E a charanga a seguia por onde ela fosse. Sempre. Gostei da charanga.

Começamos a trocar alguns passes. Tabelávamos bem. Dali a pouco já estávamos batendo pênaltis. Às vezes eu batia. Outras ela, aí eu quem defendia. Mas nada de jogo ainda. Não demoraria muito.

Quando tocou um Zeca Pagodinho nós corremos para a bandeirinha para ensaiar uma comemoração no caso de sair algum gol. E ouvimos um apito. Enfim o juiz autorizou. Rolou a bola na arena. A partir dali era onze contra onze.

Eu já estava louco que chegasse aos noventa e até cantarolava: “ Aí, aí, aí, aí, aí... tá chegando a hora... o dia já vem/ raiando, me bem/ e nós temos que ir embora...”

O arbitro sinalizou e subiu a plaquinha. 3 minutos de acréscimos. Tempo para mais umas firulas ali na linha de fundo. Uns cruzamentos aqui, uma cabeceada ali. Nada mais. Afinal era amistoso. E no amistoso a missão é não ser substituído, e eu fiquei o jogo inteiro. E ainda ganhei confiança do professor. Apita o árbitro. Fim de jogo.

Depois marcamos outros tantos. Eles foram ficando cada vez mais pegados, mais quentes. Começamos a treinar juntos. Não demorou muito recebi a faixa de capitão. Referência.

E os jogos seguiam cada vez mais ousados. Umas jogadas de fundo, outras de meia cancha e outras de Muuita cancha. E os lançamentos em profundidade que confundiam a zaga. Sem falar naquela jogada do Ronaldinho: olha pra um lado toca no outro. Desse jeito acabamos com a pintura da casa inteira. Era marca de boladas em todo canto.

Mas até o que é bom cansa. Um dia estava muito entediado com tudo isso. Não queria mais concentrações. Dei um balão.Chutei pra fora do estádio. E ela mandou que eu buscasse a bola. E eu fui. Mas na volta dei um chapéu. Ela não viu. Mas a imprensa estava ali e registrou tudo.

No dia seguinte acordei, ela já tinha levantado. Fui até a porta, o jornal também não estava ali. No seu lugar uma carta do STJD. Nela dizia: “Suspensão por tempo indeterminado... Fora dos gramados por pelo menos 30 dias.” Metade desse eu tempo treinei apenas em campos suplementares e sozinho. Na outra metade freqüentei outros clubes, rodas de pagode e me acostumei fácil com isso. Até que a punição acabou. Mas tinha uma ressalva: se voltasse a acontecer era rescisão de contrato.

Fizemos novamente a pré temporada e iniciamos com uma ótima campanha. Uma goleada atrás da outra. Até que fiz uma jogada perigosa. O juiz tava longe do lance e mandou seguir. Deu vantagem. A imprensa batia em cima. Era toda a favor dela. Contra mim. Piorou tudo quandorecebi uma proposta do exterior. Meus empresários diziam que eu tinha que ir. Eu refutava essa idéia. Gostava da charanga veia. Por culpa dessa dúvida já não jogava todo meu futebol. Ela até já reclamava. E os empresários insistiam que a charanga era mais nova, mais ritmada, o distintivo mais vibrante, maior e melhor desenhado. Além do que, eu ainda poderia treinar lá antes mesmo de assinar o contrato.

Não pude recusar. Dei outro chapéu. Aí veio ela e me deu um amarelo. Fui reclamar, ela puxou o vermelho e na mesma hora me tomou a braçadeira.

Agora ando sem clube. Treinando num estádio aqui, noutro campinho ali... De vez em quando fico meio tarado, digo, parado. Mas o que me dói mesmo é que a braçadeira que ela me tomou não coube no braço do atual capitão do time dela.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O patinho feio

Não entendo porque os pais ainda quebram a cabeça e lêem livros e encontram significados para o nome dos filhos, se futuramente é bem provável que sejam mais conhecidos por apelidos.

Pegar apelido é a coisa mais fácil. Falo por experiência própria. Só eu já tive mais de três. Ultimamente atendo por Sapo. Mas lido bem com isso. Claro, tem gente que não gosta. O Anão, por exemplo. Só sei seu nome por causa da chamada. Ele tinha no máximo um metro e meio e ainda ficava bravo com a gente. Mas dizem que o apelido pega proporcionalmente ao quanto ele é detestado.

Seja por um trejeito, mania, costume, naturalidade ou aparência. Qualquer razão é motivo para se apelidar quando se é guri. Tinha um garoto alto, de andar desengonçado e magricelo, que era sempre o último a ser escolhido nos times do futebol da gurizada Não podia escolher a posição. Ficava no gol. Menos escolha teve no apelido: Pato. Estava fadado a ser chamado por último e chamado de Pato, ainda por cima. Mas isso faz muito tempo. 30 anos, mais ou menos. Aquele garoto que o destino colocou debaixo do arco, há muito não joga nos juniores.

Falo da última contratação do Internacional, em 2010. Pato Abbondanzieri, que veio do multi campeão Boca Junior’s, da Argentina. Agora chega para tomar a posição do contestado Lauro. É o jogador de maior renome do clube, que agora conta com 6 castelhanos.

Apesar de ter saído perdendo o jogo de estréia, pela primeira vez o Inter ganhou o primeiro jogo da Libertadores da América. Parece que esse Pato é tão pé quente quanto o outro, o Alexandre, que com 17 anos foi campeão do Mundo pelo mesmo colorado, e no ano seguinte era do Milan, que também se sagrou campeão.

Mas para Abbondanzieri erguer sua quarta taça Libertadores e seu 3° mundial, ele vai ter que fazer bem mais do que fez em seu primeiro jogo pelo Inter, quando apenas estreou. Nada mais. Muito pouco para quem chegou para ser o camisa 1. Se bem que ele recebeu apenas a número 25.

sábado, 24 de outubro de 2009

Frio na barriga


Ainda não sei por que dizia para minha mãe quando era pequeno que não gostava de ir à aula. Se eu fizer uma retrospectiva dos melhores momentos da minha vida, certamente várias passagens estarão lidadas à escola. Lembro do frio na barriga que senti no primeiro dia de aula em cada colégio que estudei. E frio na barriga é um sintoma de grandes sentimentos. E o colégio é um lugar que proporciona diversas emoções e felicidades. Foi no colégio (na saída) que dei meu primeiro beijo, escorado numa árvore na pracinha dos amores. O frio na barriga que senti aquele dia foi o maior que havia sentido até então. Mas isso é outra história, só para ilustrar alguma das coisas que aprendemos na escola.


Pensei que já tinha passado do tempo ou me livrado dos frios na barriga. Engano. Essa semana começou de novo um friozinho. Uma brisa- bem de leve- no meu estômago. Mas está aumentando. Domingo passa. É por causa do Gre-Nal. E sabe como é Gre-Nal... é igualzinho ao colégio: me dá aquele frio na barriga e sempre me traz grandes alegrias.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Paixão efêmera

Conheço pessoas que afirmam que para ser feliz é preciso amar. Amar a família, os amigos, a terra, as arvores e até as alfaces. Sem esquecer, é claro, de um amor desses de tirar o fôlego e bater mais forte o coração. Porém, já ouvi vários relatos de quem já amou muito, já teve seu coração saindo pela boca e mergulhou em abismo de paixões, de onde sempre demorava para emergir, por isso agora dizem que ser feliz é amar a si mesmo e proteger-se. Eles defendem que o melhor romance é aquele com data para terminar.

Num pensamento rápido, é interessante essa corrente. Todo mundo que tem medo de se envolver demais com alguém, poderia se atirar em paixões programadas para terminar antes que ultrapasse seu limite e comece a amar. Haveria apenas paixão entre os namorados, casais e amantes. Seriam todos ficantes, na verdade. A volta da poligamia. A extinção da traição.
Mas fazendo uma reflexão maior, não sou adepto de paixão efêmera, que não possibilite o amor. Talvez não seja tão pós-moderno ou nem moderno para entender esses amigos que pensam assim. Tampouco confiaria plenamente em alguém que não se entrega os próprios sentimentos e propusesse datar a minha paixão.

É por isso que não acredito que Mário Fernandes possa levar o Internacional de volta à disputa do título do Brasileirão. Alguém que não quer vínculo duradouro (talvez não conseguisse mesmo) com o clube contratado e prefere ser apenas um tapa buraco, não merece minha confiança. No máximo meu respeito e torcida para que faça um bom trabalho encaminhe o colorado á Libertadores do ano que vem. Mas que isso sirva para em 2010 o Inter case com algum outro treinador. Algum de qualidade, que queira viver esse casamento. Que queira essa monogamia. Que mergulhe fundo nessa paixão sem data para terminar. Wanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho me parecem ótimos partidos.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Odeio radinhos

Das mudanças no futebol que serão votadas na Irlanda, algumas me parecem bastante pertinente, como por exemplo, a dos árbitros auxiliares atrás das goleiras e a possibilidade da quarta substituição durante a prorrogação. Já aquela do cartão laranja, um intermediário ao amarelo e o vermelho, que expulsaria o jogador de campo por um tempo a ser determinado, poderia ser substituída por uma mudança que entraria no estatuto do torcedor. A FIFA deveria proibir os torcedores que assistem ao jogo do seu time em barzinhos na TV a cabo de ouvirem radinhos, porque o Denardim está sempre dois, três, até cinco segundos a frente da narração da TV.
Na TV o jogador ainda nem cruzou a bola na área e os caras do radinho no ouvido já estragaram toda a expectativa gritando gol ou esbravejando o contra-ataque. Quando o jogo do meu time só passa no na TV pelo pei-per-view, sempre vou ao quiosque assistir, mas agora decidi. Não vou mais. Porque sempre tem aqueles caras com radinhos na orelha, ou pior: em alto volume. Enquanto a FIFA ou a CBF não tomam providências, os donos dos barzinhos deviam proibir os telespectadores de ouvirem radinhos. Porque não é direito deles. O direito de cada um vai até o da pessoa ao lado.
Se os caras querem saber antes, que disquem para o Ligue djá e falem com o Walter Mercado, ou vão a uma cartomante. Mas eles preferem atrapalhar o jogo dos outros. Eu não deixo nem que o jornal de domingo me atrapalhe, quando ele chega em casa no sábado, fica enrolado até domingo de manhã; quanto mais essas pessoas que querem ter o prazer antes das outras,sem se importar com os companheiros. Se são apressadinhos assim no jogo, devem ser assim em outras coisas também.
Aqui em São Gabriel deve existir algum estabelecimento que proíbe a entrada de radinhos. E é pra lá que eu vou migrar.
Esse Gre-Nal foi perfeito. Denardim ( sim, eu prefiro ouvir no rádio do que na TV) estava no mesmo tempo que a TV e a tarde desceu redonda junto aos amigos. Falando em Gre-Nal e em mudanças... se continuar assim vai virar Fre-Nal.

Elder Junior

Texto publicado no1° sem de 2009 no jornal Cenário de Notícias

sábado, 15 de março de 2008

Esses Egos

Por esses dias até nem sei, mas esses tempos conferi uma discussão ferrenha na internet. “Pessoal de São Gabriel”, o nome da comunidade do Orkut, onde passava as discórdias as quais me refiro.Quando fui olhar mais atentamente os motivos da tal discussão (que a priori era uma enquete sobre qual seria o melhor jornal da cidade) percebi que, não bastasse os moderadores excluírem os comentários de seus colegas de imprensa, posteriormente excluíram, também, a dita enquete com suas postagens, impondo, assim, um ponto final no assunto.Tudo bem, já que o assunto estava se desvirtuando, mas que eles - que eram os principais alvos e os que mais se contradiziam e depois se justificavam - apenas se reservassem em simplesmente não postar mais.Um moderador levou uma “surra”. Tudo o que ele dizia se voltava contra ele e os demais participantes aproveitavam pra chicotear um pouco mais.Não foi por vergonha ou por medo ou porque seu jornal não estava na frente da enquete, foi pelo EGO que retiraram a enquete da comunidade. Ego, e só.O ego do cara ficou ferido. Não tenho nada contra a dita pessoa, até me dou com ele, mas realmente, é muito ego pra pouca prosa.Foi por culpa desse tal de ego que o Inter perdeu os dois últimos gauchões. É por ego que alguns jogadores inventam jogadinhas como o chute falso do Valdívia ou o da foca, do Kerlon, e o que alguns mudam toda hora de cabelo ou buscam o gol mil (e não é o da wolksvagem). Contando fogueirão, pelada de rua, três-dentro-três-fora, super chance, joguinhos de final de semana e no pátio de casa com certeza eu já tenho muito mais de mil gols. Dez, vinte mil. Sei lá.É por esse mesmo ego que o Brasil inteiro está nesse chororô.é por isso também que jogadores como Roger e Rada casam com atrizes, ou vão pra Europa e voltam só no carnaval pra desfilar na Sapucaí.É o ego que não deixa alguns jogadores enriquecerem e virarem craques.Ego. Ego. Ego... O mal ou o bem do mundo?Admito, é, também, pelo ego que eu sou centroavante e uso a camisa 9.

Elder Nunes Corrêa Junior

Texto Publicado em 15/03/2008 no Cenário de Notícias.

domingo, 2 de março de 2008

JOGADOR PROFISSIONAL – Parte 2

Recapitulando o conto anterior: Um zagueiro perna-de-pau, porém muito forte e furioso descobriu que eu falava mal dele. Pior: seus colegas inventavam muito mais. Ele estava pronto pra me encurralar e me trucidar, mas eu consegui entrevista-lo sem sobressaltos.

No final da entrevista ele perguntou:
_Já está em “off”?
E eu voltando a tremer respondi que sim.
Ele começou: “Cara, tu é um jornaleirinho de merda. Eu já te vi jogando, tu não joga nada. Nunca jogou. Lembro de ti num peneirão. Eu passei... tu não. Eu já joguei no Grêmio, no Juventude na Ulbra, agora estou aqui, mas minha carreira vai decolar. Teu sonho era ser jogador de futebol, que nem eu, neh? Eu sei que era teu sonho.Mas eu é que sou profissional. Pro-fis-si-o-nal. Entendeu?”
Escutei tudo aquilo quieto e aliviado, pois apesar de tudo isso, pelo menos, ele não me bateria.
Certamente ele passou noites pensando naquele discursinho. E até que tem certa razão. Eu queria mesmo ser jogador de futebol. Não consegui.
Nem todos conseguem. Vários desses buscam atividades alternativas ligadas ao futebol tipo: árbitros, bandeirinhas, roupeiros, maqueiros, gandulas, vendedores de churrasquinho e até cronistas esportivos.
Mas eu penso no futuro. O que será do Araújo no futuro, daqui a uns vinte anos?
Um ex-jogador, só. Burro como ele é, que sequer diferencia um gravador dum celular, não vai ter profissão, nem toda essa força e seus joelhos estarão detonados.
Ai seremos quarentões, ele um fracassado ex-jogador, eu um fracassado futuro-jogador, porém ainda serei jornalista. Meus joelhos estarão em perfeito funcionamento e com garantia de mais dez mil quilômetros e meu jornal fará um jogo beneficente onde vai jogar Alexandre Pato, Gabriel Pensador, Rogério Flausino, o Presidente da República, o filho do Chico Buarque, Túlio Maravilha Junior, Ronald e mais uns amigos meus como o Rudiere, Juliano, Diogo, Lucas, Nelson e o Araújo. Sim, porque eu vou convidar o Araújo.
Eu com a 9 ao lado do Pato e do Ronald vou entortar tanto o Araújo que ele vai pedir pra sair. E nesse momento ele vai lembrar tudo que me fez ouvir a duas décadas. E quando ele se lembrar disso e me ver fazendo gols e depois contando sobre o jogo e perceber que ele não tem profissão, vai se arrepender de ter matado aula pra ficar jogando futebol no pátio do colégio invés de ler um livro.
Texto Publicado no Cenário de Notícias em 1°/03/2008.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

JOGADOR PROFISSIONAL

Essa coisa de redação de jornal, de comentários extra campo ou em “off” sobre atuações de certos jogadores é complicado. Às vezes o que a gente fala é mal interpretado e até distorcido. Uma história, apesar de diferentes interpretações é sempre a mesma história. Só que quem conta é um, quem espalha são muitos.Pois eu comentava sobre o futebol de um jovem zagueiro que o técnico (só o técnico, ninguém mais, nem eu, nem a torcida, nem seus colegas) achava que ele estouraria de verdade pro futebol. Um perna-de-pau esse zagueiro.Meus comentários chegaram ao técnico, a ele, à torcida, à imprensa. Chegou a todos sem eu escrever uma única linha sobre ele. Claro que eu falava da ruindade desse zagueiro pra muita gente, mas pô...em “off”. Afinal ninguém me entrevista.Ele queria minha cabeça. Bufava pelo vestiário enquanto uns colegas colocavam lenha: ”Bá Araújo, tu nem sabe a última que ele falou de ti...”. E inventavam alguma coisa. Sim. Inventavam. Pois por motivo lógico eu parei de falar qualquer coisa que fosse sobre ele. Ele é ruim mesmo, mas o braço dele é da grossura da minha coxa, sua mão espalmada é uma raquete, fechada uma marreta e mede quase dois metros. Mais: é brabo, muito brabo (ou seria bravo? Eu falo brabo). E agressivo, exatamente por isso era ruim. O zagueiro tem de ser calmo, sereno, pensante, atalhador. Os atacantes é que devem ser agressivos.Fiquei quase um mês sem cobrir seu time, nem pisava nos arredores do estádio.Me diziam que a raiva dele era tanta que ele me mataria a socos e chutes perguntando aos berros: Quem é ruim? Quem é perna-de-pau? Quem é doente? Quem não tem futuro agora? Quem? Quem?Alguma hora eu teria de me topar com aquele “incrível Hulk dos pampas”. Fui lá esclarecer que foi tudo um engano, um mal entendido e que ele até joga mais ou menos. Só que não foi bem assim que aconteceu.Cheguei no estádio já cuidando todas as saídas possíveis. Provavelmente eu teria de correr. Correr muito. Até que aquele baita índio cerrou os dentes e se veio pro meu lado. E vinha. E vinha. E parecia um trem, um urso, um trator e com a raiva dum Pit Bull. Eu só com minha cardenetinha, minha caneta na orelha e meu gravadorzinho na mão ia andando pra trás e rezando e olhando pros lados, pra ele, pros lados, pra ele. Tudo estava longe, ele cada vez mais próximo. Não adiantaria eu correr. Ele me pagaria ainda com mais raiva e me trucidaria ali no campo mesmo.Me entesei, me enchi de coragem , valentia e num lampejo de astúcia e num movimento de único puxei meu gravador como se fosse um celular e falei bem alto: “Alô Cláudia e ouvintes da São Gabriel, estamos aqui AO VIVO (agora mais alto ainda) com o grande jogador Araújo...”Segui a entrevista lhe fazendo perguntas como se aquilo fosse um celular ao algo ligado direto no estúdio e aos poucos a fera foi se amansando e acho que por instantes ele até esqueceu que estava brabo comigo e que me mataria.Por isso que eu repito: tem horas que só a criatividade pode te salvar.

O que vai acontecer no final da entrevista? Será que Araújo vai descobrir que estava sendo enganado? Saiba terça-feira o desenrolar dessa alucinante, empolgante e inusitada história.

Elder Nunes Junior
Texto publicado dia 28/02/2008 no Cenário de Notícias

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Parei de Beber

Dia 28 de novembro de 2007 foi o dia que decidi parar de beber, digo, de beber cerveja ou qualquer tipo de bebida com álcool. Não que a bebida houvesse tomado conta de mim. Eu bebia só nos finais de semana, finais de jogos, festas, churrascos e quando saia pra noite. Só que desde o início do mês que eu jogava, ia em festas, em churrascos e saia pra noite diariamente. Portanto bebia. Raras vezes cometi exageros, uma ou duas vezes, no máximo. Sabe, eu achava bonito beber. Não é. Confesso que acho muito mais bonito fumar e jogar sinuca (os dois juntos), porém nunca fumei e não jogo sinuca. Até que um dia, nesse dia 28, olhei ao meu redor e me vi numa cena lamentável: Eu só de cueca na cama, o chão cheio de papéis- rabiscos de poemas e contos inacabados, sentimentos vagos ou profundos- lixo espalhado, latinhos e garrafinhas de cerveja na beira da cama e pelos cantos, roupas no chão ou em cabides e uma TV ligada que passou a noite assistindo uma noite de prazer que já não lembro direito, um relógio que marca 13 horas e eu recém acordando com gosto de cerveja na boca. Naquele dia eu mudaria. Limpei meu quarto, meu banheiro, dei um trato na casa e tomei a decisão de não beber mais. Mas não largaria a noite, o futebol, as mulheres, os amigos, isso é que não! No início a estranheza dos meus amigos sobre essa mudança, mas depois acostumaram. Eu não precisava daquilo. Meus amigos também não. Bebiam porque bebiam. Um bebia, os outros bebiam junto. Só. Só fui beber novamente no dia 17 de dezembro. Um gole só. Sem querer, até. Foi na comemoração de um ano da conquista do titulo de campeão mundial pelo Internacional. Me alcançaram a taça e eu bebi. Tudo bem. O momento merecia. O Inter merecia. Eu merecia. Depois disso bebi mais algumas vezes. No réveillon e no carnaval. É. Está bem... eu não consegui parar de beber. Não que o álcool seja maior do que eu, mas é difícil. Não um martírio, nunca, mas é complicado. O fato é que eu já nem bebo quase. E que diabos isso tem a ver com esportes, com futebol? É que eu bebia muito mais quando eu não tinha 18 anos, quando era proibido. Agora que posso comprar e beber e ficar bêbado não compro, não bebo e não fico bêbado. E se tivessem me proibido de beber eu seguiria bebendo. Não é com imposições e muito menos com brigas que eu mudaria. Vagner Mancini tinha muita autoridade com os jogadores do Grêmio. Agora o trocaram por Celso Roth, um durão que não vai fazer o trabalho conciliador e invicto que fazia Mancini, ele vai gritar vai brigar e com isso vai perder. Falar alto, impor e brigar não quer dizer autoridade. Conscientizar e conversar sim.


Elder Nunes Junior
Texto publicado no Cenário de Notícias dia 20/02/2008.

domingo, 12 de agosto de 2007

O feitiço contra a FEITICEIRA

Estávamos vivendo nas mil maravilhas. Ela me jurava amor eterno. Que eu era tudo para ela, a melhor coisa que já havia acontecido em seus 20 anos de vida.
Eu no começo nem gostava tanto dela, mas como não iria me apaixonar por aquela moça, loira, olhos verdes, um metro e setenta - bem minha altura-terna, cheirosa, carinhosa, companheira, inteligente, quente. E era colorada, apesar de não acompanhar o futebol. Até sua mãe me adorava.
Dela eu só não gostava duas coisas: Uma era seu péssimo costume de repreender as pessoas quando falavam errado, chegava a ser constrangedor. Ela não perdoava nenhum erro. Outra eram suas amigas, em especial a Claudinha, ninguém me tira da cabeça que ela tentava aproximar seu irmão da minha namorada. Ela dizia que não, que essa história era sem-pé-nem-cabeça. E eu nem insistia tanto no assunto para que não despertasse nela sequer a intenção de reparar no sujeito. Até porque ela repetia para quem quisesse ouvir, que eu era sua alma-gêmea e declarava seu amor a todo instante.
Ela também era tudo para mim, só o que me fazia parar de pensar nela era o futebol, não exatamente o futebol, o INTER. E ela tinha um certo ciúmes disto, embora não reclamasse.
E este sentimento foi colocado à prova. O meu time do coração iria disputar cinco jogos consecutivos no Beira-Rio. Quatro deles pelo Brasileirão e um pela Libertadores. Definitivamente não iria perder esta oportunidade ímpar. Ainda mais que o Inter estava com um time impecável, uma máquina. Com o argumento de que “para afastar é só aproximar e para aproximar é só afastar” palavras ditas por Paulo Santana, parti à capital, deixando-a em São Gabriel aos olhos de todos meus amigos.
Passávamos o dia intero nos falando, ora por telefone, ora pela internet. No dia do segundo jogo do Colorado ela me ligou, uma hora antes da partida. Por medo de ser assaltado deixei meu celular, desligado, na casa do tio Adolfo, onde eu estava hospedado.
No outro dia estranhei que ainda não tinha me ligado. Mas tudo bem. Até que o Júnior me ligou, apavorado, não sabia nem por onde começar, gaguejando mesmo me contou que viu a Natália com outro cara, o Tiago, aquele irmão de sua amiga. Passei o dia abatido. Eu tinha razão. Aquela vadia.
Na noite seguinte vesti minha melhor roupa e fui pro centro. Todo pimpão, cai na gandaia. E porto Alegre é um paraíso particular da esbórnea. Me vinguei.
Para minha surpresa dois dias depois chegou uma carta, pra mim. Era dela, é claro. Me xingando, falando que eu era um traste, que seu novo amante era melhor do que eu em TUDO (assim com letras graúdas), que nunca sentiu prazer em estar comigo, que nunca me amou, que sempre me enganou e que era gremista.
Era tudo mentira. Ela era muito orgulhosa e vaidosa, na certa esperava que eu retornasse um poema com as palavras mais lindas declarando meu amor e implorando que voltasse atrás. Só para mostrar para suas amigas o quanto era idolatrada, a Natália é exibida.
Comprei um envelope, o mais bonito que encontrei, peguei uma caneta vermelha e comecei a corrigir os erros ortográficos da carta. No final coloquei: NOTA 35, e acrescentei um “PRECISA MELHORAR”, em letras garrafais também.
Eu vi o INTERNACIONAL vencer as cinco partidas, cada jogo foi um espetáculo, um massacre sobre cada um dos adversários. Passei uma inesquecível noite de prazer. Mas trocaria tudo isso por ver a cara dela quando, junto com suas amigas, abriu a carta que lhe enviei.

Elder Corrêa Jr

sábado, 28 de julho de 2007

O Valor do DVD

Pensamos muito em rivalidade, mais até que no próprio sucesso. E a competição vigora no pensamento de todos desde os primórdios da existência humana.
Há competição em tudo. Em disputa por fêmeas até os animais lutam. Assim como por comida e espaço. Os mais fortes venciam. E é característica da rivalidade esmagar os derrotados e mostrar a superioridade.
Nos dias atuais, até, nem é tão cruel essa seleção. Os que perdem não morrem. Continuam vivos e tem a chance da revanche. Diferentemente da Idade Antiga.
E no futebol ocorre o mesmo. Só que as revanches são impostas. O campeonato sendo com jogo em casa e outro fora, com todos adversários, proporciona a cada jogo, principalmente os do segundo turno, um ar maior de rivalidade. Um exemplo dessa rivalidade é o clássico gre-nau. O Grêmio quando amargou a Segundona, transformava cada um de seus adversários em eternos rivais.
Agora o Náutico voltou a cruzar o caminho do Grêmio, maior rival do Inter. Subiu para a Série A. Mas o único rival do Náutico é o Grêmio, que fez até um DVD por ter vencido o time nos Aflitos. O Náutico já perdeu uma das oportunidades de vingar aquela derrota do dia 26 de novembro de 2005, tem mais uma, e desta vez será no Olímpico.
O Inter venceu o Náutico por dois a zero. Ainda não sei se a direção do Internacional irá fazer um DVD sobre aquela vitória, que teve até um tombo do Alex, após sua acrobacia em comemoração ao segundo gol da partida, o primeiro dele no campeonato.
Se vai fazer o tal DVD não sei, parece que a direção preferiu fazer três DVDs, estes alusivos aos títulos da Libertadores da América, da Recopa Sul Americana e ao Campeonato Mundial, este vencido pelo Internacional, e o adversário foi o favorito disparado e poderoso Barcelona.

Elder Corrêa Jr

sexta-feira, 20 de julho de 2007

A sobrancelha do Tonhão

Pirocas Cintilantes e Brocas Vaginais eram a maior rivalidade do futsal da cidade. Os Cintilantes largaram na frente nas contratações, investiram num time extremamente ofensivo e rápido, eles que vestem branco e amarelo, pareciam uns cometas em quadra. Em contraponto os, rubro-negros, Brocas fizeram jus a tradição de montar time guerreiro. Formaram um time com o que havia de melhor nos quesitos força e garra.
Definitivamente 1987 foi o ano mais marcante para ambas as equipes e para a cidade inteira. O citadino era formado por duas chaves. Eles eram cabeça-de-chave e favoritos disparados de seus grupos. Não decepcionaram, chegaram a final com 100% de aproveitamento. Dificilmente os adversários deles passarem do meio da quadra.
A cidade vê esse clássico bem como os gaúchos vêem o gre-nal. Pelo estado inteiro a população é ou colorada ou gremista. Podem até torcer pelo time de sua cidade, mas quem não é gremista é colorado. Aqui também é assim, mesmo que jogue em algum time do citadino, quem não torce pros Brocas Vaginais torce pros Pirocas Cintilantes, raras exceções. Esse fanatismo e características dos times lhes renderam apelidos. Os Brocas eram chamados de Muralha da China, os Pirocas de furacão.
_Vamos derruba esse murinho. Não vai sobra nada deles.
Essa foi a promessa feita por Elias, o goleador do torneio e destaque do time Cintilante, numa entrevista à rádio.
A cidade passou o dia falando sobre essa entrevista. Na noite seguinte todos ligados à rádio. Tonhão, o zagueiro dos Brocas iria ser entrevistado. Antes mesmo do entrevistador perguntar alguma coisa, ele tomou o microfone, dentes serrados, olhos apertados, disse:
_Pra alguém derrubar alguma coisa, tem que passar por mim primeiro. Quero ver ele passar!!!
Botou fogo na rivalidade. Não se falava em mais nada, só no jogo de domingo.
Elias não era desses atacantes vaidosos que usam tiarinhas, brincos, fazem luzes no cabelo, ou usam esses penteados diferentes. Elias não ligava pra isso, ele não era bonitinho. Era lindão mesmo. Desses que fazem as mulheres irem aos jogos, aos treinos e escreverem incontáveis “eu te amo” em papéis higiênicos. Mas ele era casado. A mulher dele era o estereótipo da mulher de jogador de futebol, um metro e setenta e cinco, aproximadamente, olhos claros, magra (não tão magra quanto modelos). Merecedora de ser capa de revista. Sempre ficava na lateral da quadra com os dedinhos enganchados à tela.
Com o ginásio lo-ta-do, iniciou o jogo. Muita movimentação nos primeiros minutos. Elias parecia tenso, hesitava em se aproximar do Tonhão, que insistia em mirá-lo em quadra. Os Cintilantes davam dois, três toques no máximo, sabiam que só passariam pelos Brocas no toque de bola e na velocidade. Já os Brocas apertavam a marcação, forçando o passe errado.
Aos sete minutos o jogo ainda estava 0 a 0, Elias driblou um, passou por outro, mas não conseguia se livrar da marcação deles. Cortou pra cá, gingou pra lá e passou no meio dos dois, uma avenida estava aberta a sua frente. Mas Tonhão- que conhece como ninguém as arduras da zaga e todos os atalhos- já estava vindo como um touro em sua direção.
_AAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRRRR!!!
Foi o que a torcida inteira ouviu. Eram os berros do Elias depois de ser agredido por um chute na altura do joelho que o fez se retorcer todo, antes mesmo de cair estirado no chão.
Tonhão sabia que seria expulso, se viu na obrigação de levar algum adversário junto, mas ninguém veio tirar satisfação com ele. Chutou o Elias, que ainda estava no chão, quando o companheiro de Elias chegou perto de Tonhão pra reclamar, ele simulou ter levado um soco. E o juiz que vinha lhe dar o merecido cartão, aproveitou e expulsou os dois.
Mesmo sentindo Elias continuou jogando, afinal, era o craque da competição.
Tonhão saiu da quadra, foi pra arquibancada. Parou do lado da mulher do Elias. Puxou assunto com ela, disse que não tinha acertado Elias por gosto, que era coisa do jogo. Seguiram conversando e comentando o jogo. Tudo premeditado.
Elias viu os dois conversando. Não tirava os olhos deles, errava passes, já não conseguia driblar. Estava distraído. Tonhão continuava falando com ela. Elias não entendia o que falavam, mas conseguia ouvir a voz suave e chiada daquele negro no ouvido da sua mulher, Elias tava vendo Tonhão com a sobrancelha levantada pra sua mulher e não podia fazer muita coisa.
_Não da conversa pra ele. Gritava a todo instante Elias.
Os Brocas venceram o jogo por 1x0. Foram campeões. Tonhão não recebeu bola de ouro, muito menos chuteira de ouro, elas foram pro Elias. Tonhão nem tentou conquistar a mulher do Elias, ele ficou sete minutos em quadra, foi expulso, mas todos sabem que foi ele o melhor jogador da final.

Elder Corrêa Jr

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Cupido

Muitos de meus amigos juravam que já tinham sido flechados pelo cupido. Eu sempre pensei que fosse bobagem. Não acreditava e pronto.
Num desses finais de semana que têm varias opções de divertimento em vários lugares e ao mesmo tempo, quando fica muito mais difícil escolher aonde ir, eu fui testemunha de um fato que me fez acreditar no tal cupido.
Decidimos, então, eu e um amigo, ir a um barzinho movimentado. Muitas pessoas na frente do bar. Entramos e, antes mesmo de sentarmos para pedir algo, passaram por nos duas meninas exuberantes. Lindas mesmo. Olhamos para elas. Elas nem nos olharam. Passaram em nossa frente e sequer nos viram.
As duas eram morenas, tinham, no máximo um metro e sessenta e cinco centímetros, a pele era uma seda, aparentavam uns quinze anos, os olhos com um brilho desses que só as meninas de quinze anos têm. E não tinham namorado.
Logo quando passaram, o meu amigo disse, quase sem fôlego e por entre os dentes: Olha essa morena! E eu que ainda estava olhando-as, perguntei: Qual?
_ A de blusa branca e de shortinho, olha essa menininha.- disse ele.
Tentei convencê-lo de ir lá e conversar com ela, ele hesitou e se reservou a observá-la. Mirava-a de longe, nem piscava. Não prestava atenção em mais nada, só naquela moça que ele não sabia nem o nome. Ficava imaginando o que falaria se tivesse coragem de conversar com ela. Ele pensava em falar as palavras mais lindas que um homem diria a uma mulher e ele até ensaiava.
Tinha a oportunidade da vida dele, era como se fosse bater um pênalti. Só que, no futebol, ele era zagueiro, não chegava à frente, no futebol ele experimentou poucas vazes a centroavância. Os centroavantes sim é que estavam acostumados com a felicidade. Eu tinha certeza que, se ele falasse o que estava pensando, seria fácil como bater um pênalti com o goleiro estirado no chão. Digo isso com a experiência de centroavante que sou. Mas aquele zagueirão que não vacilava nunca e que era o mais viril e valente do bairro, estava a uns seis metros de uma menina e ele, acreditem, estremecia.
Ouvimos as suas combinações de irem ao centro, onde estava ocorrendo um evento. Decidimos ir também, e saímos antes delas, para não parecer que estávamos seguindo-as. Ótimo plano! Em menos de cinco minutos de espera apareceram as duas e mais uns seis amigos delas.
Nos aproximamos do grupo e, agora sim, ela olhou para ele, olhou o melhor olhar que ele podia querer. Depois até conversaram. Batemos foto, e ele, claro, do lado dela.
Já não o reconhecia mais. Logo ele que não era de se apaixonar, ele que mantinha o lado racional sempre imperando, agora, só falava nela. Queria vê-la a todo custo, nem que fosse só pelo prazer de conversar.
Outro dia até conversaram, só que ele sentia que ela não correspondia ao que ele sentia. Sem sombra de dúvidas, ele havia sido atingido pela flecha do amor, mas não parecia que ela também tivesse sido flechada.
Agora ele lamenta porque não disse tudo de bonito que sentiu naquela noite no barzinho. Talvez ela nem acreditasse em tudo, pois era muito sentimento por uma pessoa desconhecida. Talvez ela nem quisesse ouvir, mas ele tinha que ter falado, devia ter coragem. E ele sabe disso. Por que ele não tentou? Que não desse certo, tudo bem, pelo menos teria tentado acertar. Por quê? Ah, se ele tivesse tentado...

Elder Corrêa Jr

terça-feira, 3 de julho de 2007

Monstro do lago Ness ou do Cap Nou?

Havia um monstro no lago Ness. Eu nunca acreditei, também nunca passei lá. Já pensei em ir e ficar lá, parado, esperando para ver ele aparecer. Ele não apareceria. Pois para mim, em meu inconsciente, na minha razão, a lenda é lenda, não é verdade. O mostro é apenas mito. Um mito, talvez para assustar crianças e impedi-las de entrar sem seus pais, o mesmo motivo que meus pais diziam:
_Não vai tão longe que o “veio do saco” te pega, exclamava minha mãe.
_Se tu for lá fora o “santo louco” te da um corridão, alertava-me meu pai.
Isso é uma comparação. Eu gosto e sempre faço comparações. É importante para nossas vidas. Por exemplo: eu comparo o monstro do lago Ness com o Barcelona. Igualzinho.
Muita gente já cruzou o lago afora e nunca viu e, inclusive, pensaram: é aqui q tem o monstro? Muitos times foram ao Camp Nou e falaram: esse é o Barça? Já outras pessoas, juram ter visto e afirmaram que é medonho. Como alguns times enfrentaram o Barcelona e ficaram ressabiados. Na verdade o Barça é um mito que tem um mito, o Ronaldinho e este, sim, é verdadeiro.
Comparo também os níveis de alegria que certas coisas me trazem. Tomar um mate em uma manhã de inverno ensolarada no pórtico de casa tem o mesmo peso de ver a defesa do Inter sendo sublimemente eficaz. Dirigir por exemplo, alegra-me o mesmo que comer uma barra de chocolate Diamante Negro. Já um gol do meu time, comparo com sexo, até porque é o clímax, o auge, o máximo.
Eu comparo o que acontece para não sentir alegrias com o mesmo peso consecutivamente, por isso, no dia 17 de dezembro, na final do Campeonato Toyota Mundial Interclubes, não vou tomar mate, prefiro ver a zaga colorada tomar conta do ataque catalão. Vou ver o jogo em casa, por isso, por não poder estar dirigindo, vou saborear meu chocolate preferido. É. Não vai dar. Não vou transar uma semana antes da final. Prefiro ver o Internacional ganhar o inédito titulo de campeão Mundial.
Ah! Gritar; É...
Campeão. Não há comparação.

Elder Corrêa Jr

segunda-feira, 2 de julho de 2007

O Grêmio tem perna curta

“Um Caxias com grife” foi o infeliz comentário que um dirigente do Grêmio teceu ao se referir do Boca Junior’s. se não me engano foi o mesmo que em algum dia “iluminado” falou que eram imortais e maior que tudo.
Isso ocorreu diante de serem massacrados pelo time argentino naquela chuva de papeis azul e amarelos na Bomboneira. Era de se imaginar esta frase partir de alguém que contrata atacantes que passam seis jogos sem fazer gols.
Peço desculpas pela vulgaridade das palavras, mas imortal... imortal é a minha bola esquerda. Mesmo assim não parece que os gremistas tenham acreditado na frase que só vem a deixar os argentinos com mais fome de vitória. Pois cantavam “...mesmo não sendo campeão o sentimento não se termina...” antes mesmo da derrota. Se bem que pareciam nem quererem golear, pois, como de tradição, Martin Palermo humilhou o Grêmio ao não se importar c/ o pênalti desperdiçado. Afinal tinham Riquelme para cobrar. Ele não erraria.
Uma utopia foi o Grêmio dos últimos tempos. E até que durou muito. Fantasiaram um Grêmio vencedor. Parece que se envergonharam da realidade e preferiram mentir.


Elder Corrêa Jr

domingo, 1 de julho de 2007

Bolacha de Maisena

O primeiro jogo da final da Libertadores foi uma confirmação da história do Grêmio e Boca Junior’s na competição. O time gaúcho havia perdido as cinco últimas partidas fora de casa. Perdeu a sexta.
Mano Menezes cometeu o erro maior gritando para que o Riquelme fosse jogar seu futebolzinho. Logo para o craque argentino cujo empréstimo por seis meses o Boca pagou U$$ 2 miliões. Riquelme ouviu e obedeceu. Já tinha sido ele o cobrador da falta que originou o primeiro gol, fez o segundo, o quinto dele na competição, e o camisa 10 ainda teve participação brilhante no terceiro gol.
Ao termino do jogo, com a torcida do multi-campeão Clube Atlético Boca Junior’s, cantando “INTER... INTER... INTER...” o destaque da partida, em entrevista perguntou ironicamente se era mesmo aquele Grêmio de Belo Horizonte que passou pelo santos quem estava jogando.
Passaram para a final após serem vergonhosamente “socados” pelo santos de Zé Roberto e Wanderlei Luxemburgo e Jonas Greb. Deviam ter preferido nem passar. Pois vão ser humilhados, escrachados, e outros tantos “ados” pelo Boca de Riquelme e Palermo e Palácios e Ledesma e Diaz e outros tantos. E até nem seria tão feio para o santos. Fora que facilitaria uma manchete: “Peixe morre pela Boca”.
Também pudera como a criatura iria ganhar de seu criador? Isso é pra esses gremistas aprenderem a não idolatrarem esses argentinos, dizendo terem alma castelhana.
E agora da Azenha até o Gigante da Beira-Rio, onde está a taça da Libertadores, existe uma grande distância.
Eu estava tentando encontrar uma boa explicação para eles se intitularem imortais e falarem que nada pode ser maior. Esta é fácil. Analisando a palavra nada, achei como significado um espaço vazio. Então fica: Grêmio: um espaço vazio pode ser maior.
Até a tremedeira dos aflitos eles transformaram em Inacreditável. Filminho. Inacreditável foi aquele timinho do Náutico não vencer aquele gre-nau, errar dois pênaltis. Aflito ali só os gremistas pirando com a iminência de continuar a segundona, que é o lugar adequado a um time daqueles. Transformaram aquilo numa batalha. A batalha ali era o Grêmio contra a bola. Vale ainda ressaltar uma derrota para o poderoso Anapolina por 4 a 0.
Imortal contra Náutico e Caxias e Juventude qualquer um é.
Ainda procurando um significado para a imortalidade do Grêmio, o time brasileiro considerado o mais gay e mais argentino. Só me faz lembrar um popular adágio: Bicha não morre, vira purpurina...
E assim está o ano de 2007 para os gaúchos: Internacional, terceiro Campeão do Mundo reconhecido pela FIFA e Libertadores, ganhou a Recopa, garantindo assim a Tríplice Coroa. E o Grêmio com seu 35° Gauchão, o cafezinho. Ainda tem o Brasileirão pra eles e mais o Juventude.
E o Boca Junior’s ainda vai ganhar a segunda partida da final. Vai ganhar lá no Monumental Olímpico (o chiqueirão).
“Sábio é aquele que guarda as palavras desta profecia, pois eu voltarei”!


Elder Corrêa Jr