terça-feira, 10 de novembro de 2009

Nunca é tarde para ser jamais

Ela se aproximou dele. Lentamente.

- Oi.

- Oi.

- Você vem sempre por aqui?

- Não, na verdade não.

- Eu sei que vai ser chocante o que irei te dizer mas...

- O que você vai me dizer?

- Aquilo que você já sabe.

- Aquilo o quê?

- Que eu vou sentar ao seu lado, você vai me pagar um drink, dirá que sou linda e especial, daí iremos para o meu apartamento e amanhã não irá lembrar o meu nome e eu vou ficar até as duas da madrugada ao lado do telefone esperando a sua ligação.

- Mas eu...

- É, eu sei, você não irá ligar, vou chamar uma amiga minha, chorar, entrar no orkut e descobrir que você é casado.

- Eu só estava...

- Não precisa explicar, eu já saquei.

- Sacou o quê?

- Que você vai espalhar para os seus amigos que o meu seio esquerdo é maior que o direito e que tenho uma tatuagem na...

- Não, eu só estava tentando...

- Dar um tempo? É isso? Já está tentando acabar o nosso relacionamento?

- Olha moça, eu acho melhor que você se acalme.

- É verdade, posso me sentar aí do seu lado?

- Claro. Aceita um drink?

sábado, 24 de outubro de 2009

Frio na barriga


Ainda não sei por que dizia para minha mãe quando era pequeno que não gostava de ir à aula. Se eu fizer uma retrospectiva dos melhores momentos da minha vida, certamente várias passagens estarão lidadas à escola. Lembro do frio na barriga que senti no primeiro dia de aula em cada colégio que estudei. E frio na barriga é um sintoma de grandes sentimentos. E o colégio é um lugar que proporciona diversas emoções e felicidades. Foi no colégio (na saída) que dei meu primeiro beijo, escorado numa árvore na pracinha dos amores. O frio na barriga que senti aquele dia foi o maior que havia sentido até então. Mas isso é outra história, só para ilustrar alguma das coisas que aprendemos na escola.


Pensei que já tinha passado do tempo ou me livrado dos frios na barriga. Engano. Essa semana começou de novo um friozinho. Uma brisa- bem de leve- no meu estômago. Mas está aumentando. Domingo passa. É por causa do Gre-Nal. E sabe como é Gre-Nal... é igualzinho ao colégio: me dá aquele frio na barriga e sempre me traz grandes alegrias.

domingo, 11 de outubro de 2009

Apartamento D8


Abro minha morada para que vocês possam conhecê-la. Tá. Na verdade é pra mãe conhecer, mas não sou egoista e compartilho com vocês, leitores.
Sejam bem-vindos.

No apartamento moram: Elder Junior, Juliano Medeiros e Pedro Lago ( que não estava no dia da filmagem).

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Rumo à 10 mil



Leitores, chegamos juntos em 9 500 vizualizações em dois anos e tres meses, ou seja, 829 dias. São mais de 11 vizualizaçõesna média diária.

Por isso, quando chegarmos em 10 mil teremos a primeira premiação. Quem tirar o Print Screen desse número ganhará um livro Bola Esquerda.

Participe.
Boa Sorte.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Paixão efêmera

Conheço pessoas que afirmam que para ser feliz é preciso amar. Amar a família, os amigos, a terra, as arvores e até as alfaces. Sem esquecer, é claro, de um amor desses de tirar o fôlego e bater mais forte o coração. Porém, já ouvi vários relatos de quem já amou muito, já teve seu coração saindo pela boca e mergulhou em abismo de paixões, de onde sempre demorava para emergir, por isso agora dizem que ser feliz é amar a si mesmo e proteger-se. Eles defendem que o melhor romance é aquele com data para terminar.

Num pensamento rápido, é interessante essa corrente. Todo mundo que tem medo de se envolver demais com alguém, poderia se atirar em paixões programadas para terminar antes que ultrapasse seu limite e comece a amar. Haveria apenas paixão entre os namorados, casais e amantes. Seriam todos ficantes, na verdade. A volta da poligamia. A extinção da traição.
Mas fazendo uma reflexão maior, não sou adepto de paixão efêmera, que não possibilite o amor. Talvez não seja tão pós-moderno ou nem moderno para entender esses amigos que pensam assim. Tampouco confiaria plenamente em alguém que não se entrega os próprios sentimentos e propusesse datar a minha paixão.

É por isso que não acredito que Mário Fernandes possa levar o Internacional de volta à disputa do título do Brasileirão. Alguém que não quer vínculo duradouro (talvez não conseguisse mesmo) com o clube contratado e prefere ser apenas um tapa buraco, não merece minha confiança. No máximo meu respeito e torcida para que faça um bom trabalho encaminhe o colorado á Libertadores do ano que vem. Mas que isso sirva para em 2010 o Inter case com algum outro treinador. Algum de qualidade, que queira viver esse casamento. Que queira essa monogamia. Que mergulhe fundo nessa paixão sem data para terminar. Wanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho me parecem ótimos partidos.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O dia que perdi um amigo




Agora restam as fotografias, as lembranças e as marcas de uma amizade. Foram muitas festas, muitas beberagens e muitos agitos. Foi junto ao meu melhor amigo que passei os melhores anos da minha vida. Uma amizade colocada à prova nos piores momentos, e que agora se eterniza em meu pensamento.
Quantas confusões entramos (e saímos) juntos, quantos bares e wiskerias, quantas sinucas, quantas cervejas, quantas professoras enlouquecemos, quantas armações, quantas vezes provamos e desafiamos a Lei de Murphy, quantas parcerias, quantas mulheres, quantos carreteiros e churrascos, quantos futebolzinhos, quantas apostas, quantas vibrações nos jogos do nosso Colorado, quanta coisa conquistamos juntos... Quantos “quantos” eu usei aqui... e ainda falta falar de muitos,mas alem do meu esquecimento faltou foi o tempo.
Sempre fiquei feliz com a alegria e sucesso dele, sei que ele sentia o mesmo. Talvez agora ele esteja feliz, mas é impossível que eu compartilhe este sentimento.
A pouco entrei na Capela. Todos em silêncio, sobriamente vestidos, a maioria de preto, tentavam segurar a emoção. Na chegada não conseguia entender o que um senhor - que mais parecia um profeta- falava, cheguei a pensar que fosse em latim. Eu estava longe do meu amigo. Tentava ver sua expressão, mas um lustre me escondia seu rosto.
O ambiente cheio de flores, alguns choravam muito, outros se contiam. E o senhor com a barba branca que parecia um profeta, não parava de falar. Minha inquietação me fez recordar tudo que passamos juntos. Ele era uma boa pessoa. Foi junto dele que percebi que um homem pode amar outro, alem de seu pai e irmãos. Eu o amava, agora vejo isso. Amava-o como um irmão, que nunca tive.
Mas só quando o velho da barba branca parou de falar que caiu a ficha e percebi que realmente havia perdido meu melhor amigo. Vou repetir as palavras daquele padre: “Eu vos declaro casados. Pode beijar a noiva.”

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A terra está mais vermelha

Tive a sorte de estar em São Gabriel na última vez em que o MST tomou a prefeitura. Pude testemunhar a caminhada do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra até o centro da cidade para que seus líderes pudessem ter uma audiência com o prefeito e o INCRA, onde se esclareceria, enfim, onde embargam os projetos de criação de uma escola, unidade de saúde, água potável e transporte nas proximidades do assentamento, já que mais de 500 famílias esperam por esses investimentos que há tempos já expiraram seus prazos e cada um desses órgãos repassa a responsabilidade para o outro.
Porém, o prefeito negou-se a receber, de forma pacífica e civilizada, a comissão para debate, quando então, a prefeitura foi tomada por aproximadamente 500 integrantes e simpatizantes do MST. A prefeitura estava vermelha, mas desta vez não eram com as bandeiras do PDT, Partido do Prefeito Rossano Gonçalves, mas sim as do MST que dominavam o local. O que não durou muito. Em poucas horas, a Brigada Militar já havia chegado de várias cidades, em vários pelotões e batalhões para retomar a posse da prefeitura, colocando todos os invasores sentados de forma organizada no pátio da prefeitura sob olhares de cachorros e mira de espingardas até que encaminhassem um a um à Delegacia de Polícia.
Isso me fez lembrar de outros movimentos e manifestações, como por exemplo, a dos estudantes da Unipampa, que uniram seus 10 campus na tentativa de pressionar a Reitora da Universidade para que as necessidades de cada curso sejam atendidas. Pelo que os líderes desse movimento explicaram, a culpa não é da reitora, sim do MEC, mas como a porta mais próxima da solução é a dela, foi lá que bateram. O que eles pediam era, entre outras coisas, laboratórios completos e sofisticados, prédios modernos e com grande infra-estrutura e professores qualificados em diversas áreas. Com todo esse argumento, pararam aulas, trancaram prédios e foram atendidos pela Reitora, que encaminhará cada pedido a órgãos superiores competentes.
Diferentemente dos Sem Terras, que estão há quase um ano acampados embaixo de lonas pretas, sem água potável, transporte atendimento médico e ensino, lutando por um pedaço de chão para trabalhar, e mesmo assim não são atendidos pelo Prefeito, que simplesmente falou que eles bateram na porta errada e que não investiria nenhum centavo da verba municipal nas proximidades do assentamento até que cheguem os 27 milhões do Governo Federal. Esquecendo-se que essa verba só não chegou até hoje por falta de um projeto para a área, obrigação do poder executivo municipal, a prefeitura.
O MST cansou de pedir de forma pacífica seus direitos constituidos na Carta Magna dos brasileiros, que é a Reforma Agrária de latifúndios improdutivos que não cumprem função social. Por não serem levados a sério, assim como os estudantes da Unipampa de Uruguaiana, que formaram parcerias a fim de tomar forma e dar maior suporte para discutir com a Reitora, o MST teve de criar métodos para crescer cada vez mais e mais. Aceitando, como filiados, pessoas que não são oriundas do campo. Mas como já salientei, isso é uma consequência. Se as reformas agrárias tivessem sido sempre nas mais rígidas determinações da lei, tanto para o MST, quanto nas desapropriações, quando o MST ainda não era tão numeroso e popular, existiria menos êxodo rural, mais agricultura familiar, que é a verdadeira agricultura forte, menos assistencialismo, como Bolsa família e do próprio MST.

* * *

Poucos dias depois da invasão da prefeitura, um grupo de Sem Terras ocupava parte da fazenda Antoniasi. A Brigada Militar, foi encaminha até lá para fazer a desocupação. O MST resistiria. A tensão pairava no ar. Todos rezavam para saírem ilesos, tanto os Sem Terras, quanto os brigadianos. Nessa ocupação, estava Elton Brum, trabalhador rural, pai de dois filhos. Ele lutava para que fossem cumpridas as funções sociais naquela região. Carregava em sua enchada, o sonho de um dia dar um futuro melhor que o seu a seus filhos. Daria a volta por cima. Sonhava em em produzir naquele chão durante toda a sua vida. Aquela terra que era desperdiçada, seria seu local de trabalho, seria a sua terra. O futuro de seus filhos. Era ali que ele queria trabalhar, repassar o cuidado do campo, morrer e ser enterrado.
O clima era hostil. O medo era uma constante no pensamento de todos. De um lado, os soldados com armas de fogo, cavalos, espadas, cachorros; de outro, pessoas famintas, de chinelos, foices, pedras, enxadas, lanças de madeira ou o que tivessem por perto. Seu sonho seria abreviado ao fim. As tropas da Brigada avançaram à sua trincheira. Dali, ele só pensava em seus filhos, que poderiam estar sendo agredidos pelos policiais logo ali, em meio às mulheres do movimento. Mas não teve muito tempo para pensar. Foi tudo muito rápido. Os cachorros, as espadas, as espingardas... Era uma briga desigual, mas os Sem Terras estavam em maioria. Todos puderam ouvir quatro estopins. Eram das espingardas calibre 12 que a brigada usava na operação. Todos se olhavam, torcendo para que não tivessem acertado nenhum dos seus, e foram atirando-se no chão. Menos Elton Brum. Ele não teve tempo de se atirar, caiu sangrando no chão, sem nem ao menos ver de onde veio a bala, que lhe acertou as costas.
Acabava ali o sonho de um homem que queria ver aquela terra, que agora é vermelha de seu sangue, gerar alimentos e o sustento de sua família. Provavelmente acaba ali também, o futuro de seus filhos, que carregarão para sempre na memória, a imagem de seu pai jorrando sangue pelas costas em mais um massacre da Brigada sobre quem quer trabalhar na terra.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Odeio radinhos

Das mudanças no futebol que serão votadas na Irlanda, algumas me parecem bastante pertinente, como por exemplo, a dos árbitros auxiliares atrás das goleiras e a possibilidade da quarta substituição durante a prorrogação. Já aquela do cartão laranja, um intermediário ao amarelo e o vermelho, que expulsaria o jogador de campo por um tempo a ser determinado, poderia ser substituída por uma mudança que entraria no estatuto do torcedor. A FIFA deveria proibir os torcedores que assistem ao jogo do seu time em barzinhos na TV a cabo de ouvirem radinhos, porque o Denardim está sempre dois, três, até cinco segundos a frente da narração da TV.
Na TV o jogador ainda nem cruzou a bola na área e os caras do radinho no ouvido já estragaram toda a expectativa gritando gol ou esbravejando o contra-ataque. Quando o jogo do meu time só passa no na TV pelo pei-per-view, sempre vou ao quiosque assistir, mas agora decidi. Não vou mais. Porque sempre tem aqueles caras com radinhos na orelha, ou pior: em alto volume. Enquanto a FIFA ou a CBF não tomam providências, os donos dos barzinhos deviam proibir os telespectadores de ouvirem radinhos. Porque não é direito deles. O direito de cada um vai até o da pessoa ao lado.
Se os caras querem saber antes, que disquem para o Ligue djá e falem com o Walter Mercado, ou vão a uma cartomante. Mas eles preferem atrapalhar o jogo dos outros. Eu não deixo nem que o jornal de domingo me atrapalhe, quando ele chega em casa no sábado, fica enrolado até domingo de manhã; quanto mais essas pessoas que querem ter o prazer antes das outras,sem se importar com os companheiros. Se são apressadinhos assim no jogo, devem ser assim em outras coisas também.
Aqui em São Gabriel deve existir algum estabelecimento que proíbe a entrada de radinhos. E é pra lá que eu vou migrar.
Esse Gre-Nal foi perfeito. Denardim ( sim, eu prefiro ouvir no rádio do que na TV) estava no mesmo tempo que a TV e a tarde desceu redonda junto aos amigos. Falando em Gre-Nal e em mudanças... se continuar assim vai virar Fre-Nal.

Elder Junior

Texto publicado no1° sem de 2009 no jornal Cenário de Notícias

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Elder Junior no Brasil Urgente



Elder mostra como é feito o jornalismo sensacionalista no Brasil, tentando fazer parecido com a forma do programa Brasil Urgente, do ápresentador José Luiz Datena. Essa produção é parte integrante do trabalho sobre a história do telejornalismo brasileiro, da disciplina de Telejornalismo na Unipampa.

Reativando

Caros leitores, sabemos que alguns ficaram decepcionados com a desatualização do blog. Foram um ano e dois meses sem nenhuma postagem. Na verdade já havíamos desativado o blog, e só voltaremos porque percebemos que ele ainda recebe visitas. Voltamos por sua causa, então, continue lendo. Confesso que me espantei quando olhei (depois de um ano sem entrar no blog) o contador de visitas que indicava 9 200 visualizações, aproximadamente 2 000 a mais do que da última vez. E mais espanto ainda foi ver que em menos de um mês já tinha subido para 9 330. Sem nenhuma divulgação nesses períodos.
Isso nos entusiasmou para seguir postando no blog. Começaremos por algumas postagens do Elder, que estão no reporterdebicicleta.blogspot.com/. Faremos vídeos e talvez até alguma promoção com quem participa do blog com comentários e enquetes.
E não para por aí... mas contaremos nossos planos futuramente.
Abraços.
Bola Esquerda: Elder Junior e Lucas Loch

terça-feira, 1 de julho de 2008

Torcedor Fanático

Sempre me orgulhava quando ouvia dizerem que mais fanático que eu não existia, hoje sinto vergonha deste título. O Gre-Nal é uma farsa, onde muitos torcedores apaixonados fazem de seus clubes suas identidades. Declaram amor a um time como se fosse algo supremo. Vestem camisas como se fosse a própria pele, ou até mais que ela. E cantam gritos de guerra, loucos para ouvirem o canto contrário; não para ver quem canta mais alto, e sim para ter “motivo” para iniciar o espancamento coletivo.
Não vou dizer que nunca cometi loucuras ou briguei pelo meu time, mas não me orgulho das vezes que prejudiquei alguém ou fui prejudicado por conta disso. Muito pelo contrário, me arrependo. As pacíficas, até conto com certa naturalidade, mas já percebo que se um “rival” visse, poderia dar confusão.
Como sou interiorano ainda não vejo razões em deixar de usar as cores do meu time em qualquer ocasião, mas será que os jovens, há poucos dias assassinados em São Leopoldo, Jéferson Ferreira e Gabriel de Oliveira, também não tinham essa sensação de segurança?
Algumas pessoas perderam a identidade
. Não são mais Cicrano da Silva, ou Fulano da Silveira, e sim Cicrano Gremista e Fulano Colorado. Com isso, ganham inimizades, discórdias e, até mesmo, tiros; se é que se pode dizer que isso tudo é ganhar.
Se for amor, porque não aproveitar o melhor dele? Sendo tão lindo assim, não tem o porquê estragar ofuscando cada vez mais o brilho do futebol.
Acabei me decepcionando com o futebol. Tenho certeza que muitos outros também.
Torcedores apaixonados geralmente acham que todos também deveriam ser... e atiram exatamente naqueles que são igualmente fanáticos. E olha o busilis: mancham o escudo do seu clube e acabam com um semelhante, só porque ele é do time deles.
Elder Corrêa Junior
Publicado dia 11 de julho de 2008 no caderno KZUKA, da ZERO HORA.

UM ANO DE BLOG

Um ano desde que, após o lançamento do precursor livro (Im)Pressões da Vida, nos juntamos na casa do Lucas e decidimos criar um blog para divulgar nossos humildes textos. E não é que deu certo!?
Quase que o nome acaba sendo "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa". Acho que Bola Esquerda é melhor mesmo.
Passado alguns meses, lançamos os dois volumes do livro BOLA ESQUERDA. Maior sucesso da I Feira do Livro de São Gabriel.
Continuamos escrevendo, até que eu comecei a escrever no jornal Cenário de Notícias. O blog e nosas crônicas ficaram ainda mais conhecidas.
Espero que nossa parceria ainda dure muito tempo, apesar de andar meio parada.
Hoje estou cursando jornalismo, na ditante São Borja. Mas pode chuver canivete que não desisto dos meus sonhos.
Um dia vou ser jornalista, vou lançar o "Centroavantes também Choram" e vou dizer: eu voltaria e faria tudo igual!
Um grande abraço aos meus amigos todos, em especial a este que marcou uma parte importantíssima da minha vida. O Bob!
Elder Corrêa Junior

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O Medo de Sonho, Vida e Morte

“O medo não é como a coragem”, já se gabava meu avô, sentado sobre o pelego fechando um desfiado e contando seus causos.De como matou cachorros e caçou capinchos e pescou cada peixe maior que outro, contou umas duzentas histórias. Mas foi da vez do sorro que ele se arrepiou contando:“_Tava curando uma ovelha e não vi o tempo passar, quando me dei conta estava anoitecendo e a cura estava pela metade. Como não podia sair sem terminar, continuei.Quando estava voltando, uns cem metros do rebanho, ouvi um barulho nos arbustos. Era um sorro que vinha em minha direção farejando o sangue. Muito ligeiro que sou quando a cousa aperta, atinei num repente. Enrolei o pala no braço e deixei que mordesse. Ele mordeu com raiva. Com a mesma gana saquei a peixeira e lhe sangrei o pescoço.Pena foi meu pala. Não prestou mais.”Outra de coragem que me contava foi da vez em que ficou de caseiro:“Eu sozinho naquele fim de mundo, onde se ouve o crescer dos pêlos do mouro no galpão e se sente o cheiro e gosto de saudade em cada mate na manhã. Sem nada para fazer além de cuidar o resto de móveis que ficaram na casa da estância vazia. Foi no terceiro dia da casereada que se deu o rebuliço:_Estou troteando no meu mouro pelo corredor da Morte (diz a lenda, que o corredor já sumiu com mais de mil cabeças de gado e dezenas de peões e tropeiros. As terras dos arredores, não por acaso, são desvalorizadas, apesar de tudo o que se planta cresce e todo gado engorda fácil. Relatos dão conta que se trata de espírito, centauro ou capeta que volta e meia assombra aquelas bandas) quando vi de longe um cara vestido de panos e chapéu pretos vindo a galope num picasso de estrela na testa.Mandei uma bala na estrela do cavalo e outra no peito do cavaleiro, quando nele surgiu uma espada de fogo.Te juro que acertei, que na época eu era bom nisso,mas o galope continuava em minha direção.”De repente eu era meu avô. E o que eu queria era morrer; não seguir naquela cena.Como se adivinhasse, quem apeou foi a Morte, do picasso em pêlo. Eu tremia por dentro, mas era impassível por fora.
_Vim te levar comigo, mas tua valentia me assustou e me mataria se fosse viva. Por isso te levo e se quiseres podes voltar – disse a morte com sua voz surpreendentemente serena e macia.Perplexo com tanto horror, não conseguia me mover.Vi quando minh’alma (um apóstrofo. Fazia tempos que não usava um. Até vou repetir).Vi quando minh’alma saiu do meu corpo e foi na carona, pela poeira. Fui reaparecer num lugar onde parecia uma cabine de vigilância do mundo.Eu, que sempre tive medo da morte, que vivia no meu mundinho de campos, cavalos e aventuras curadas a jujos de chimarrão, alienado entre tanto verde, percebi que o mundo, a vida era pior que a morte.Vi rios poluídos com peixes mortos boiando, florestas sendo queimadas e até desmatadas em prol do capitalismo, ciclones destruindo cidades, a impunidade, tal qual a injustiça, correndo solta. Vi os efeitos do aquecimento global, as diferenças sociais e todas as doenças.Antes de responder à Morte, acordei da sesta, lagarteando com a cuia na mão. Naquele momento percebi que meu medo de morrer era tolo. Passei meus anos todos com medo de morrer. Medo de ir para o inferno. Porém não havia percebido que o inferno é o mundo em que vivemos. Que as profecias se realizaram e continuam se realizando ao passar dos séculos.Lamentei não voltar no sonho para dizer à Morte que não queria mais a Terra. Porque eu tenho mais medo da vida na terra do que da morte no inferno.
Elder Nunes Junior

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Ela Engana

Ela não falava palavrão. Creio que a última vez que arrotou foi lá pelos seus dois ou três anos. Bebe pouco. Enfim, uma mulher perfeita pra se casar por uns seis meses. É. Porque mais que esse tempo ninguém agüenta.Festa ela faz, mas assim... discreta. Não arrisca passinhos ousados, por isso jamais fez fiasco em baile nenhum.Mulher pra casar - sentenciaria minha mãe se a ouvisse falando suave em sua voz de doce de leite na mesinha do Cassino’s Bar, com suas caras e trijeitos.Uma baita gostosa – foi o que pensei quando ela foi se levantando pra fazer sei “xixizinho”, como ela disse - sem jeito, faces róseas.Não sei por que ela disse que faria um “xixizinho”. Quem, afinal, se interessaria em saber o que ela vai fazer no banheiro. Que fosse cagar, retocar o gloss ou até mesmo trocar o modes. Ainda mais uma lôra daquelas, que só de começar a falar, faz todos calarem para ouvir sua voz de mumu.Ela sempre falava: “vou fazer um xixizinho”. Sempre. Não podia sair sem ir fazer seu “xixizinho”. Ô mulher que mija, essa.Mulher pra ver no que dá - diria meu pai, ao me olhar pensando em acrescentar: “vai meu filho, arrebenta ela pelo meio”.Dizem que o pai sabe das coisas. Por isso fui ver até onde vai.Conversa vai, conversa vem. Beijinhos aqui, beijinhos ali. Carinhos e carícias cada vez mais quentes e a coisa ia se concretizando. Feitooooo. Gol do Brasil.Namoramos como planejara. Com o passar do tempo fui me angustiando em conviver com uma mulher que não fala palavrão, não arrota nem peida. E que mal eu largo o copo de refri e ela já pega pra lavar. Não entende piadas e quando conta alguma é do tipo: “sabe a piada do não e nem eu?”. Nem Jó agüentaria.Lá por meados do quarto mês eu estava pronto pra terminar o namoro na aurora, mas o que aconteceu naquela madrugada lhe rendeu mais um mês de crédito comigo.Ela peidou. Eu peidava também, mas não era aquilo. O peido dela foi maravilhoso. Cheiro da flor da maçanilha. Parecia um balão sendo esvaziado pelo ventil, o som ecoado por suas nádegas de algodão e ferro.Verdade que não aprecio peidos, mas aquele foi simbólico. Devia ter filmado. Maria Clara peidando na frente de alguém era inédito. Mostraria o vídeo pros meus netinhos.Ela ficou envergonhada por uma semana, o que me deu nos nervos. Devia ter terminado, com peido ou sem peido. Mas só terminamos depois de mais algumas semanas e ela ficou tão chateada comigo que nem me olha mais nos olhos e nem vai aos lugares aonde íamos.Quais banheiros ela anda freqüentando será?Um dia alguém vai ter que me explicar porque diabos ela diz que vai fazer um “xixizinho”.Peraí!Vai ver ela não fazia “xixizinho” nenhum, aquela peidorreira...
Elder Nunes Junior

segunda-feira, 31 de março de 2008

Coisas de Cabeça

Aposto que se dissessem que Sérgio fora o Rei do forró e campeão de cuspe em distância, onde morava, ninguém por aqui comentaria tanto. Mesmo admitindo que ele dança tanto quanto cospe( e ele cospe longe). Só que espelharam que o Sérgio era corno. Só corno não: O CORNO, assim era chamado. Com o “O” adjetivado.Provavelmente, foi um inimigo seu quem inventou esta história (se é que é mesmo invenção), mas bem que pode ter sido um amigo. Que os amigos também fazem dessas.Atualmente é moleza. A internet proporciona essas sacanagens. E gente pra fazer maldade (por mais verdade que seja, é sacanagem) não faltam.No início só o pessoal da turma fazia troça. Com o passar dos dias a história tomava formas e não adiantava o Sérgio desmenti-la ou tentar remendar. Em pouco tempo o colégio inteiro já sabia da sua cornice de outrora.Sergio, que sempre gostou de namorar sério, já não podia. Por dois motivos óbvios:Todos o chamariam de corno, mesmo que sua companheira fosse um exemplo de fidelidade.2. As mulheres ficavam com ele para trair.Um horror! Por isso ele só “ficava”. Mas nem isso fazia com que parassem de chamá-lo de corno.CORNO! CORNO! CORNO... Por onde andava ouvia caçoarem. Aquilo incomodava, claro que incomodava.Em casa, sozinho, ouvia o ringir da porta: Cooorrno; o fechar da geladeira: corno; um vizinho chamando outro: e aí seu corno; a buzina do carro: corrrno; o vendedor de laranja: óia o côôôôôôrrrrnoo; o grito da torcida ecoando no Beira Rio lotado: corno, corno, corno...Teve de se tratar num psicólogo, depois num psiquiatra.Porque inventaram isso ou quem o fez, não sei... mas que todos acreditaram, ah acreditaram. E isso atrapalhou muito sua vida aqui em São Gabriel. Assim é o Inter, com essa história de carrossel. Tomara que os jogadores colorados não acreditem. Do contrário é o torcedor quem vai enlouquecer ouvindo em cada ruído: GRÊMIO! GRÊMIO! GRÊMIO...

Elder Nunes Junior

Texto Publicado no Cenário de Notícias em 29/03/2008

terça-feira, 25 de março de 2008

O VALOR DA AMIZADE E DE UM GOL

Ary é mais que um goleiro, é um amigo que não foi o tempo nem a morte que me afastou dele. Foi minha culpa. Nossa amizade era tão verdadeira eu se um dia eu fizer um dicionário, colocarei a foto do nosso time onde estou o abraçando, ao lado. Esse ano já voltei ao campinho onde jogávamos umas três vezes, e lá fiquei relembrando da infância correndo sobre aquela grama rala. Minha lástima maior, a que fez encher meus olhos d’água é exatamente o fato que ocorreu comigo e o Ary naquele inverno de... tempos, muito tempo atrás. Ary era meu companheiro de ir ao laguinho ver as meninas dando comida às tartarugas e principalmente de jogar e conversar sobre futebol. Era o Ary que me ajudava a vender os santinhos que davam direito a quadros escolares. Como eu era tímido, ela saia comigo pra me ajudar a vender os meus também. Eu queria muito aquele quadro. Tanto que minha mãe disse que compraria os que faltassem, mas como faltavam muitos e eu estava ciente de nossas necessidades, disse pra ela que tinha vendido todos. Não conseguiria o tão desejado quadro. O Ary, vendo minha tristeza, pegou meu dinheiro e minha cartela dizendo que levaria lá pra mim. Ele trocou, disse que eu tinha vendido todos e ele não tinha conseguido. Bá, quando o diretor me chamou, credo... que felicidade! Olhei pro Ary, sabia que era coisa dele e o abracei agradecido. Aquilo é que era amigo. Ele sempre me convidava pro seu time, embora eu jogasse pouco. Mas no torneio do bairro o melhor time o convidou pra atacar e ele não conseguiu me colocar no time. Acabei jogando no “Excluídos”, um nome bastante sugestivo. Ary, mais que ninguém sabia como eu jogava. Sabia que eu não enfeitava, não usava calcanhar e quando eu preparava o chute era porque eu ia mesmo chutar. E mesmo assim toma gols meus. E ainda dizia: “que bucha heim”. Nesse torneio, o time deles estava invicto quando foi nos enfrentar; e nós não tínhamos vencido nenhuma, aliás, não tínhamos nem empatado. Como eu era o último reserva, pedi pra ele me deixar fazer um gol. Ele topou de pronto. Cinco minutos pro fim eu entrei. Fui tabelando em direção ao gol e quando estava de cara com o Ary, certo de que faria o gol, fiz que ia chutar, tipo o chute falso do Valdívia e passei por ele, que estava estirado feito um trapo velho no chão. Gol. Golaço. Era nosso melhor jogo. Provavelmente seria nosso único ponto. Estava 3 a 3. Todos ficariam gratos a mim. Seria promovido a titular. Mas no ultimo segundo o Zezinho chutou forte de longe. Gol. Fora do alcance do Ary, que atacava com um par de havaianas dentro de suas luvas de lã. Ganhamos por 4 a 3. Todos brigaram com o Ary. Eles viram que o Ary tinha me deixado fazer aquele gol. Ary foi humilhado como nunca antes em toda sua carreira. E no meu time? Todos só queriam saber do Zezinho. No final do jogo fui lá falar com o Ary, que me recebeu assim: _ Sai fora, meu. Tu tinhas que me driblar? Eu não ia defender. E saiu, com olhos marejados, pra nunca mais falar comigo. Arrependo-me de tê-lo traído daquele jeito. Foi como ter lhe furado os olhos. Uma amizade como aquela vale muito mais que uma simples vitória. De pouco adianta meu arrependimento, depois do que fiz. Por que não pensei antes? Por quê?
Elder Nunes Junior

Texto publicado no Cenário de Notícias dia 25/03/2008.

terça-feira, 18 de março de 2008

CENTROAVANTES TAMBÉM CHORAM

Falar em quem tem talento é sempre uma honra. Por isso me prontifiquei para entrevista-lo. O Flávio, eu o conheço dês de a infância, quando jogávamos juntos nos campos de linhas imaginárias e goleiras de havaianas em ruelas e pátios vazios do Ipiranga na beira do rio Uruguai.Ele era o melhor centroavante dos campinhos do Ipiranga. Pegava em qualquer time de Pirinópoles do Sul.Ele é com as mulheres como é no futebol. Não dribla zagueiros nem namoradas. Quando está difícil de passar pela zaga, chuta de fora da área mesmo, mas costuma ter certa paciência pra esperar a hora de estufar as redes. Volta e meia faz um gol de placa; geralmente é simples, objetivo: domina, vira, bate... gol e é só correr pro abraço. E é aí que ele faz a diferença. Um artilheiro.Uma máquina de inspiração, palavras certas em momentos oportunos. Uma fábrica de gols, mas, principalmente, de reflexão e sorrisos alheios. Parceiro de tantas baladas, boemia e festas inenarráveis, que o tempo e a distância nos subtraiu.A entrevista era sobre ele ser o goleador do estadual. Fui até o vestiário, num dia de treino, mas com tantos assuntos para por em dia a entrevista propriamente dita não começava. E quando eu estava prestes a dar início ele abre seu armário e o que eu vejo...Uma foto!!!Depois disso não teria como começar a entrevista. Não era qualquer foto! Percebi em seus olhos que ele também queria conversar sobre ela, sobre ele, sobre eles.Um amor antigo. Alice fora sua namorada na adolecência, quando ainda jogava em juniores. Era uma bela morena, sim, mas via-se que engordaria ao passar dos anos. Não pensem que tenho algo contra as gordinhas. Me orgulho de cada uma que já fiz feliz. Passados meia dúzia de anos e ele ainda com foto dela no armário... estranho.Decidi que faria a entrevista mais tarde ou até outro dia e o convidei pra ir a um bar e tomar uns chopes com churrasquinho de gato, enquanto conversávamos sobre o assunto. A entrevista que espere.A julgar pelas mulheres que o procuravam depois dos jogos e gritavam: lindo, tesão, bonito e gostosão!” e sua fama de mulherengo, ele devia ser um baita comedor. Não teria o porquê cultivar esse amor pela Alice. Foi mais ou menos o que eu disse. E perguntei, ainda: quantas mulheres tu já comeu?E mais ou menos assim veio a resposta:"_Nunca contei mulheres! Comedor, eu? Não! Eu faço amor... – continuou, professoral – o sexo delas eu tenho, mas assim... casual. De fome é que eu não morro. Sobre ser mulherengo... aí é que está: elas pensam que sou canalha, o que torna-se uma decepção. Porque mulher comigo não paga, lhe dou atenção, sexo, carinho, amor, mando flores e alugo um filmezinho. E a Alice. Aquela mulher me atormenta. Ela está sempre nos meus jogos, passa o jogo me olhando, mas aos 45 do segundo ela some sem que eu consiga mais vê-la. Tenho sonhado com ela, isso quando não me tira o sono".Como pude julgá-lo tão mal? Como se um centroavante não amasse, não chorasse...Percebi que com as outras ele era feliz, mas é ela que o faz sofrer.
Elder Nunes Corrêa Junior

Texto publicado no Cenário de Notícias em 18/03/2008

sábado, 15 de março de 2008

AMANDA

Como faço pra escrever um poema sem usar seu nome?
Como falar nas belezas da vida sem você?
Falar nas flores sem sentir seu perfume
Falar em cores sem ver seus olhos
Falar de doces sem desejar sua boca
Falar nas estrelas sem mais enxergar a que lhe dei
Falar no passado sem ter passado contigo
Falar de tristeza sem lembrar seu choro em meu ombro
Falar em mulher... Falar de amor... Sem pensar em você AMANDA

Elder Nunes Corrêa Junior

Esses Egos

Por esses dias até nem sei, mas esses tempos conferi uma discussão ferrenha na internet. “Pessoal de São Gabriel”, o nome da comunidade do Orkut, onde passava as discórdias as quais me refiro.Quando fui olhar mais atentamente os motivos da tal discussão (que a priori era uma enquete sobre qual seria o melhor jornal da cidade) percebi que, não bastasse os moderadores excluírem os comentários de seus colegas de imprensa, posteriormente excluíram, também, a dita enquete com suas postagens, impondo, assim, um ponto final no assunto.Tudo bem, já que o assunto estava se desvirtuando, mas que eles - que eram os principais alvos e os que mais se contradiziam e depois se justificavam - apenas se reservassem em simplesmente não postar mais.Um moderador levou uma “surra”. Tudo o que ele dizia se voltava contra ele e os demais participantes aproveitavam pra chicotear um pouco mais.Não foi por vergonha ou por medo ou porque seu jornal não estava na frente da enquete, foi pelo EGO que retiraram a enquete da comunidade. Ego, e só.O ego do cara ficou ferido. Não tenho nada contra a dita pessoa, até me dou com ele, mas realmente, é muito ego pra pouca prosa.Foi por culpa desse tal de ego que o Inter perdeu os dois últimos gauchões. É por ego que alguns jogadores inventam jogadinhas como o chute falso do Valdívia ou o da foca, do Kerlon, e o que alguns mudam toda hora de cabelo ou buscam o gol mil (e não é o da wolksvagem). Contando fogueirão, pelada de rua, três-dentro-três-fora, super chance, joguinhos de final de semana e no pátio de casa com certeza eu já tenho muito mais de mil gols. Dez, vinte mil. Sei lá.É por esse mesmo ego que o Brasil inteiro está nesse chororô.é por isso também que jogadores como Roger e Rada casam com atrizes, ou vão pra Europa e voltam só no carnaval pra desfilar na Sapucaí.É o ego que não deixa alguns jogadores enriquecerem e virarem craques.Ego. Ego. Ego... O mal ou o bem do mundo?Admito, é, também, pelo ego que eu sou centroavante e uso a camisa 9.

Elder Nunes Corrêa Junior

Texto Publicado em 15/03/2008 no Cenário de Notícias.

quarta-feira, 12 de março de 2008

A RELATIVIDADE DA FELICIDADE

Se uma pessoa sofre nesse vale de lágrimas, essa pessoa é a Débora. A coitada é gorda. Bota gorda nisso.Tão gorda que ela não passa na roleta do ônibus. Cada vez que embarca é um constrangimento, mas fazer o que, se caminhar muito é impraticável?A Débora mede mais ou menos um e setenta e pesa... sei lá! Nunca peguei ela no colo pra saber. Tampouco conseguiria (lembro que uma vez fui carregar uma garota de uns setenta quilos por uns cem metros e sofri). Chutando assim por baixo ela deve pesar meia vaca.A Débora chega a ser quadrada de tão redonda. É uma baita mulher, acho que a maior que já vi. Pra se ter uma idéia do tamanho imagina duas gordas, dessas gordas clássicas, uma de costas pra outra. Essas duas gordas de lado. Assim é a Débora de frente.As gordas geralmente são mais felizes, mais alegres, mais amigas e mais amantes que as magras. Uma mulher gorda sempre tem mais amigos e amigas verdadeiros. São as gordas que vão pra praia e se divertem. Enquanto as magrinhas e as falsas magras andam cuidando pra não aparecer as celulites e as estrias e as gorduras localizadas e tomam aguinhas e comem sanduichezinhos naturais(quando não estão de regime), as gordinhas caminham com o balancê das gorduras e vão pro mar e riem bastante e quando voltam pra descansar sentam nos quiosques e pedem aquela cervejinha bem gelada e uma, duas, três porções de batatinhas ou bolinho de peixe bem engordurados e com bastante maionese e se deliciam olhando pro mar.Mas quem não conhece a Débora jamais irá dizer que ela é feliz. Apesar de seu bom humor. As pessoas acham que uma gorda como a Débora não pode provar da felicidade. Não com as limitações que o peso lhe impõe e com o constrangimento de cada dia no ônibus, e em festas, e nos vestidinho nas lojas ou nas cadeiras que insistem em quebrar ou entalar. Estão enganados.Eu que conheço a Débora dês de que ela alcançou o terceiro dígito na balança, com seus 13 anos, afirmo: se tem uma pessoa que é feliz, é a Débora. E digo mais: ela é feliz com coisas simples. É de causar inveja.Ela é cozinheira duma lancheria. O Xis du Vido. Vido é o dono da lancheria, mas eu duvido que ele fique tão feliz quanto ela ao ver no olhar dos clientes a satisfação de saborear aqueles xis que ela faz com aquele ovo, aquela maionese, aqueles bifes e aquelas batatinhas...Pra Débora a melhor coisa do mundo é comer. Ela viveria sem amores, sem dinheiro, sem baladas, sem seu cachorro, sem amigos, sem nada alem de comida à vontade. E mesmo assim seria feliz. O prazer da vida dela é comer.A Débora é a prova de que não se precisa de tanto pra ser feliz. Não precisa seu time ter títulos nacionais, nem disputar uma libertadores, não precisa sequer ter títulos estaduais. Não precisa estar na primeira divisão, basta estar bem na hora. A felicidade de cada torcedor é relativa.Um dos torcedores mais felizes do Brasil em 2008 vai ser o corinthiano, que verá seu time retornar à elite. Ou foram os colorados que viram o Inter vencer a Inter. Mas feliz mesmo são os torcedores de times pequenos que jogam a Copa do Brasil e lotam seus estádios pra ver seu time, geralmente, perder pros grandes clubes de seus grandes ídolos. Mesmo perdendo eles ficam felizes, pois não decepcionam e não são eles quem tem a obrigação de ganhar. Mas quando vencem... É prato cheio
Elder Nunes Corrêa Junior

Texto publicado no Cenário de Notícias em 8/março/2008

As duas Palmeiras

Na frente da sorveteria que eu trabalho há duas palmeiras. Uma rente ao muro, num canto. Outra mais ao centro do terreno, onde as pessoas passam por ambos os lados. Quando fomos plantar as palmeiras, minha irmã advertiu que não podia plantar palmeiras em pares. Superstição ou estudos à parte plantamos um par delas.Como sempre, o encarregado de regá-las era eu. Raramente o fazia. Se quisessem água esperassem por chuva, ora. Numa selva elas não vão ter água trazida num balde. Elas também têm que aprenderem a se virarem sozinhas. E nem deve ser tão difícil, nem flor elas fazem.Depois que eu comprei meu relógio, passei a marcar o horário de tudo. Cinco pra hora o ônibus passa em direção ao centro, hora e cinco do centro à BR. Três e meia passa um vendedor de quindim, eu sempre quis comer quindim, um dia chamei o vendedor, comprei. Foi o primeiro e ultimo quindim que provei. Trinta minutos depois passa uma senhora que vende suco na frente do mercado. Vinte pras seis começa a cruzar as estudantes de volta pra casa. Mas é por causa de uma loirinha que eu fico todos os dias na frente da sorveteria esse horário. É uma loirinha que não sei o nome nem onde mora nem onde estuda ou trabalha, mas ela passa num ônibus e me abana. Eu abano de volta.Ás seis horas aumenta o movimento de mulheres enfiadas em suas calças “knor” fazendo caminhada. E tem uma moreninha que não sei como ela consegue respirar naqueles shortinhos dela. Segundas, quartas e sextas-feiras são os dias da caminhada dela. Qualquer dia desses vou me encher de coragem e vou interromper sua caminhada, lhe tirar os fones de ouvido de seus ouvidos e... e ai na hora eu invento.Sete e meia, da tarde, é claro. É o horário que eu queria chegar. Todos os dias (fora domingo) às sete e meia, Elias saia da sorveteria e ao passar pela palmeira do centro passava-lhe a mão direita. Acho até que lhe falava alguma coisa. Sempre quis saber o que ele falava. Essa palmeira sempre foi mais desenvolvida que a do canto, esquecida, excluída, solitária. Acho que a palmeira do centro crescia era com o carinho despendido por Elias. Mas sempre fiquei na dúvida que de repente a outra não crescia por estarem dispostas em par, como alertava minha irmã.Algo me dizia que a primeira opção era a mais coerente. Alias não qualquer coisa. O que me dava sinal disso era a própria palmeira.Elias adoeceu e não pode mais ir trabalhar. Com a saúde cada vez mais debilitada ele teve de ir a Porto Alegre se submeter a alguns exames e provavelmente a alguma cirurgia.Sem a mão e as palavras de Elias, a palmeira parou de crescer, de criar novas folhas e foi murchando e as folhas que tinha foram secando.O que mostra que além do carinho de Elias, ela precisava da repetição deles para crescer. Precisava de sua mão diária e pontualmente às sete e meia. Assim é um time de futebol. Idêntico. Mais que planejamento, um clube necessita de continuidade, de repetição. Dificilmente um time que vive trocando de técnico e de escalação consegue se manter no topo por muito tempo, isso quando chega ao topo.


Elder Nunes Corrêa Junior

Texto Publicado no Cenário de Notícias em 4/março/2008

domingo, 2 de março de 2008

JOGADOR PROFISSIONAL – Parte 2

Recapitulando o conto anterior: Um zagueiro perna-de-pau, porém muito forte e furioso descobriu que eu falava mal dele. Pior: seus colegas inventavam muito mais. Ele estava pronto pra me encurralar e me trucidar, mas eu consegui entrevista-lo sem sobressaltos.

No final da entrevista ele perguntou:
_Já está em “off”?
E eu voltando a tremer respondi que sim.
Ele começou: “Cara, tu é um jornaleirinho de merda. Eu já te vi jogando, tu não joga nada. Nunca jogou. Lembro de ti num peneirão. Eu passei... tu não. Eu já joguei no Grêmio, no Juventude na Ulbra, agora estou aqui, mas minha carreira vai decolar. Teu sonho era ser jogador de futebol, que nem eu, neh? Eu sei que era teu sonho.Mas eu é que sou profissional. Pro-fis-si-o-nal. Entendeu?”
Escutei tudo aquilo quieto e aliviado, pois apesar de tudo isso, pelo menos, ele não me bateria.
Certamente ele passou noites pensando naquele discursinho. E até que tem certa razão. Eu queria mesmo ser jogador de futebol. Não consegui.
Nem todos conseguem. Vários desses buscam atividades alternativas ligadas ao futebol tipo: árbitros, bandeirinhas, roupeiros, maqueiros, gandulas, vendedores de churrasquinho e até cronistas esportivos.
Mas eu penso no futuro. O que será do Araújo no futuro, daqui a uns vinte anos?
Um ex-jogador, só. Burro como ele é, que sequer diferencia um gravador dum celular, não vai ter profissão, nem toda essa força e seus joelhos estarão detonados.
Ai seremos quarentões, ele um fracassado ex-jogador, eu um fracassado futuro-jogador, porém ainda serei jornalista. Meus joelhos estarão em perfeito funcionamento e com garantia de mais dez mil quilômetros e meu jornal fará um jogo beneficente onde vai jogar Alexandre Pato, Gabriel Pensador, Rogério Flausino, o Presidente da República, o filho do Chico Buarque, Túlio Maravilha Junior, Ronald e mais uns amigos meus como o Rudiere, Juliano, Diogo, Lucas, Nelson e o Araújo. Sim, porque eu vou convidar o Araújo.
Eu com a 9 ao lado do Pato e do Ronald vou entortar tanto o Araújo que ele vai pedir pra sair. E nesse momento ele vai lembrar tudo que me fez ouvir a duas décadas. E quando ele se lembrar disso e me ver fazendo gols e depois contando sobre o jogo e perceber que ele não tem profissão, vai se arrepender de ter matado aula pra ficar jogando futebol no pátio do colégio invés de ler um livro.
Texto Publicado no Cenário de Notícias em 1°/03/2008.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

JOGADOR PROFISSIONAL

Essa coisa de redação de jornal, de comentários extra campo ou em “off” sobre atuações de certos jogadores é complicado. Às vezes o que a gente fala é mal interpretado e até distorcido. Uma história, apesar de diferentes interpretações é sempre a mesma história. Só que quem conta é um, quem espalha são muitos.Pois eu comentava sobre o futebol de um jovem zagueiro que o técnico (só o técnico, ninguém mais, nem eu, nem a torcida, nem seus colegas) achava que ele estouraria de verdade pro futebol. Um perna-de-pau esse zagueiro.Meus comentários chegaram ao técnico, a ele, à torcida, à imprensa. Chegou a todos sem eu escrever uma única linha sobre ele. Claro que eu falava da ruindade desse zagueiro pra muita gente, mas pô...em “off”. Afinal ninguém me entrevista.Ele queria minha cabeça. Bufava pelo vestiário enquanto uns colegas colocavam lenha: ”Bá Araújo, tu nem sabe a última que ele falou de ti...”. E inventavam alguma coisa. Sim. Inventavam. Pois por motivo lógico eu parei de falar qualquer coisa que fosse sobre ele. Ele é ruim mesmo, mas o braço dele é da grossura da minha coxa, sua mão espalmada é uma raquete, fechada uma marreta e mede quase dois metros. Mais: é brabo, muito brabo (ou seria bravo? Eu falo brabo). E agressivo, exatamente por isso era ruim. O zagueiro tem de ser calmo, sereno, pensante, atalhador. Os atacantes é que devem ser agressivos.Fiquei quase um mês sem cobrir seu time, nem pisava nos arredores do estádio.Me diziam que a raiva dele era tanta que ele me mataria a socos e chutes perguntando aos berros: Quem é ruim? Quem é perna-de-pau? Quem é doente? Quem não tem futuro agora? Quem? Quem?Alguma hora eu teria de me topar com aquele “incrível Hulk dos pampas”. Fui lá esclarecer que foi tudo um engano, um mal entendido e que ele até joga mais ou menos. Só que não foi bem assim que aconteceu.Cheguei no estádio já cuidando todas as saídas possíveis. Provavelmente eu teria de correr. Correr muito. Até que aquele baita índio cerrou os dentes e se veio pro meu lado. E vinha. E vinha. E parecia um trem, um urso, um trator e com a raiva dum Pit Bull. Eu só com minha cardenetinha, minha caneta na orelha e meu gravadorzinho na mão ia andando pra trás e rezando e olhando pros lados, pra ele, pros lados, pra ele. Tudo estava longe, ele cada vez mais próximo. Não adiantaria eu correr. Ele me pagaria ainda com mais raiva e me trucidaria ali no campo mesmo.Me entesei, me enchi de coragem , valentia e num lampejo de astúcia e num movimento de único puxei meu gravador como se fosse um celular e falei bem alto: “Alô Cláudia e ouvintes da São Gabriel, estamos aqui AO VIVO (agora mais alto ainda) com o grande jogador Araújo...”Segui a entrevista lhe fazendo perguntas como se aquilo fosse um celular ao algo ligado direto no estúdio e aos poucos a fera foi se amansando e acho que por instantes ele até esqueceu que estava brabo comigo e que me mataria.Por isso que eu repito: tem horas que só a criatividade pode te salvar.

O que vai acontecer no final da entrevista? Será que Araújo vai descobrir que estava sendo enganado? Saiba terça-feira o desenrolar dessa alucinante, empolgante e inusitada história.

Elder Nunes Junior
Texto publicado dia 28/02/2008 no Cenário de Notícias

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

NUM TIME GRANDE

Não sou, definitivamente, um contista de tristezas, apesar dum forte ar nostálgico, mas desta vez não venho contar alegrias. O que conto agora é para que pelo menos um de meus leitores siga um exemplo.
Sinceramente, eu gostaria que este leitor fosse você. Você mesmo, que está lendo agora e que acaba de olhar pra si próprio ou para algum lado.
Morreu semana passada um grande atleta dum grande time que poucos podem jogar e poucos conseguem reconhecer. Ele jogava no time das pessoas boas, generosas e honestas. Esta pessoa a qual me refiro é o pai de um amigo meu, que também joga neste time.
Nada pode ser maior que a dor da perda de um pai, ou filho, ou irmão... Neste momento deve estar passando um longa-metragem na memória deste meu amigo. Um filme cheio de alegrias vividas com seu pai que tanto lhe ensinou e deu orgulho. Que o levantou em tantas quedas e que quase chorou ao ouvi-lo falar pela primeira vez “papai”. Um filme lindo. Mas e quando ele lembrar as brigas sem motivos e sem pedidos de desculpa ou perdão? Ou pior: quando ele lembrar que não sabe qual foi a última vez que o abraçou e disse: “eu te amo, meu pai”?
Isso de não dizer o quanto amamos as pessoas é comum. Eu mesmo quase não digo. Isso que eu amo muita gente. Amo minha mãe, minha irmã, meu pai, meus avós, meus parentes, todos. Amo meus amigos e amigas, amo meu Internacional e, admito amar até o Grêmio, mas isso eu explico noutra ocasião. Amo muitas mulheres, divididas em amores possíveis, impossíveis, platônicos e vividos. E até já chorei por amor e desamor.
Sei que palavras não significam mais que atitudes, mas provavelmente a pessoa amada precise ouvir que é amada. Por isso vou tentar dizer pra quem eu amo que eu amo.
Você já disse que ama seu filho, seu pai, sua mãe, e sua mulher hoje? Já olhou nos olhos de alguém e disse: “eu te amo”?
Diga. Pois amanhã pode ser tarde. Mas se disser, diga com sinceridade.
O pai desse meu amigo saiu do nosso convívio pra brilhar no time dos anjos bons generosos e honestos. Uma grande contratação de Deus, um grande desfalque, lástima e pesar para nós, humanos...

Elder Nunes Junior
Texto publicado no Jornal Cenário de Notícias em 26/02/2008.

A LIBANESA E O DIOGO RINCÓN

Sempre, depois dos jogos, todo nosso time escolhe um barzinho perto do campo pra repor as energias com umas cervejinhas gelada e picadinho. É ali começa oficialmente a hora de discutir os lances da partida.
Daquela vez não era pra termos perdido. Mas perdemos várias oportunidades de matar o jogo. Eu mesmo errei duas vezes, uma chutei no goleiro e outra pra fora, das quatro chances que tive pra estufar as redes.
Nosso aceitou os três primeiros chutes. Rapidinho já tava 3 a 0 pra eles. Nos tínhamos o domínio da bola, eles do jogo.
No final do primeiro tempo descontei, 3 a 1. Eles eram debochados. O Tí foi o que se irritou com as brincadeiras deles. Deve ter sido por isso q no primeiro minuto marcou um golaço: driblou três, passou pelo goleiro. 3 a 2. Seguiu assim; 4 a 2. 5 a 2. Cacetada do Juliano, 5 a 3. Bate pronto do Rudiere, 5 a 4. Eles revezavam, nós não tínhamos reservas. 6 a 4. 7 a 4. Tí, mais um golaço, 7 a 5. No finalzinho ainda fiz mais um, num bate-rebate em dividida com o goleiro, 7 a 6. Tarde demais. Perdemos.
Ainda vamos no cruzar nesse campeonato, com outro goleiro, aí eu quero ver...
E foi justamente em frente ao nosso energético, pós-jogo que surgiu o assunto culminante. Arrependimentos. O Tí, nosso craque, sempre discursante começou:
_ Não me venham com arrependimentos. A vida não é um rascunho – dedo em riste- está enganado quem pensa que os dias são todos iguais. Não são. Cada dia é uma história, por mais monótono que possa parecer é uma história. E a tua história- nisso ela apontou pra todos nós – é feita pela soma, pela seqüência dos dias. Um erro, uma falha pode anular o valor de mil acertos e vitórias e conquistas – finalizou com uma frase do Paulo Santtana. Nada passa, mas tudo muda. Nada passa, a menos que não tenha passado.
Um sábio esse Tí, por isso que fizemos um silêncio solene, que durou mais dois segundos depois que ele parou.
Arrependimentos dum, doutro até que chegou minha vez.
Meu arrependimento é dos brabos. Dês dos tempos do primário que uma libanesa é louca por mim, mas como eu sou 4 anos mais velho que ela não me interessava por ela. Sempre preferi mais velhas que eu, ou pelo menos da minha idade. Fora que ela era, digamos... jaburu. É essa era a classificação dela. Uma jaburu novinha, e com tendências a piorar.
Quando ela entrou no ensino médio já era bem mais bonita. E eu já não estudava. Aos poucos fui me desligando do colégio, das colegas. Mas ela ainda tinha aquele amor platônico por mim.
Ela já estava bem apetecível, mas eu estava namorando. E não trairia minha namorada, isso é que não. Mesmo assim dava corda pra Aline. Sabe... não se pode perder todo contato com elas, pois um dia o namoro acaba. E realmente acabou.
Eu ia ficar com ela. Mas ai uma de suas melhores amigas praticamente me assediou, não resisti. E ela ficou tão chateada comigo que resolveu me esquecer. E com isso cresceu em mim o mesmo sentimento que ela tinha por mim.
Eu diria que errei, mas que a culpa foi dela mesma que decerto falava tão bem de mim que acabou despertando desejo na sua amiga, e que eu seria só dela e que a amaria. Eu até ensaiava e nesse vô, não vô, vô, não vô, acabei não indo e ela arrumou um namorado.
Agora um babaca desfila pra cima e pra baixo com ela, e eu tendo que vê-los todos os dias. Percebi que ela é a mulher pra casar. Cada vez mais exuberante, cada vez mais linda, com a elegância de uma rainha da Inglaterra e simpatia de ganhar concursos. Uma mulher digna de crime passional. Eu me casaria com ela. Lhe mostraria o que é amor de verdade, lhe serviria um mate todas manhãs e morreria velhinho ao seu lado falando da vida dos netos e dos vizinhos.
Mas a culpa foi minha, admito. Quando tive a oportunidade deixei passar. Perdi.
Tenho certeza que daqui a um tempo o Abel Braga vai jogar uma pelada e no fim do joguinho vai confessar aos amigos que se arrepende de ter vetado a contratação do Diogo Rincón em prol do Andrezinho. Tomara que esse Andrezinho seja mesmo sensacional, como disse Abelão. O difícil vai ser os colorados engolirem o Diogo Rincón brilhando no Corinthians do Mano Menezes.

Elder Nunes Junior

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Parei de Beber

Dia 28 de novembro de 2007 foi o dia que decidi parar de beber, digo, de beber cerveja ou qualquer tipo de bebida com álcool. Não que a bebida houvesse tomado conta de mim. Eu bebia só nos finais de semana, finais de jogos, festas, churrascos e quando saia pra noite. Só que desde o início do mês que eu jogava, ia em festas, em churrascos e saia pra noite diariamente. Portanto bebia. Raras vezes cometi exageros, uma ou duas vezes, no máximo. Sabe, eu achava bonito beber. Não é. Confesso que acho muito mais bonito fumar e jogar sinuca (os dois juntos), porém nunca fumei e não jogo sinuca. Até que um dia, nesse dia 28, olhei ao meu redor e me vi numa cena lamentável: Eu só de cueca na cama, o chão cheio de papéis- rabiscos de poemas e contos inacabados, sentimentos vagos ou profundos- lixo espalhado, latinhos e garrafinhas de cerveja na beira da cama e pelos cantos, roupas no chão ou em cabides e uma TV ligada que passou a noite assistindo uma noite de prazer que já não lembro direito, um relógio que marca 13 horas e eu recém acordando com gosto de cerveja na boca. Naquele dia eu mudaria. Limpei meu quarto, meu banheiro, dei um trato na casa e tomei a decisão de não beber mais. Mas não largaria a noite, o futebol, as mulheres, os amigos, isso é que não! No início a estranheza dos meus amigos sobre essa mudança, mas depois acostumaram. Eu não precisava daquilo. Meus amigos também não. Bebiam porque bebiam. Um bebia, os outros bebiam junto. Só. Só fui beber novamente no dia 17 de dezembro. Um gole só. Sem querer, até. Foi na comemoração de um ano da conquista do titulo de campeão mundial pelo Internacional. Me alcançaram a taça e eu bebi. Tudo bem. O momento merecia. O Inter merecia. Eu merecia. Depois disso bebi mais algumas vezes. No réveillon e no carnaval. É. Está bem... eu não consegui parar de beber. Não que o álcool seja maior do que eu, mas é difícil. Não um martírio, nunca, mas é complicado. O fato é que eu já nem bebo quase. E que diabos isso tem a ver com esportes, com futebol? É que eu bebia muito mais quando eu não tinha 18 anos, quando era proibido. Agora que posso comprar e beber e ficar bêbado não compro, não bebo e não fico bêbado. E se tivessem me proibido de beber eu seguiria bebendo. Não é com imposições e muito menos com brigas que eu mudaria. Vagner Mancini tinha muita autoridade com os jogadores do Grêmio. Agora o trocaram por Celso Roth, um durão que não vai fazer o trabalho conciliador e invicto que fazia Mancini, ele vai gritar vai brigar e com isso vai perder. Falar alto, impor e brigar não quer dizer autoridade. Conscientizar e conversar sim.


Elder Nunes Junior
Texto publicado no Cenário de Notícias dia 20/02/2008.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

O Dono da 10

A sorte do Marcio é que ele é bonito. Sorte mesmo. Pois se não fosse isso não sei o que seria dele. Talvez já tivesse se matado ou se trancado em meio a livros e traças, como muitos “peganingue” fazem. Ele é meu amigo, mas só fala o que não deve. Esse sabe ser inconveniente. Principalmente com elas.
Mesmo assim tem, sempre, várias garotas afim de “ficar” com aquele besta. Por ele ser inegavelmente bonito algumas nem levam em consideração seus atos.
Agora ele vive pedindo conselho. Ele percebeu que seu filme estava queimado. E eu só o aconselho o seguinte: quando for falar ou se mexer muito, não fala não se mexe, não faz nada, pombas.
Pouco adianta. Uma e duas e ele volta como era antes e põe tudo a perder. E seu filme queimando... queimando... queimando...
Ele insiste em querer aparecer. E só dá furo. É que uma vez ele leu que pra chegar ao fundo do coração de uma mulher deve-se fazê-la rir. Sim, acredito. E é exatamente por isso que ele tenta; pena que não consegue.
E eu sigo insistindo: discreto Marcio. Discrição é a palavra. Dis-cri-ção.
Parece que não aprende que entra num ouvido e sai no outro. Agora diz que vai namorar uma morena-jambo com olhos de japonesa. Diz que é deslumbrante. Só quero ver quanto tempo dura se ele não mudar. Um mês no máximo.
Se ele conseguir namorar essa morena-jambo com olhos de japonesa, grande mérito é do degas aqui, que tanto o aconselha.
Aconselhar. É o mínimo que posso fazer. Não posso deixar ele perder uma morena-jambo com olhos de japonesa, ainda mais ela sendo deslumbrante. Nenhum amigo de verdade permitiria.
Outro que deve ter um amigo que o aconselha é o Roger, da Deborah Secco e do Grêmio.
Dum jogador como Roger, numa estréia, é esperado um brilho de meio-time, jogadas sensacionais e de preferência com gol.
Hoje o Roger precisa muito mais do Grêmio do que o Gremio dele. E ele, se não quiser ser um precoce ex-jogador, não pode deixar o estrelismo lhe tomar conta.
Um atleta que já afundou com tantos clubes e tantas lôras, que já fez tanto esforço pra não se afortunar têm mesmo é que estrear como estreou pelo tricolor pelo Gaúchão, discreto. Modesto, porém sem comprometer. Sem riscos.
Se continuar assim vai fazer com que os gremistas voltem a entrar em filas pela camisa 10.
Quem é craque não precisa usar mais que seu talento divino pra conquistar ídolos por onde passa. É só jogar seu futebolzinho e não falar bobagem.

Elder Corrêa Junior

Texto publicado no Cenário de Notícias em 13/02/2008.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

El Caricato

Admiro muito os caricatos, sua arte seu humor, sua hipérbole...
A beleza não chama muito minha atenção, prefiro a feiúra, ela tem graça, novidade, é inusitada. A beleza todos conhecem, é simples. O feio é complexo. E a caricatura, geralmente, destaca a parte feia de quem posa, pois dificilmente o belo mereça a ênfase da caricatura.
Por valorizar tanto este tipo de desenho, quando fui à capital uruguaia, procurei, numa feira livre próxima de onde estava almoçando, algum caricaturista. Não encontrei e pedi a um senhor que, ao vê-lo passar, viesse me encontrar no restaurante.
Já estava desesperançado em encontrar alguém para fazer minha caricatura- apesar de já ter ouvido dizerem que eu era uma caricatura de verdade- quando, com uma prancheta rabiscada no braço, um terno cinza bem surrado e um olhar perdido, chega o dito cujo perguntando quem era o “mutiatio” que havia lhe chamado. Antes de responder que tinha sido eu, pensei: o que significa “mutiatio”? Minha ansiedade fez com que eu erguesse o braço sem indagar sobre aquela expressão.
Me mandou que sentasse a sua frente. Sentei. Todos me olhando, fiquei meio sem jeito.
_Espera! Se eu não ficar bonito, não vou pagar!
E ainda acrescentei que o corpo fosse feito com a camisa do Brasil, e a número nove. Só isso.
Me pus acomodado na cadeira novamente, estampei um sorriso falso, que daquela vez não foi assim tão simples como de costume. Os traços que ele fazia geravam risadinhas e cochichos de quem o via desenhar. Porém, o rosto de quem olhava era impassível. Todos riam. Estaria bonito? Engraçadinho? Ou muito feio?
Enfim, ele mostraria. Fez certo suspense, que me deixava cada segundo mais próximo de um ataque de nervos. Todo pimpão e orgulhoso, enfim, ergueu o quadro para que todos pudessem ver. As pessoas aplaudiam minha caricatura.
Ufa... Fiquei lindo na caricatura. Acho que ele temeu não receber. Cada detalhe exatamente como eu sou, só o nariz não foi tão grande, bondade dele. Enfatizou meu sorriso, o que mais gosto em meu rosto. Me deixou com o sorriso do Coringa, olhos fundos, graúdos e marcantes; o cabelo igualzinho. Tudo perfeito. Lindo. Ele é um gênio.
Eu admiro, sim, a feiúra, mas não a minha.


ELDER CORRÊA JUNIOR

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Pai & Filho

- Pai, pai, paiê!!!
- Hum?
- Me responde uma coisa?
- Claro filho.
- Mas e se tu não souber responder?
- Claro que saberei meu filho, o pai sabe tudo.
- Deus existe?
- Sim existe, é lógico.
- Porque que é lógico?
- Porque sim, ora bolas.
- Tá, mas tu já viu ele?
- Não, mas... Mas ele existe e pronto.
- E quem é a mãe dele?
- Ele não tem mãe.
- Pobrezinho dele, porque ele não tem mãe?
- Porque ele criou o universo e antes dele não havia nada.
- E quem fez ele?
- Não sei meu filho.
- Ué, mas tu não sabia tudo?
- Quer dizer eu sei, mas é difícil de explicar para uma criança.
- Mas os pais dos meus amigos respondem tudo que eles perguntam.
- Eles não sabem nada, apenas ficam inventando coisas como o velho do saco, para que vocês fiquem com medo.
- Mas pai, foi o senhor que me disse que existe o velho do saco.
- Ah foi?
- Foi.
- Ta, ta, ta meu filho, vá brincar lá fora, e me deixe ver a televisão.
- Pai, pai, pai.
- Que?
- Quando eu crescer eu quero ser igual ao senhor.
- Que bom meu filho.
- Ta e o que eu preciso fazer pra ser igual a ti?
- Vá estudar muito, se dedicar muito e se forme em direito.
- Mas o que o senhor é?
- Um advogado.
- E o que um advogado faz?
- Ele defende as pessoas que foram acusadas de algo.
- Ah então são aqueles caras que mentem pra ajudar os bandidos nos filmes?
- Ã, é, hum, hã, é quase isso.
- E eu vou ser rico?
- Ah filho isso depende.
- E eu vou poder usar drogas?
- O que é isso meu filho? Donde tirou uma coisa dessas? É claro que não.
- Mas por quê?
- Porque drogas são ruins, só fazem o mal.
- Mas então porque as pessoas usam?
- Porque assistem muita televisão.
- Então o senhor usa drogas?
- É claro que não.
- Mas o senhor ta sempre na frente da TV.
- Mas não preciso disso, eu sou inteligente meu filho.
- Pai, sabia que esses dias eu fiz sexo com a mamãe?
- Ta maluco moleque, que bobagem é essa?
- É eu fiz sexo com ela, que nem o senhor me explicou, lembra? Quando uma mulher e um homem se abraçam, se beijam e vão pra cama? Pois é eu fiz.
- Há há há, não meu filho isso não é sexo.
- É sim, eu abracei ela, ela me deu um beijinho de boa noite, daí eu pedi pra ela deitar na cama comigo, e ela deitou e ficou contando historinhas pra mim dormir.
- Ta, meu filho mas isso não é sexo, não se faz sexo com a própria mãe.
- E com a mãe dos outros?
- Ah, daí pode.
- Mas eu só fiz isso pra ajudar ela, pobrezinha.
- Ajudar a que meu filho?
- Ah ela passa se queixando pras amigas que faz anos que ela não sabe o que é sexo de verdade.
- O que? Ela disse isso?
- Disse.
- Tu tens certeza que sabes o que ta dizendo menino?
- Claro pai, eu sei de tudo.
- Então tu poderia me responder umas coisinhas...


Lucas loch

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Esse é meu Guri!!!

Ouço cochichos pelos corredores. Sei que são sobre mim. Eles dizem: será que ele nunca vai casar? E nem ter filhos? Imagina daqui a uns dez anos...
O pessoal adora uma fofoquinha. Principalmente ali perto do bebedouro. Acho que vou colocar câmeras e gravadores escondidos, só pra ver o que acontece.
Mas sabe... Estes cochichos deles, eu mesmo me indagava a algum tempinho. Sobre casar, não pretendo. Imagina eu colocar uma mulher a morar comigo, dividir minhas gavetas e bagunçar meu banheiro. Encher meu banheiro de creminhos; meu dia de perguntinhas; e minha paciência com te-pe-eme-zinhas. Não. Definitivamente, não.
Filhos... Esta é uma questão que estava á caminho. Não pensem que engravidei alguma mulher, por aí. Muito menos que mandei abortar. Não sou tão irresponsável assim. Iria inovar. Faria um filho numa produção independente. Só para eu criar, a meu gosto. Procurava genética, as mais cotadas seriam as morenas, altas, forte e sem perder a beleza feminina, é claro. Preferencialmente com um metro e noventa, um e noventa e cinco. E nenhum parente de primeiro grau com menos de um metro e oitenta.
Todas estas exigências genéticas para ter um filho jogador de futebol. Meu pai queria ser jogador, não conseguiu. Queria que eu fosse eu não emplaquei. Agora vai, pensei. Eu até que era um bom centroavante, nos meus tempos de guri (dos 15 aos 30 anos). Agora com quarenta e tantos, sem toda aquela velocidade e virilidade, que o tempo me tomou, andejo pelas arduras da zaga.
Mas que ele não invente de ser lateral. Que fosse goleiro, às vezes até os goleiros tem sorte. Lateral não vale nada e é o que mais corre. Só sofre. Melhor que siga a dinastia da família. Um matador.
Agora com a careca aparecendo, junto com os fios brancos, muitos brincam: “e ai Dr. Ronaldo, careca hein...” Ou: “gordinho que nem o outro Ronaldo”. Vejam, eu tenho até nome de craque, jogava na mesma posição que ele. Onde foi parar o brilho do meu futebol, poxa.
Parece que quando tudo está se encaminhando bem, aparece uma voz e diz que devemos tomar outro rumo. Foi exatamente o que aconteceu.
Sem o que fazer numa segunda à noite, resolvi ver um filme, As Panteras, eu acho. Tudo normal, até que apareceu uma alma, do nada, e estes espíritos quando aparecem é pra deixar uma moral, sempre. Prestei atenção naquela fantasminha, que era muito sexy, por sinal. Coberta de fumaça disse: “os verdadeiros diamantes não são fabricados, eles são encontrados”. O que disse depois daquilo já nem lembro.
Meu filho!!!! Foi só no que pensei. Para ele ser um diamante ele deve ser encontrado. Dormi só duas horas aquela noite, e enquanto dormia estava sonhando com ele. No resto da noite matutava algumas idéias. Enfim decidi. Vou adotar um filho. Percorro orfanatos do Brasil afora e pego o que mostrar maior futuro no mundo da bola, o craque. To até imaginando. Ronaldinho Jr, com camisa 9 e tudo. Voa amá-lo, dar carinho e pôr numa escolinha de futebol.
O que não vai faltar é gente fofocando e me recriminado nos bebedouros da vida...


ELDER CORRÊA JUNIOR

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Não queremos Bandeiras

Marcham... Marcham... E marcham... Só marcham, muitos sem sequer saber o porquê. Submetem-se a Bandeira e as Armas, alguns com pensamento patriótico, outros pelo salário recebido.
Ombro-a-ombro abraçam uma bandeira forjada a sangue de inocentes, a mando dos militares. Patriotismo à uma Nação que nunca teve liberdade tampouco dá direitos a população é atitude de fracos e imbecís.
Forte é o homem que têm como pátria, como natal, qualquer lugar. E que vê as Armas-inúteis a população e que só nos serve a fins repressivos- como uma maneira de sustento.
Perfeito é o que tem como estrangeiro todos os lugares. Não considera nenhuma pátria sua “mãe”. E defende a si, não a um brasão.
Sejamos soldados das Armas. Cantemos um hino que não fala da realidade. Iludimo-nos com uma história irreal de libertação, mas vivemos e morremos por nós. A Pátria não merece nem vida, tampouco sangue.

Elder Corrêa Junior

sábado, 8 de setembro de 2007

Amor de Rodoviária

Fui levar minha tia na rodoviária. Ela ia... Sei lá pra qual cidade; cada vez ela está numa cidade que já nem sei onde ela realmente mora. Enquanto ela comprava sua passagem fiquei na porta do ônibus junto a suas bagagens.
Eu estava escutando Moacyr Franco no meu MP3, acho que era seu amor ainda é tudo. Tem gente que faz cada cara quando digo que escuto Moacyr. Aposto que não sabem nenhuma música dele nem ouviram suas histórias, mesmo assim tem preconceito. Eu mesmo fui virar fã dele quando descobri que ele conheceu sua esposa ele tinha 54 anos, ela 15. Pouco tempo depois casaram. Poxa... Ele era mais feio que agora. E ela... Lin-dís-si-ma. Mas isso nem vem tanto ao caso.
Pois bem. Sabe aquela mulher maravilhosa, estonteante, exuberante, linda, elegante, charmosa, carismática, pernas longas, coxas grossas e bem torneadas, seios rijos que caberiam na concha da mão, pele que uma seda, os olhos brilhavam como as estrelas, a boca com um sorriso de 300 dentes, e um narizinho que lembrava a Ana-do-Véu, da novela Sinhá-Moça- seus cabelos negros com algumas discretas mechas coloridas, sua altura, aquela calça que vestia, nem vou falar em suas nádegas, um conjunto que combinava em tudo. Se já não bastasse isso, ela ainda me atraia pelo perfume do seu creme de pentear. Sou louco por cheiro de cabelo. Ela estava a alguns passos de mim, mas parecia que eu estava ali do seu lado, cheirando seu pescoço e seus cabelos. Uooooooooooooollllllllll...
Nos dois ali. Numa rodoviária, suja. Em instantes ela iria embarcar e tomar seu rumo. Eu teria de voltar pra casa. Eu devia traçar um plano. Uma cantada dessas baratas, quem sabe. O primeiro passo foi nomear a operação. Moleza. Operação Amor de Rodoviária. Um nome criativo assim não poderia falhar. Comecei a lembrar de algumas cantadas do tipo:
_Oi. Tu ta de aniversário? É... Mas ta de parabéns.
Mas e depois? Falar o quê? Pensei noutra:
_Oi. Ta esperando o ônibus? É... Mas ta no ponto hein. - só que ela realmente estava esperando o ônibus, seria muita idiotice.
Me veio na cabeça uma melhor, que de quebra ainda desdenharia daquela bela moça. É assim:
_Oi. Tu é garçonete? Mas já me serve! - A pior cantada. Cantada de quem quer se afastar ou ainda levar um tapa.
Não me atrevi a usar nenhuma dessas “cantadas” nela. Ela parecia tão educada que seria até judiaria. Ela não mereceria ouvir essas bobagens. Acabei adotando outra tática. As mulheres que são lindas acham que todos os homens têm que dar bola pra elas. Elas percebem quando um homem não repara nelas e começam a dar bola pra estes, pros outros elas nem ligam.
A tática é o seguinte: Faço de conta que não estou “afim” dela, ela vai ficar furiosa com isso e começar a me cortejar. Eu me faço um pouco de difícil e antes que seu ônibus saia fico com ela, convido-a pra ir até minha casa e que pegue o próximo ônibus. Mas pra que isso aconteça sequer poderia olhar pra ela, no máximo e discretamente sentir o perfume de seus cabelos.
Foi exatamente o que fiz. Claro que não iria dar certo. Nunca vai dar certo, mas esta é a tática. Pior é ficar mudando de tática, feito o Alexandre Gallo que nunca conseguiu repetir a escalação do Inter no Brasileirão.
Minha tia tomou seu ônibus e ao me despedir dela a moça havia sumido. Perdi a mulher que poderia vir a ser a mãe dos meus filhos. O pior é que não sei nem seu nome, será que ela iria aceitar batizarmos um filho de Fernandão e outro de Clemer?
Uma lástima. Fui embora, desolado. Daquele dia em diante coloquei uma meta em meu cotidiano, me perguntar freqüentemente: Se o mundo acabar amanha... Eu já fui feliz hoje? Essa é a tática. Pode não dar certo, ou talvez dê. Posso não me perguntar com tanta freqüência assim. Posso até não ter sido feliz por uma, duas semanas, mas a tática é esta. E tu... Já foi feliz hoje?


Elder Corrêa Jr

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Nostalgia indie

Onde foram parar aqueles velhos planos?
Em que bares, banheiros, paredes ou canos?
Onde estão aqueles compridos cabelos e panos?
Será que se passaram afinal tantos anos?
Será que ainda estou avaliando os danos?
Pra onde foram parar minhas camisetas?
Camisetas pretas? Anos 90?
Porque não se escuta mais Nirvana?
Onde está aquele velho fliperama?
Eu nasci em 89
Não quero 2007
O que é internet? Uma nova fita K7?
Quero de volta minhas figuras
Quero de volta meus chicletes
Quero viver aventuras
Bicicletas
Patinetes
Quero voltar no tempo
E matar as aulas que não matei
Quero fazer o que pensei
Quero brigar na saída
Acho que nunca briguei
Não sei
Deveria ter aproveitado cada segundo do dia
Eu era feliz e não sabia


Lucas Loch Moreira

domingo, 19 de agosto de 2007

Sim, somos CACHORROS


Waldick Soriano até que tenta nos defender cantando: “Eu não sou cachorro não”. Mentira. Eu me pus a contar sobre as falsidades do universo feminino, mas o destino colocou a pedra da consciência em minha frente. Vou falar das canalhices de nos, homens. De alguns exemplos.
Dia desses saímos, dois amigos e eu. Fomos a um churrasco. Na casa de algumas “amigas” do colégio. Cada um inventou uma desculpa a suas namoradas e fomos para a festinha. Quando foi de tardezinha ligamos os celulares. Em menos de cinco minutos começaram a tocar. Começaram as desculpas esfarrapadas:
_ Bah, amor! No sítio não pegava o celular, eu mesmo tentei te ligar, cheguei a subir numa arvore, nem assim consegui.
Sem demora a próxima:
_que desligado, oquê!? Eu que tentava te ligar e sempre dava ocupado. Com quem tu tava falando todo esse tempo?e ainda vem dizendo que o meu que tava desligado, francamente...(e desligou o telefone na cara dela).
Quase ao mesmo tempo a minha namorada me ligou, indagando o porquê do meu celular estar desligado ou fora de área. Sem demora respondi:
_ É que o Lucas tava me convidando pra um jogo no final de semana, quando cheguei no posto de gasolina e ali tinha uma baita placa alertando do perigo de entrar com o celular ligado. E tu sabe, amor, que eu sou muito azarado. Tive que desligar. Enfim, acabei esquecendo de ligar novamente, mas daqui a pouco eu chego ai,beijo.
Cada telefonema desses foi um festival de gargalhadas. Uma mentira mais genial que a outra. Claro que todas colaram. Somos cachorros mesmo.
Mas a culpa é delas mesmas, as mulheres, que nos rotulam assim. Deixando-nos, não somente na direito, mas também na obrigação da cachorrice.
Então gritemos: Sim, eu sou cachorro. Temos que admitir, até porque de uma forma ou de outra somos mesmo. Têm os encoleirados e os sem dona, estes em duas versões: os cachorrões e os cachorrinhos.
E vou aproveitar este espaço para fazer um anúncio publicitário às mulheres: Sou vacinado, acostumado com gente, dentes saudáveis, pêlo macio, cheiroso, tenho pedigree e não mordo (só mordo se pedir).

Elder Corrêa Jr

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Alma de vidro

Crash!!!
Agora sou cacos
Espalhados pelo chão
Cacos do que um dia fui
E que jamais se colarão
Pedaços de um tempo
Que virou recordação
Fragmentos de uma geração

Ainda serei pó
Dos cacos que estou sendo
E eu assim me vendo
Deixo que passem
Que pisem os transeuntes
Que pensem só em uma forma de me espatifar
Mas antes ser pó
Que cortar os dedos de quem tentar me levantar

Lucas Loch Moreira

domingo, 12 de agosto de 2007

O feitiço contra a FEITICEIRA

Estávamos vivendo nas mil maravilhas. Ela me jurava amor eterno. Que eu era tudo para ela, a melhor coisa que já havia acontecido em seus 20 anos de vida.
Eu no começo nem gostava tanto dela, mas como não iria me apaixonar por aquela moça, loira, olhos verdes, um metro e setenta - bem minha altura-terna, cheirosa, carinhosa, companheira, inteligente, quente. E era colorada, apesar de não acompanhar o futebol. Até sua mãe me adorava.
Dela eu só não gostava duas coisas: Uma era seu péssimo costume de repreender as pessoas quando falavam errado, chegava a ser constrangedor. Ela não perdoava nenhum erro. Outra eram suas amigas, em especial a Claudinha, ninguém me tira da cabeça que ela tentava aproximar seu irmão da minha namorada. Ela dizia que não, que essa história era sem-pé-nem-cabeça. E eu nem insistia tanto no assunto para que não despertasse nela sequer a intenção de reparar no sujeito. Até porque ela repetia para quem quisesse ouvir, que eu era sua alma-gêmea e declarava seu amor a todo instante.
Ela também era tudo para mim, só o que me fazia parar de pensar nela era o futebol, não exatamente o futebol, o INTER. E ela tinha um certo ciúmes disto, embora não reclamasse.
E este sentimento foi colocado à prova. O meu time do coração iria disputar cinco jogos consecutivos no Beira-Rio. Quatro deles pelo Brasileirão e um pela Libertadores. Definitivamente não iria perder esta oportunidade ímpar. Ainda mais que o Inter estava com um time impecável, uma máquina. Com o argumento de que “para afastar é só aproximar e para aproximar é só afastar” palavras ditas por Paulo Santana, parti à capital, deixando-a em São Gabriel aos olhos de todos meus amigos.
Passávamos o dia intero nos falando, ora por telefone, ora pela internet. No dia do segundo jogo do Colorado ela me ligou, uma hora antes da partida. Por medo de ser assaltado deixei meu celular, desligado, na casa do tio Adolfo, onde eu estava hospedado.
No outro dia estranhei que ainda não tinha me ligado. Mas tudo bem. Até que o Júnior me ligou, apavorado, não sabia nem por onde começar, gaguejando mesmo me contou que viu a Natália com outro cara, o Tiago, aquele irmão de sua amiga. Passei o dia abatido. Eu tinha razão. Aquela vadia.
Na noite seguinte vesti minha melhor roupa e fui pro centro. Todo pimpão, cai na gandaia. E porto Alegre é um paraíso particular da esbórnea. Me vinguei.
Para minha surpresa dois dias depois chegou uma carta, pra mim. Era dela, é claro. Me xingando, falando que eu era um traste, que seu novo amante era melhor do que eu em TUDO (assim com letras graúdas), que nunca sentiu prazer em estar comigo, que nunca me amou, que sempre me enganou e que era gremista.
Era tudo mentira. Ela era muito orgulhosa e vaidosa, na certa esperava que eu retornasse um poema com as palavras mais lindas declarando meu amor e implorando que voltasse atrás. Só para mostrar para suas amigas o quanto era idolatrada, a Natália é exibida.
Comprei um envelope, o mais bonito que encontrei, peguei uma caneta vermelha e comecei a corrigir os erros ortográficos da carta. No final coloquei: NOTA 35, e acrescentei um “PRECISA MELHORAR”, em letras garrafais também.
Eu vi o INTERNACIONAL vencer as cinco partidas, cada jogo foi um espetáculo, um massacre sobre cada um dos adversários. Passei uma inesquecível noite de prazer. Mas trocaria tudo isso por ver a cara dela quando, junto com suas amigas, abriu a carta que lhe enviei.

Elder Corrêa Jr

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Mais uma noite no barzinho

Divorciado, bem sucedido profissionalmente, 40 anos, sem muito o que fazer durante a semana, mas hoje é sábado. Tenho freqüentado um barzinho, no centro, ultimamente. Não é qualquer barzinho, é o mesmo bar. Um bar elegante, não tão badalado, é verdade. E badalação é tudo o que um solteirão deveria buscar, ao menos nos sábados. Porem ele tem algo fascinante, um ar de sensualidade que, talvez apenas eu sinta, não sei.
O que tem me levado lá é a música. Ela canta. E canta muito bem. Parece que escuto a voz dela como um cochicho em meu ouvido, e a luz baixa deixa-a ainda mais bela. Sempre peço ao garçom que ela cante a musica Sozinho, só para ouvir “... às vezes no silencio da noite, eu fico imaginando nos dois...”, clássico. Fico olhando-a incansavelmente, e tenho a impressão que ela canta pra mim.
Desta vez estava confiante, quando percebi que ela estava com os olhos em mim, toquei discretamente em minha garganta, sinalizando que gostaria de falar com ela. Ela piscou lentamente os olhos.
Ao término do show, ela levantou-se, agradeceu, poucas pessoas, solteiros, casais, amigos, amantes, desconhecidos, desceu do palco que comportava um banco, um microfone, ela. Vestia um lindo vestido azul com uma fenda ao lado que deixava suas coxas a mostra, suas curvas e um decote que escondia, mas não tapava. Nossa! Uma mulher que leva a loucura o imaginário de qualquer homem.
Sentou-se ao meu lado, no balcão: O que um belo homem faz três noites seguidas, e sozinho? Disse ela tocando seus cachinhos.
_ O primeiro foi culpa do acaso, os outros foi você.
Fui objetivo como nunca, levado pela circunstância e otimismo, falei exatamente o que deveria. E sem ga guegue jjjar.
Antes que o silencio das minhas palavras ecoasse: Acompanha-me num Drink?
_ Sim a noite é longa. Sua resposta veio acompanhada por um lindo sorriso insinuante.
Pedi dois Dry Martini ao garçom, o meu com pouco gelo e com uma dose maior de vermute.Seus olhos, seus poros, seu cheiro, sua boca, meu olhar, minha inquietação. Enfim chegou o sábado, e noite acaba de iniciar.


Elder Nunes Corrêa Junior

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

O primeiro desemprego

*titulo altenativo* o primeiro grande dia tortuoso de um neo-desempregado*


- Tudo é culpa da globalização e desses malditos yankes!!!
Era o que eu dizia dos 12 aos 17 anos. É claro que eu continuo pensando assim, mas já passou esse marxismo neurótico.
E hoje, após terminar o segundo grau, me vejo tendo de tomar um rumo na minha vida. Problemas de adolescente?
Que droga já tenho 18 anos, nem posso usar essa desculpa. Mas após meus anos de aluno secundarista, que mais pareceram anos como terrorista, eu aponto mais um míssil para a escola. Talvez não seja culpa dela, nem dos professores, mas alguém já notou que a principal utilidade da escola esbarra no seu próprio rabo?
Pois em minha opinião ela é incoerente ao pisar no seu próprio rabo. E direi o porquê.
Toda a escola tem por função capacitar os indivíduos, transformá-los em cidadãos que desempenhem seus papéis na sociedade, enfim, que sejam profissionais sérios e dedicados. Mas não é bem o que acontece na vida real.
Tiro essa conclusão desde que terminei o segundo grau, e a mim foi perguntado:
Agora tu és um?
- Desempregado - secamente respondi.
- Poxa, eu não tinha pensado nisso - disse a professora com a fisionomia de um filho quando descobre que a mãe não é virgem.
E foi obrigada a concordar comigo. Volto a dizer que a culpa não é da escola em si, mas uma coisa é inegável, todos os anos as escolas formam um rebanho de novos desempregados. Afinal é uma instituição em que você entra como estudante, um jovem com uma vida pela frente, o futuro da nação, e sai de lá como um desempregado, salvo pelos que já trabalham, os que já passaram em algum vestibular, ou que vão tocar em frente o negócio de seus pais.
Eu sou tão nostálgico que tenho saudade de um tempo que não vivi, ou melhor, que nem era nascido. Do tempo das escolas Polivalentes, em que o aluno aprendia até a cozinhar. Bom isso faz tanto tempo, para se ter idéia naquela época minha tia Sônia, que lecionava em uma escola destas, conseguiu comprar um Opala zero.
Estamos em 2007 e hoje, com um salário de professor, não se consegue comprar nem mesmo a porta do próprio Opala que hoje deve habitar um ferro-velho. Bom, mas as gerações passam, os Opalas acabaram e as classes dos docentes e alunos seguem sucateadas. E assim vai caminhando, ou melhor, tropeçando, a educação brasileira e riograndense, com seus ex-alunos desempregados e professores procurando um emprego melhor, e com um salário mais digno, já que a nossa querida governadora quer tornar a profissão insalubre.
Enfim, chego à outra conclusão estapafúrdia:
“A escola é como a masturbação, só tem graça quando somos novos e ainda não conhecemos nada melhor”.



Lucas Loch Moreira

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Triste fim da pequena bailarina

Sendo a vida a coisa mais importante
termina aqui um pedaço da minha...
Termina aqui uma menina que não queria ser criança
e que agora é apenas saudade...
Terminam-se as ilusões de uma pequena que só queria amar...

E deixa de sofrer uma alma que era feliz e não sabia...
Uma garota que não deu a valor a própria vida...
Nem ao amor de seus amigos...
E termina o sonho da pequena dançarina...

A bailarina que dançará agora em outro lugar...
Mas que ainda vai movimentar meu coração
ao ritmo de uma música qualquer...

A bailarina que vai dançar em meus pensamentos...
E valsar com minhas ilusões...


baby blue...

Lucas Loch Moreira

sábado, 28 de julho de 2007

O Valor do DVD

Pensamos muito em rivalidade, mais até que no próprio sucesso. E a competição vigora no pensamento de todos desde os primórdios da existência humana.
Há competição em tudo. Em disputa por fêmeas até os animais lutam. Assim como por comida e espaço. Os mais fortes venciam. E é característica da rivalidade esmagar os derrotados e mostrar a superioridade.
Nos dias atuais, até, nem é tão cruel essa seleção. Os que perdem não morrem. Continuam vivos e tem a chance da revanche. Diferentemente da Idade Antiga.
E no futebol ocorre o mesmo. Só que as revanches são impostas. O campeonato sendo com jogo em casa e outro fora, com todos adversários, proporciona a cada jogo, principalmente os do segundo turno, um ar maior de rivalidade. Um exemplo dessa rivalidade é o clássico gre-nau. O Grêmio quando amargou a Segundona, transformava cada um de seus adversários em eternos rivais.
Agora o Náutico voltou a cruzar o caminho do Grêmio, maior rival do Inter. Subiu para a Série A. Mas o único rival do Náutico é o Grêmio, que fez até um DVD por ter vencido o time nos Aflitos. O Náutico já perdeu uma das oportunidades de vingar aquela derrota do dia 26 de novembro de 2005, tem mais uma, e desta vez será no Olímpico.
O Inter venceu o Náutico por dois a zero. Ainda não sei se a direção do Internacional irá fazer um DVD sobre aquela vitória, que teve até um tombo do Alex, após sua acrobacia em comemoração ao segundo gol da partida, o primeiro dele no campeonato.
Se vai fazer o tal DVD não sei, parece que a direção preferiu fazer três DVDs, estes alusivos aos títulos da Libertadores da América, da Recopa Sul Americana e ao Campeonato Mundial, este vencido pelo Internacional, e o adversário foi o favorito disparado e poderoso Barcelona.

Elder Corrêa Jr

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Axilas

Sempre presto atenção nas axilas femininas. Gosto muito. Tenho vontade de beijar, acariciar e até lamber. Parece, para alguns, até estranho, pra mim não. Nunca tive coragem de pedir ou mesmo arriscar, imaginando que nenhuma mulher deixaria. Talvez por ser mesmo estranho, ou por sentir cócegas, mas esse desejo está represado em mim até hoje.
Costumo fazer meu lanche da tarde numa lancheria próxima a meu trabalho, como sempre três pastéis acompanhados por um refrigerante. Dias atrás me deparei com uma cena horrível. Sempre observando as axilas, quando de repente enxergo aquele sovaco cabeludo, e não é modo de dizer. Aqueles pêlos tinham aproximadamente dois dedos de comprimento e uma espessura medonha. Nem nos meus piores pesadelos imaginei um sovaco tão horrível. Jamais pensei que uma mulher pudesse transformar sua axila em algo que mais parecia um rato.
Quando eu vou pra praia fico maravilhado, pois lá as axilas são bem tratadas. Nas cidades muitas vezes são tapadas e até mesmo esquecidas. Na praia não, as mulheres sabem que estão expostas aos olhares de todos. Ah... Só de lembrar já dá arrepios. Falo de quando aquelas mulheres de corpos levemente dourados, cabelos escuros e compridos, mulheres nem magras, muito menos gordas, no ponto, com as axilas bem cuidadas saem da água com o corpo ainda salgado e molhado e se espreguiçam colocando seus punhos na nuca... Nooooossa. É mágico quando as morenas fazem isto, nem mesmo as lôrinhas conseguem ser tão magníficas, e você sabe como as lôrinhas fazem...
Talvez algum dia eu tome coragem e fale que quero acariciar, beijar, bem vocês sabem o resto, e enfim soltar definitivamente o amante de axilas que compreendo na minha personalidade. Provavelmente vão rir de mim, mas quando forem à praia terão convicção que estou certo.

Elder Corrêa Jr

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Chicletes


Sei que é uma mania horrível. Sabe como é... Não adianta. É mais forte do que eu. As pessoas ficam me olhando estranho na rua. Passam por mim e, após os olhares, sempre tem cochichos não tão amistosos.
E como eu disse, deve ser a mesma sensação que sentem os centroavantes ao estarem de frente pro gol. Ou do goleiro que sabe que a bola está quase entrando, seria um golaço; salta e defende pra se tornar o herói da partida. Ou quem sabe do torcedor que está na arquibancada vendo seu time em algum extremo. A vontade é incontrolável de fazer o seu máximo.
Esse é um mistério que me aflige. Gostaria de saber se isso é normal. E esse é um dos motivos que me fizeram escrever isto. É pra esperar que alguém venha me dizer que se identificou com minha estranha história.
Tomara que, assim como eu, varias pessoas cuspam seus chicletes na medida apropriada para poderem chutá-lo antes que caia no chão. Alias, tomara que não tenha tanta gente assim. Pois se tiver nem será uma particularidade. E que graça tem escrever sobre algo que todos fazem, achando ser único?
E como estou gastando com esses malditos chicletes sem açúcar, que é pra não estragar os dentes, minha dentista falou com voz esclarecedora que não mascasse chiclete com açúcar. Mesmo gastando não consigo parar com isso. Muita gente nem imagina o prazer que é ver aquela bolinha pegar na veia e ir pra cima das casas ou pra outra calçada ou até mesmo passar a poucos centímetros da cabeça de alguém.

Elder Corrêa Jr

sexta-feira, 20 de julho de 2007

A sobrancelha do Tonhão

Pirocas Cintilantes e Brocas Vaginais eram a maior rivalidade do futsal da cidade. Os Cintilantes largaram na frente nas contratações, investiram num time extremamente ofensivo e rápido, eles que vestem branco e amarelo, pareciam uns cometas em quadra. Em contraponto os, rubro-negros, Brocas fizeram jus a tradição de montar time guerreiro. Formaram um time com o que havia de melhor nos quesitos força e garra.
Definitivamente 1987 foi o ano mais marcante para ambas as equipes e para a cidade inteira. O citadino era formado por duas chaves. Eles eram cabeça-de-chave e favoritos disparados de seus grupos. Não decepcionaram, chegaram a final com 100% de aproveitamento. Dificilmente os adversários deles passarem do meio da quadra.
A cidade vê esse clássico bem como os gaúchos vêem o gre-nal. Pelo estado inteiro a população é ou colorada ou gremista. Podem até torcer pelo time de sua cidade, mas quem não é gremista é colorado. Aqui também é assim, mesmo que jogue em algum time do citadino, quem não torce pros Brocas Vaginais torce pros Pirocas Cintilantes, raras exceções. Esse fanatismo e características dos times lhes renderam apelidos. Os Brocas eram chamados de Muralha da China, os Pirocas de furacão.
_Vamos derruba esse murinho. Não vai sobra nada deles.
Essa foi a promessa feita por Elias, o goleador do torneio e destaque do time Cintilante, numa entrevista à rádio.
A cidade passou o dia falando sobre essa entrevista. Na noite seguinte todos ligados à rádio. Tonhão, o zagueiro dos Brocas iria ser entrevistado. Antes mesmo do entrevistador perguntar alguma coisa, ele tomou o microfone, dentes serrados, olhos apertados, disse:
_Pra alguém derrubar alguma coisa, tem que passar por mim primeiro. Quero ver ele passar!!!
Botou fogo na rivalidade. Não se falava em mais nada, só no jogo de domingo.
Elias não era desses atacantes vaidosos que usam tiarinhas, brincos, fazem luzes no cabelo, ou usam esses penteados diferentes. Elias não ligava pra isso, ele não era bonitinho. Era lindão mesmo. Desses que fazem as mulheres irem aos jogos, aos treinos e escreverem incontáveis “eu te amo” em papéis higiênicos. Mas ele era casado. A mulher dele era o estereótipo da mulher de jogador de futebol, um metro e setenta e cinco, aproximadamente, olhos claros, magra (não tão magra quanto modelos). Merecedora de ser capa de revista. Sempre ficava na lateral da quadra com os dedinhos enganchados à tela.
Com o ginásio lo-ta-do, iniciou o jogo. Muita movimentação nos primeiros minutos. Elias parecia tenso, hesitava em se aproximar do Tonhão, que insistia em mirá-lo em quadra. Os Cintilantes davam dois, três toques no máximo, sabiam que só passariam pelos Brocas no toque de bola e na velocidade. Já os Brocas apertavam a marcação, forçando o passe errado.
Aos sete minutos o jogo ainda estava 0 a 0, Elias driblou um, passou por outro, mas não conseguia se livrar da marcação deles. Cortou pra cá, gingou pra lá e passou no meio dos dois, uma avenida estava aberta a sua frente. Mas Tonhão- que conhece como ninguém as arduras da zaga e todos os atalhos- já estava vindo como um touro em sua direção.
_AAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRRRR!!!
Foi o que a torcida inteira ouviu. Eram os berros do Elias depois de ser agredido por um chute na altura do joelho que o fez se retorcer todo, antes mesmo de cair estirado no chão.
Tonhão sabia que seria expulso, se viu na obrigação de levar algum adversário junto, mas ninguém veio tirar satisfação com ele. Chutou o Elias, que ainda estava no chão, quando o companheiro de Elias chegou perto de Tonhão pra reclamar, ele simulou ter levado um soco. E o juiz que vinha lhe dar o merecido cartão, aproveitou e expulsou os dois.
Mesmo sentindo Elias continuou jogando, afinal, era o craque da competição.
Tonhão saiu da quadra, foi pra arquibancada. Parou do lado da mulher do Elias. Puxou assunto com ela, disse que não tinha acertado Elias por gosto, que era coisa do jogo. Seguiram conversando e comentando o jogo. Tudo premeditado.
Elias viu os dois conversando. Não tirava os olhos deles, errava passes, já não conseguia driblar. Estava distraído. Tonhão continuava falando com ela. Elias não entendia o que falavam, mas conseguia ouvir a voz suave e chiada daquele negro no ouvido da sua mulher, Elias tava vendo Tonhão com a sobrancelha levantada pra sua mulher e não podia fazer muita coisa.
_Não da conversa pra ele. Gritava a todo instante Elias.
Os Brocas venceram o jogo por 1x0. Foram campeões. Tonhão não recebeu bola de ouro, muito menos chuteira de ouro, elas foram pro Elias. Tonhão nem tentou conquistar a mulher do Elias, ele ficou sete minutos em quadra, foi expulso, mas todos sabem que foi ele o melhor jogador da final.

Elder Corrêa Jr

quinta-feira, 19 de julho de 2007

O valor de uma amizade e o preço de um corcel


Fernado era filho do seu Gervázio que tinha um corcel. Fernando e eu éramos amigos, estudávamos no mesmo colégio. Não éramos tão amigos, mas o que me fazia ir a casa dele quase todos os dias era o corcel de seu pai. Aquilo não era um corcel, era uma nave, cuidada pelas mãos de seu Gervásio.
Não posso deixar de explicar que este senhor já tinha uma saúde um pouco debilitada, pelo menos aparentemente.
O corcelão parecia ser sua vida, pois era um brinco só, já o senhor Gervásio, eu não posso falar o mesmo.
Todos os dias Fernando chegava no colégio.
- ô Fernando, quando o teu pai morrer tu me vende o corcel hein!!
Era o que eu dizia.
Claro que eu falava de brincadeira, mas no fundo, apesar da frieza, era meu sonho ter aquele corcel. Porém, eu falava em um tom bem descontraído para que ele não achasse que eu estaria agourando o pobre e bom homem.
- ô Fernando, quando o teu pai morrer tu me vende o corcel hein!!
E assim se passavam os dias a fio.
Alem da minha paixão pelo corcel, existiam outros motivos para eu querer me apossar do mesmo, eu achava que o guri não iria dar valor ao velho corcel, pelo menos o quão ele merecia.
E também achava que ele nem levasse jeito para dirigir, era até meio fresco, sei lá, poderia até bater o carro.
Eis que certo dia encontro Fernando, que já havia se formado, e conversamos sobre os anos que haviam se passado. A melancolia já era grande quando eu, ao me despedir, desavisadamente, estúpidamente, ignorantemente, soltei:
- ô Fernando, quando o teu pai morrer tu me vende o corcel hein!!
Ele riu.
- e falando no teu velho, como ele anda?
- mortos não andam. - respondeu Fernando bruscamente.
Agora vem o pior.
- e então me vende o corcel!!! – saiu sem querer, querendo.
Putz, o que é que eu fiz?? Vocês leram o que eu falei??
Juro que foi sem querer, escapuliu.
Imediatamente eu me pus no lugar do cara, e fiquei imaginando como eu ficaria chateado. Agora azar, já tinha falado, era tarde.
Mas tentei arrumar o estrago.
- tu está brincando né Fernando? Cinicamente indaguei.
- não. - disse a voz seca de Fernando.
Na hora tive vontade de enterrar a cabeça na terra tamanha era a vergonha. Que nem um avestruz, não que aqueles bichos sintam vergonha, mas que eles enterram a cabeça na terra eles enterram, eu sei por que vi em algum canal de ciência. E agora o que eu ia fazer? Pensei. Pensei. Total. Já to na merda mesmo.
Ta e o corcel vamos negociar? – Perguntei cafajestemente, com os olhos fechados, esperando receber um merecido soco.
- não, eu o quero pra mim. - respondeu Fernando.
Ufa. O soco não veio. E o corcel menos ainda.
Nunca mais eu o vi, nem ele nem o corcel.
Fiquei com pena de Fernando, afinal ele sempre foi um cara legal.
Mas graças a isso eu aprendi certas coisas.
“Leia os anúncios fúnebres com freqüência, e não ache que os filhos dos outros tem a obrigação de te vender algo depois deles morrerem.”
Moral da história:
Perdi um amigo, perdi o corcel e o seu Gervásio morreu.


Lucas Loch Moreira

terça-feira, 10 de julho de 2007

Tensão-Pré-Matrimonial


Tudo estava perfeito. O casamento já estava marcado.
O vestido já escolhido. Os padrinhos certos. Os preparativos preparatoriamente preparados. Tudo. Irei repetir. Tudo.
- Marcos, eu ganhei a promoção na empresa! – disse Daniela.
- maravilha meu amor, eu sabia que conseguiria! – disse Marcos. Que ainda complementou com um beijinho e dizendo:
- é por isso que eu te amo.
- como é que é? – indagou Daniela indignada.
- é - por - isso - que - eu - te amo. – repetiu Marcos, pausadamente.
- então quer dizer que tu me ama apenas por isso?
- não meu amor, isso foi um elogio, tu entendestes errado. – consertou Marcos.
- alem de tudo me chama de burra? Por acaso acha que só por que eu sou mulher não sei diferir um elogio de uma crítica? seu canalha- remendou
- o que é isso meu amor, acalme-se – disse marcos com um tom compreensivo.
- está insinuando que eu estou nervosa??
- não, mas pare de gritar, os vizinhos estão ouvindo.
- que se foda, é bom mesmo que saibam que tu me ama
só por que fui promovida.
- ta, agora se sente e respire, não era isso que eu quis dizer meu amor, eu te amo porque tenho muito carinho por ti.
- sexo, tu quis dizer sexo, seu cachorro, só me quer pra isso.
- não amorzinho, eu poderia viver sem sexo para sempre se tiver você ao meu lado.
- maldito!! Quer dizer que você nem se importa em transar comigo, não se importa se eu quero ou não?
- claro que me importo, só disse que apenas estar com você já é motivo de eu estar feliz.
- ah claro, entendi tudo, você já está preparando a chantagem emocional, para que quando nós terminarmos eu me sinta culpada.
- não é nada disso, eu nunca quis acabar contigo.
- e tu achas que ficaremos para sempre juntos e que eu vou envelhecer contigo? E que iremos morrer velhinhos caquéticos e mofados?
- bem, talvez, sei lá...
- então vai sonhando, porque eu vou pra casa da minha mãe.
Bluumm. Bateu a porta.
Meia hora depois.
- alô, é o Marcos?
- é ele mesmo.
- aqui é a Fê, amiga da Daniela, porque você fez aquilo com ela? coitada está aqui chorando desesperada.
- mas eu não fiz nada.
- cale-se, eu conheço a tua espécie, seu covarde.
- você está equivocada.
- equivocada uma pinóia, tu é que é um insensível, um boçal, um ogro e um grandessíssimo filho-da-puta.
Marcos desligou o telefone, e suspirou:
- ah mulheres, mulheres, são todas iguais...


Lucas Loch Moreira

sábado, 7 de julho de 2007

Queria

Queria eu ser maior que tudo
Ser maior que a vontade
Maior que a dor
Queria eu não ter de lutar contra o amor
Queria eu amar
Queria tanta coisa que nem sei dizer
Queria dizer tanta coisa que nem sei o que
Queria saber o porquê das coisas
Queria as coisas e os porquês


Lucas Loch Moreira

Dúvidas

Não sei se penso demais ou de menos, esta é uma dúvida q me aflige. Nesta difícil tarefa de ser e estar, vivemos a vida inteira sofrendo metamorfoses, não só fisicamente, mas principalmente, em nossa personalidade.
Todos nós já nos deparamos com as seguintes dúvidas. E agora de que devo gostar? Qual o gênero musical me agrada? Que posição jogar? Que tipo de roupa devo usar? Como levar minha vida? Que profissão seguir? Com que tipo de gente me envolver?
Nossa! Um horror!
Muitos acham que deveríamos vir com manual, outros tentam ser clones de alguém,mas o pior é que 90% escolhem o inverso do que deveriam ser.(fonte: 10 anos de estudo psicológico desenvolvido somente pela nata da população mundial: Zé Buião, Estrela, Mão-Pelada, Jovem,Boca e o Saldanha, mas todas essas pesquisas foram idealizadas pelo saudoso Santo Louco).
Estaria, então, certo aquele corriqueiro adágio que diz que os opostos se atraem? Na física, sim. Nela, tudo é previsível, mas em relações humanas, não; e não considerar a paixão, o improvável, as loucuras, o psicológico e, até mesmo todo nosso material genético é desumanizar a vida. Homem casa com mulher, mulher com homem, isso é simples como água, mas o gelo e o vapor? Também existem homossexuais vivendo em todo o mundo e são humanos também.
A escolha do nosso destino está ligeiramente ligada à nossa história, à nossa infância e à nossa auto-avaliação.
O gordo, geralmente, prefere casar com magra porque acha ruim ser gordo, valoriza mais o magro que o gordo, não deseja que seus descendentes sofram o que ele sofreu na infância.
O “cara” que banca de “pegador” é, no seu íntimo, um romântico iludido e abandonado por alguém que amou.
O goleiro, na maioria das vezes, torna-se goleiro por indecisão, demora a decidir sua posição, tenta todas, acaba não pegando características de nenhuma, mas, às vezes, até o goleiro tem sorte e se destaca no gol.
O Juiz de futebol sonhava em ser jogador, mas era o último a ser escolhido. Era o que queria sempre estar entre os jogadores. Agora se sente bem em correr na volta deles, pois apesar de ser xingado acha que tem autoridade.
O bandeirinha é o pior dos casos, ele ainda sonha em ser Juiz.
Já as pessoas românticas, que preferem namorar uma pessoa só a “ficar” com uma e outra, têm seu instinto “pegador”e “galinha”, só que tentava “pegar geral” e sua tentativa era frustrada, então quando se acerta com alguém, tenta cultivar.
O professor talvez seja alguém que teve carência de ensinamentos.
E, é por isso que não sei se penso demais ou de menos ou se também sou um louco. Deveria mesmo ser centroavante? Por que escrevo, não deveria estar correndo? Será que alguma situação estive entre os 10 %?

Elder Corrêa Jr

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Manjar e frutas

Eu devia comer frutas. Meu médico havia recomendado. Coma todas frutas q tu conheces, disse o sabido médico. Mais nada foi recomendado, só as frutas.
E eu que achava que achava estar com a saúde e virilidade do Índio ou do Pato. Até brincava com meus amigos que fizera uma aposta com o superman: quem tivesse a saúde pior usaria por todo resto da vida uma cueca vermelha por cima das calças.
Maçã, bergamota, uva, laranja, pêssego, abacate, mamão, abacaxi, limão, morango, coco, melão, pêra, melancia, manga, maracujá já eram minhas conhecidas e provadas frutas.
Mas ainda tinha as que jamais provara e o médico disse em voz esclarecedora que precisava de todas as frutas, inclusive as desconhecidas para mim, como pitanga, açaí, caqui, kiwi, amora, butiá fora as que nunca havia sequer ouvido falar, destas estava livre. Seriam muitas? Ou poucas?
Sempre fui bem curioso a respeito de degustações, mas tenho meus pudores com relação a alguns alimentos, alguns pelo gosto outros pelo que representa. Já penseiem pedirem algum restaurante manjar-dos-deuses. Ai é que está problema. O que seria, este manjar-dos-deuses? Um prato de entrada? De saída? Ou sobremesa? Também não me iamginaria olhar no olho do garçom e pedir algo chamado manjar-dos-deuses, e minha reputação? Até eu mesmo duvidaria da minha masculinidade.
Assim fui comer todas aquelas frutas que ainda não provara, fui ao mercado e enchi aquelas cestinhas, também, já havia encomendado na feira as frutas que não tinha a pronta entrega. Pô, na hora que o fruteiro me entregou aquelas sacolas com kiwi e amora me deu uma vergonha de nunca mais passar ali perto.
Devia manter minha saúde de aço. Comi, comi, comi, só estava faltando a amora e o kiwi, seria um preconceito? Minha saúde à prova comi primeiro o kiwi, todos aqueles pêlos me ansiavam, e quando coloquei o primeiro pedaço na boca logo cuspi de volta. Horrível! Quase o mesmo aconteceu com a amora, aquele suquinho, manchando minha bermuda nova me “tapou” de nojo, mas a custo, consegui comer uma inteira.
Alguns dos meus sentidos previram que aquilo só me faria sofrer, devia ter levado a serio. Não devia ter sequer provado aquelas duas frutinhas. E é por isso que, agora, nem que algum garçom me ofereça e explique o que é manjar-dos-deuses, não aceitarei.

Elder Corrêa Jr

Cupido

Muitos de meus amigos juravam que já tinham sido flechados pelo cupido. Eu sempre pensei que fosse bobagem. Não acreditava e pronto.
Num desses finais de semana que têm varias opções de divertimento em vários lugares e ao mesmo tempo, quando fica muito mais difícil escolher aonde ir, eu fui testemunha de um fato que me fez acreditar no tal cupido.
Decidimos, então, eu e um amigo, ir a um barzinho movimentado. Muitas pessoas na frente do bar. Entramos e, antes mesmo de sentarmos para pedir algo, passaram por nos duas meninas exuberantes. Lindas mesmo. Olhamos para elas. Elas nem nos olharam. Passaram em nossa frente e sequer nos viram.
As duas eram morenas, tinham, no máximo um metro e sessenta e cinco centímetros, a pele era uma seda, aparentavam uns quinze anos, os olhos com um brilho desses que só as meninas de quinze anos têm. E não tinham namorado.
Logo quando passaram, o meu amigo disse, quase sem fôlego e por entre os dentes: Olha essa morena! E eu que ainda estava olhando-as, perguntei: Qual?
_ A de blusa branca e de shortinho, olha essa menininha.- disse ele.
Tentei convencê-lo de ir lá e conversar com ela, ele hesitou e se reservou a observá-la. Mirava-a de longe, nem piscava. Não prestava atenção em mais nada, só naquela moça que ele não sabia nem o nome. Ficava imaginando o que falaria se tivesse coragem de conversar com ela. Ele pensava em falar as palavras mais lindas que um homem diria a uma mulher e ele até ensaiava.
Tinha a oportunidade da vida dele, era como se fosse bater um pênalti. Só que, no futebol, ele era zagueiro, não chegava à frente, no futebol ele experimentou poucas vazes a centroavância. Os centroavantes sim é que estavam acostumados com a felicidade. Eu tinha certeza que, se ele falasse o que estava pensando, seria fácil como bater um pênalti com o goleiro estirado no chão. Digo isso com a experiência de centroavante que sou. Mas aquele zagueirão que não vacilava nunca e que era o mais viril e valente do bairro, estava a uns seis metros de uma menina e ele, acreditem, estremecia.
Ouvimos as suas combinações de irem ao centro, onde estava ocorrendo um evento. Decidimos ir também, e saímos antes delas, para não parecer que estávamos seguindo-as. Ótimo plano! Em menos de cinco minutos de espera apareceram as duas e mais uns seis amigos delas.
Nos aproximamos do grupo e, agora sim, ela olhou para ele, olhou o melhor olhar que ele podia querer. Depois até conversaram. Batemos foto, e ele, claro, do lado dela.
Já não o reconhecia mais. Logo ele que não era de se apaixonar, ele que mantinha o lado racional sempre imperando, agora, só falava nela. Queria vê-la a todo custo, nem que fosse só pelo prazer de conversar.
Outro dia até conversaram, só que ele sentia que ela não correspondia ao que ele sentia. Sem sombra de dúvidas, ele havia sido atingido pela flecha do amor, mas não parecia que ela também tivesse sido flechada.
Agora ele lamenta porque não disse tudo de bonito que sentiu naquela noite no barzinho. Talvez ela nem acreditasse em tudo, pois era muito sentimento por uma pessoa desconhecida. Talvez ela nem quisesse ouvir, mas ele tinha que ter falado, devia ter coragem. E ele sabe disso. Por que ele não tentou? Que não desse certo, tudo bem, pelo menos teria tentado acertar. Por quê? Ah, se ele tivesse tentado...

Elder Corrêa Jr

A igreja mudou minha vida

Sempre segui a risca e adorava o dito: de graça até injeção na testa. E olha q eu nem precisava de tantas coisas gratuitas que aceitava.
Ônibus errado, bala, pedacinhos de papel sem valor algum, consulta odontológica, óptica, de coração, tratamento capilar, chimarrão, sucos, chocolates, bergamotas nos mercados, abraços entre tantas outras coisas.
E o que eu podia eu guardava. Frascos de amostra grátis, pacotes de erva-mate, e até copos. E eu idolatrava aquilo. Todo o sábado limpava um por um todas aquelas bugigangas.
Mas me ocorreu um fato que me fez mudar tudo o que eu pensava sobre o assunto.
Estava caminhando em busca de nada, pelo centro, quando de repente alguém me estende um jornal. Sem hesitar perguntei se era de graça. Claro que era, era um jornal de igreja. Peguei e ainda comentei: de graça até choque. Talvez tenha sido ai o meu erro. Uma vez me disseram: “não dá assunto pra desconhecido”, mas por alguns instantes eu me esqueci, ou não dei bola ou até imaginei q estava falando com alguém inofensivo. Mas saiu, e só percebi depois que já tinha fechado a boca.
Sem pestanejar a moça q estava distribuindo os jornais me perguntou se eu desejava colocar meu nome para a oração. E não é q eu aceitei. No que eu estava escrevendo meu nome, cuidei por cima e já estava vindo mais uns três da igreja ao meu encontro. E vinham... E já estavam a uns cinco metros e eu ainda estava no Nunes, ainda faltavam mais dois nomes. E eles cada vez mais perto. Dois vestindo preto e mais uma de branco atrás deles.
Nem bem eu tinha me posto ereto ofereceram pra que eu fosse visitar a igreja deles. Vacilei. Até nem ia entrar. Já pensava numa desculpa boa pra não ser mal educado, ir embora e esperar que orassem por mim. Mas ao mesmo tempo em que a moça de calça branca colocava meu nome numa caixinha, que estava no chão- ela naquela posição, com a marca de uma minúscula calcinha, e eu que já tinha uma tara especial por mulheres de calça branca- a moça do jornal ainda brincou: “é de graça”. Irresistível. Não pude me conter e entrei. Afinal, sai de casa em busca de nada, o que viesse seria lucro.
Mostraram-me toda aquela rica igreja e me deixaram ir embora, sai dali pensando: como eles têm tanto dinheiro? Antes das sete horas, quando eu já estava em casa, o Pastor, eu acho, bateu na minha porta.
_ Vim te convidar pra assistir a reunião hoje. Falou antes mesmo de eu poder perguntar como ele havia descoberto meu endereço.
_ Aceita uma carona? Indagou novamente (isso tudo em questão de segundos).
Aquele monte de informações na mesma hora me agoniou tanto q não sabia nem o que falar.
_Ã? Foi o máximo que consegui pronunciar.
_ Sim vamos à reunião? Começa daqui a pouco! Insistia aquele homem.
_ Não vou. Não adianta insistir, se tu não sair daqui agora mesmo vou chamar a polícia!
Fechei a porta. Espiei pelo olho-mágico ele ainda estava na mesma posição.
Fui um grosso com aquele pobre rapaz, mas se eu não falasse tudo aquilo tenho certeza que ele iria me convencer de ir naquela maldita reunião. E eu ainda tinha q ver o jogo da seleção brasileira contra um combinado de Uzbequistão. E como eu iria perder um jogão desses?
Olhei novamente, uns 2 minutos depois, ele já havia saído.
Ufa. Estou livre.
Por fim, nem consegui olhar o jogo. A TV a cabo, que recém tinha assinado, estragou. Fiquei olhando Torre de Babel, na Globo.
Pior foi que não dormi a noite inteira. Perdi horas daquela noite fria colocando todos aqueles lixos, que eu havia ganhado e não tinham serventia nenhuma. Só serviam pra juntar traças, baratas e uns bichinhos cinza q não sei o nome.
O pesar foi quando terminei de juntar tudo aquilo, em dois sacos, e os coloquei na lixeira. Apesar de ser lixo, era meu.
Já eram quatro horas da matina, o sol ainda nem havia despontado, quando decidido a nunca mais pegar nada que fosse de graça, fui dormir.
Às oito horas já estava no colégio. Foi quando o professor de matemática propôs um desafio, falou brincando:
_ Quem conseguir resolver esse exercício vai ganhar uma viagem pra Bagdá.
Uma tentação, apesar de saber que lá está sempre explodindo bombas. Eu fui o único da turma que conseguiu resolver o exercício, sabia que tinha acertado. Sequer mostrei ao professor.
Mais tarde, voltando pra casa, fui encher o tanque do carro, e sorridente estava vindo uma moça com uma bandeja na mão,com um copo d’água. Veio pro meu lado e nem falou nada, só me alcançou, eu sempre aceitava, embora não estivesse com sede.
_ Não, obrigado, estou de dieta.
Ela riu.
Foi a coisa mais inteligente q eu consegui falar.
Agora nem papel na rua eu pego. Nem por educação. Nem pra largar na primeira lixeira que encontrar.
E o pior é q eu fico imaginando os milhares de descontos e oportunidades q eu posso estar perdendo, mas não pego.
Sou um grosso!
E foi a igreja que me deixou assim.

Elder Corrêa Jr

Como matar alguém

Sei que tem muita gente c/ vontade de matar alguém. Sei por que to vendo isso daqui. E vocês humanos estão num ódio tão generalizado q nem preciso mostrar pra vocês, que são os assassinos, suas formas, suas armas.
Mas vou salientar que até é , meio curioso. No mínimo estranho, porem muito criativo e eficiente a maneira que vocês estão usando pra matar.
Tão matando e nem deixam pistas, não pra vocês, meros terráqueos humanos escalafobéticos e analfabetos, mas não esqueçam que daqui da pra ver. E sabe... To gostando até. É um tanto divertido.
Enquanto tem uns pregando a morte pela moralidade, alias, com a desculpa da moralidade. Fazendo terror e se dizendo os apaziguadores. Outros matam e não estão nem ai pra o que vão falar, até por que quem falar mal perde a cabeça. Outros estão matando o futuro PLANTANDO e fazendo o PAPEL do que faz... sabe que está matando, mas nunca admite.
Até nem vou me estender tanto e vou falar da forma mais diferente, revolucionária, eficaz e humilhante para o morto, que chega aqui sem moral nenhuma, entra pela porta dos fundos, coloca um chapeuzinho tricolor e fica sendo zoado por todos. Isso quando não tenta esconder sua morte ou a causa e causador dela.
E nem chega a ser um homicídio o que estou citando, e sim algo próximo de um suicídio. Vencendo todas as barreiras e adversários, os maiores adversários possíveis na face da terra, uma onda vermelha dizimou o que antes, em seu pago, era da cor do céu, anil.
As almas dos mosqueteiros já estavam encomendadas há muito tempo. Até que morreram. Morreram vendo seu rival detonar a maior potencia intergaláctica.
Eu achei incrível e totalmente inovador, não só essa nova modalidade de matança generalizada, mas também a capacidade deles- q tiveram seus corpos mantidos na terra para serem escrachados- ainda terem coragem de se intitularem imortais. E o pior é que dá pena de chicoteá-los. Meros corpos sem alma.
Vocês devem estar se perguntando se eu sou Deus ou um anjo ou qualquer coisa do gênero. Não sou. Sou um que também morreu de uma forma inusitada. Morri amando... Morri por amar uma pessoa q me dava, e até hoje dá, expectativas pro meu corpo q esta na terra. Daqui ta meio embaçado de ver, hoje lá o céu é bruma, está frio ao que parece. Minha carcaça aparenta uma felicidade constante, talvez tenha mesmo motivos pra tanto, mas ainda não conseguiu vingar minha morte para que eu possa voltar. Apesar de tudo, eu to achando que essa pessoa está temendo amar e correr o risco de morrer e me encontrar aqui. E morrer de novo...

Elder Corrêa Jr

Cinema gabrielense

Ainda sou do tempo do cinema em São Gabriel. Já bem diferente do que contam meu pai e meus tios em seus tempos de trocar figurinha em frente ao cinema de varias sessões semanais, mas sou.
Foi numa época de nuvens de “cascudos” sobrevoando e logo caindo sob nossas cabeças. Época em que convencíamos ou lubridiavamos o porteiro de nos deixar isento do pagamento de cinco reais. Há pouco tempo implantada a nossa moeda, achávamos que enganávamos o porteiro e ainda lembro daquele prazer de passar do lado da roleta e correr pro interditado 2° piso. Nunca mais vi o solidário porteiro. Gostaria de agradecê-lo
Meu primo e eu éramos uma dupla, jogávamos futebol em pleno calçadão, com luminárias como goleiras. Atrás de cada par de luminárias, arbustos cheios de espinhos. Furamos muitas bolas, acertamos muitas boladas em pessoas que passeavam pelo nosso campo, o calçadão, ouvimos e também xingamos bastante, fizemos muitos gols, mas o que nos fazia correr dali era quando dávamos boladas nos bojos das luminárias a 3 metros de altura. Os bojos eram de vidro. Aqueles vidro branco, bonito. Blem... no chão, todo quebrado. Corremos muitas vezes acho que fugíamos antes do bojo se espatifar em cacos no chão.
Agora, com a cidade sendo novamente tomada pelos besouros, renasce a esperança de ver o cinema funcionando, um “bando” de guri jogando bola em frente ao, agora, centro de eventos e juntando “cascudos” em grandes copos e os enchendo com água quente do lendário chimarródromo.
Só que o tempo não volta. Passo pelo calçadão, ainda são as mesmas luminárias, soque os bojos agora são de plástico. O arbusto de espinho espeta agora minha lembrança em não o ver mais.
Não tem maiôs ninguém correndo pelo calçadão, salvo alguém apressado. As linhas amarelas as quais corríamos sobre elas já estão apagadas. E, alem de tudo, tem um “guardinha” que não deixa nem andar de bicicleta no calçadão. Como pode haver diversão assim?
Provavelmente eu tenha sido um dos jogadores da ultima partida de futebol do calçadão.

Elder Corrêa Jr

Palavras

“O sol que se esconde atrás do outeiro,
Vai embora, nos deixando no breu insólito,
Mas perdura ainda o verdor da juventude,
Que das mais profundas escuridões encontra a luz
E nos aponta uma resposta.”

Lucas Loch Moreira

Mochileiro da vida



No caminho que percorro não avistei flores
Mas todas as pedras que vi eu chutei
Parece uma bobagem, e é, mas é melhor chutá-las
Do que guardar na mochila
Pedras chutadas não pesam nas costas

Lucas Loch Moreira

Suicídio inacabado

Sentir
O gosto do desgosto
A textura da amargura
Seguir
O odor que exala do esgoto
A insanidade da loucura
Segar
O infinito desespero
A finita porção de vida
Sanar
O sofrimento por inteiro
A felicidade perecida
Desistir do suicídio

Lucas Loch Moreira

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Virando a casaca

Levantou-se.
Em seguida subiu na mesa.
Paulão suava frio. Teria ele ensaiado um discurso há dias, mas na hora não saía nada.
- Escutem!!! Tenho algo importante a dizer.
Todos se calaram.
Paulão olhava os rostos afoitos que esperavam os seus dizeres e ficava ainda mais nervoso. Mas enfim soltou:
- Eu sou homem!
O silêncio foi sendo quebrado por “ó”, “meu deus” e todos os tipos de interjeições que demonstrassem pavor.
Aliás, pavor é pouco para expressar o que todos sentiam, incluindo o Paulão.
Peraí!!!
Você deve estar se perguntando: o que há de errado nisto?
O que há de errado nesta declaração?
Paulão era o ícone da pederastia no clube. Clube este do qual era presidente há doze anos. Um gay de carteirinha.
Desses com certificado, diplomas e tudo.
- É o fim do mundo - Diziam os (as) que ainda não tinham desmaiado(a).
Não era possível. Não mesmo.
Paulão foi corajoso, apesar de demorar anos para demonstrar sua masculinidade. Sempre foi cobiçado entre o seu meio. E agora traía sua irmandade.
Em uma cerimônia triste, Paulão entregava sua coroa rosa e partia para casa. Digno de um enterro. Ao invés de seu corpo, foram enterrados sua honra e moral.
Ainda assim, havia pessoas que continuaram respeitando o Paulão, mas a grande maioria agora cochichava pelas saunas e sala de massagens:
- nunca imaginei uma coisa destas, o Paulão um homem!
- que pouca vergonha, que horror!!!

Lucas Loch Moreira

terça-feira, 3 de julho de 2007

Monstro do lago Ness ou do Cap Nou?

Havia um monstro no lago Ness. Eu nunca acreditei, também nunca passei lá. Já pensei em ir e ficar lá, parado, esperando para ver ele aparecer. Ele não apareceria. Pois para mim, em meu inconsciente, na minha razão, a lenda é lenda, não é verdade. O mostro é apenas mito. Um mito, talvez para assustar crianças e impedi-las de entrar sem seus pais, o mesmo motivo que meus pais diziam:
_Não vai tão longe que o “veio do saco” te pega, exclamava minha mãe.
_Se tu for lá fora o “santo louco” te da um corridão, alertava-me meu pai.
Isso é uma comparação. Eu gosto e sempre faço comparações. É importante para nossas vidas. Por exemplo: eu comparo o monstro do lago Ness com o Barcelona. Igualzinho.
Muita gente já cruzou o lago afora e nunca viu e, inclusive, pensaram: é aqui q tem o monstro? Muitos times foram ao Camp Nou e falaram: esse é o Barça? Já outras pessoas, juram ter visto e afirmaram que é medonho. Como alguns times enfrentaram o Barcelona e ficaram ressabiados. Na verdade o Barça é um mito que tem um mito, o Ronaldinho e este, sim, é verdadeiro.
Comparo também os níveis de alegria que certas coisas me trazem. Tomar um mate em uma manhã de inverno ensolarada no pórtico de casa tem o mesmo peso de ver a defesa do Inter sendo sublimemente eficaz. Dirigir por exemplo, alegra-me o mesmo que comer uma barra de chocolate Diamante Negro. Já um gol do meu time, comparo com sexo, até porque é o clímax, o auge, o máximo.
Eu comparo o que acontece para não sentir alegrias com o mesmo peso consecutivamente, por isso, no dia 17 de dezembro, na final do Campeonato Toyota Mundial Interclubes, não vou tomar mate, prefiro ver a zaga colorada tomar conta do ataque catalão. Vou ver o jogo em casa, por isso, por não poder estar dirigindo, vou saborear meu chocolate preferido. É. Não vai dar. Não vou transar uma semana antes da final. Prefiro ver o Internacional ganhar o inédito titulo de campeão Mundial.
Ah! Gritar; É...
Campeão. Não há comparação.

Elder Corrêa Jr

O menino subiu no muro



O menino subiu no muro.
Ele sempre quis ver o que tinha do outro lado. Eis que certo dia o menino, já tendo certa altura, conseguiu finalmente subir. Ele viu o homem inventar os aviões, os prédios, as máquinas e as guerras. Viu o homem criar as doenças e os remédios. Ele contemplou à tudo com um olhar observador e de repulsa.
O menino viu o homem matar e morrer, ele viu a natureza cair exausta, pagando pelo conforto do seu próprio filho. O menino subiu no muro e viu a realidade brotar em sua frente de uma forma impactante e imperdoavelmente fria.
O inocente garoto testemunhou o homem morrer de fome, as crianças nascendo já condenadas a não viver dignamente.
O medo se apoderou da criança, tanto que ela prometeu a si mesma que nunca iria para aquele lugar. Tentando se conformar ele tentou sorrir, e desceu do muro para voltar para seu seguro lar.
Infeliz foi o menino ao notar que o lado do muro que ele acabara de observar era o seu.

Lucas Loch Moreira

Biotônico

Várias coisas eu não acredito e ponto. Passei grande parte de minha infância tomando Biotônico Fontoura. Quem nunca tomou? Alguns, assim como eu, por determinação dos pais e outros por vontade própria.
É de sabedoria geral que o Biotônico Fontoura é um estimulante para o apetite. Eu duvido. Pra mim não passa de algo que nos faz salivar mais do que o normal após sua ingestão. Talvez até, em sua composição, haja algo similar ao que encontramos nos salgadinhos. Um produto que não nos deixa saciados, a boca pelo menos. Mesmo que não caiba mais nada em nosso organismo.
E não para por ai. Eu tomava o Biotônico alguns minutos antes das refeições. Como poderia fazer algum efeito imediato? Isso se existir algum.
Na minha concepção ele funciona da mesma maneira que aquelas garrafas d’água nos contadores de energia elétrica para baixar o consumo. Ou seja. Nenhum, se analisarmos de forma científica. A pessoa que acredita no Biotônico e na força dos pets são as que apresentam melhores resultados. E isso não é fé. Elas sabem que tem que consumirem menos energia, tomam banhos mais rápidos, e desligam com mais freqüência as lâmpadas. Fazem tudo isso e o mérito é daquelas garrafas, ou da água que tem nelas.
E é da mesma forma que acontece com o Biotônico Fontoura. A pessoa sabe que tem que aumentar o peso. Começa a comer duas, três vezes mais, inicia a prática esportiva, até entra na academia e aquém leva todo o mérito? O Sr Fontoura.

Elder Corrêa Jr

Pampapel

No princípio o pampa iria virar mar,
Depois o mar é que iria virar pampa,
Agora o pampa vai virar papel,
E o papel, obviamente, gerará dinheiro e lixo.
Dos eucaliptos virão os papéis que usaremos para escrever
Recordações de um pampa extinto, um velho pampa que não volta mais. Um pampa que morreu com a ajuda do BNDES, um pampa que virou papel.
Nestes papéis iremos escrever envergonhados por um pampa que não morreu por nós, como cristo no calvário, e sim para uma multinacional que também carrega uma cruz, no nome.
O gauchismo e os tais que o seguem sempre deixaram claro o amor pelo seu pampa, e que seriam capazes de morrer pela sua querência.
Na guerra dos farrapos os latifundiários colocaram seus homens nas linhas de frente, para morrerem por um ideal burguês.
Desta vez, os bisnetos dos mesmos caudilhos estão entregando suas terras para a consumação integral, não são capazes nem mesmo de honrar a falsa moral de seus antepassados.

Lucas Loch Moreira

Utopia, coca-cola & galochas amarelas

Se eu pudesse mudar as coisas eu começaria trocando o nome do “Domingo”.
Provavelmente eu colocaria um nome feminino, para que seu aumentativo não rimasse com Faustão.
Se eu pudesse mudar as coisas tudo ia ser com eu queria. Não parece perfeito?
Tudo ia ser na hora que eu quisesse, como eu quisesse e aonde eu quisesse. Eu decidiria quando iria chover, isso se eu quisesse que chovesse. Todos ouviriam a música que eu tivesse afim, das torneiras sairiam coca-cola ao invés de água e todas as pessoas usariam galochas e capas de chuva amarelas.
Não parece perfeito?
Eu teria o poder de decidir tudo.
Agora pensando bem não seria um tanto chato?
Aliás, muito chato?
Sim, porque tudo ia ser fácil demais e eu acabaria me sentido só.
E será que não seria muito cansativo?
Só de pensar já me dá uma preguiça.
Se eu pudesse mudar as coisas acho que provavelmente eu deixaria para mudar no ano que vem...

Lucas Loch Moreira

DEPRESSÃO TECNOLÓGICA

XR7-000 era o nome do robô que dona Alice comprou.
Fazia tempo que dona Alice se queixava de fazer as obrigações do lar, então juntou dinheiro e comprou o XR7-000, o melhor amigo da dona do lar, como dizia o anúncio na TV.
Dona Alice estava toda sorridente quando chegou a encomenda, reuniu toda a família na sala para conhecer o mais novo morador da casa. Ele chegou tímido, demorou a ser ativado, carregou todos os dados e plim. Acordou.
“meu nome é XR7-000, eu sou alimentado por pilhas de urânio, sendo assim, não trarei despesas e serei capaz de trabalhar por 2346 anos, 2 dias, 4 horas, 24 minutos e 32 segundos sem desligar. Espero ser útil”.
Dona Alice se maravilhou e aplaudiu enquanto os outros voltaram para seus aposentos desapontados.
Realmente o robô cumpria suas tarefas com muito êxito, era veloz e dedicado. Ele ainda contava com um recurso muito interessante, podia adquirir personalidade, para isto bastava que fosse adicionado um código em sua programação.
Apesar de tanta felicidade, dona Alice viu sua família desmoronar graças a esse ilustre habitante da casa. Isso se deve ao fato de que ela começou a tratar o XR7-000 como um rei, ele tinha uma poltrona só para ele na sala, todos tinham de assistir o canal de ciência e tecnologia que ele gostava, na TV a cabo que dona alice comprou pra ele.
O estopim foi quando Dona Alice expulsou seu marido da cama para confortar melhor o robô. Logo após o divórcio as crianças foram morar com o pai, e dona Alice começou a se sentir só.
Apesar de magnífico, o XR7-000 era apenas um robô, e não podia retornar o mesmo afeto que dona Alice proporcionava, a não ser que fosse reprogramado. E foi isso que Dona Alice fez.
Quando o código foi inserido o robô retomou a consciência como alguém que acorda depois de um desmaio. E começou a apresentar as diferenças agindo como uma pessoa, ou melhor, como uma empregada doméstica.
Foi espantoso o modo de como seu português decaiu, demonstrando tendências de analfabetismo.
Mas não para por aí. Já no primeiro dia, XR7-000, que agora insistia em ser chamado de Marizete, manchou duas calças, queimou uma blusa, quebrou um prato e duas xícaras de porcelana, sem falar que essa sinfônica tragédia foi regida ao som de teodoro e sampaio.
Dona Alice não foi rígida com o robô, ela acreditava que ele estava passando por um período de transição.
Mas no segundo dia, XR7-000 não foi trabalhar, pois tinha enfrentado uma fila no inss. No terceiro dia continuava a se queixar de dor nas costas, e estava com a lataria amassada, dizia ter apanhado de seu marido que chegou em casa bêbado. Dona Alice já não sabia mais o que fazer com aquele robô que andava pela casa de havaianas, reclamando do salário e comentando o tempo inteiro sobre a novela das 8:00.
Fatidicamente dona Alice caiu em profunda depressão.
O que até então era sua maior alegria agora era sua maior frustração. O maldito robô não parava de falar sobre doenças, morte, contas para pagar e outros assuntos “agradáveis” como estes.
Dona Alice só via uma alternativa. Matar o robô.
Após um longo diálogo para tentar demiti-lo o robô só repetia a mesma coisa:
-Eu vou te “botar” na justiça, meu primo é “dotô adêvogado”.
A ira tomou conta de dona Alice, que começou a atacar o robô com um martelo de bater bifes. Ela o encurralou no banheiro e começou a agredi-lo.
Quanto mais ela batia, mais raiva ela sentia, e sentava o martelo.
A vizinhança arrombou a casa para acudir a vítima que urrava de dor e desespero.
Dona Alice já estava sentada no chão, enxugando o suor, enquanto o robô pronunciava suas ultimas palavras.
“meu nome é XR7-000, eu sou alimentado por pilhas de urânio, sendo assim, não trarei despesas e serei capaz...”
Morreu.
Hoje em dia Dona Alice vive em um manicômio e passa o dia inteiro limpando tudo, pois teme que a direção do seu novo lar compre um robô para executar as tarefas.

Lucas Loch Moreira

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Aquela música

Sei, me machuca, me corroe
Ainda sim, é linda, lembra você
até porque ela também me mata, me destrói
Mesmo assim eu ouço, sabendo ou não o porquê

Meus sonhos começaram
quando por esta musica foram detonados
e tudo aquilo represado, por conta se liberaram
esses átomos, todos eles apaixonados

E eu ainda ouço essa música só pra me machucar
ouço essa música porque foi você quem mandou
você que me traz felicidade e me faz chorar
você que... Não posso continuar. Acabou


Elder Corrêa Jr

Deitado sobre o telhado

Deitado sobre o telhado se encontra o sereno
Serenamente deitado se encontra o telhado
Descansam as flores no jardim
Como se não trabalhassem tanto
Como trabalham pra mim
Como trabalham pra mim
Como se não trabalhassem tanto
Descansam as flores no jardim
Serenamente deitado se encontra o telhado
Deitado sobre o telhado se encontra o sereno


Lucas Loch Moreira

Mesinha da cama

Ainda busco uma forma rápida e prática de ter e controlar a inspiração para escrever. Já tentei várias formas. Algumas boas. Outras nem sei, pois deixei passar e acabei não escrevendo. A inspiração parece ter voltado, após ter abusado de suas férias. Cheguei a achar que havia perdido para sempre, assim como Marcos, o profeta, perdeu seus poderes.
Geralmente começo da conclusão para depois o desenvolvimento. As frases vem soltas e prontas na mente. É só juntar tudo e fazer. Parece muito fácil, mas não é. Essas idéias aparecem de repente e eu nunca tenho papel à mão. Tenho sorte quando tenho e escrevo o pensamento principal pra desenrolar mais tarde.
E é ai que complica. Os lugares que me sinto mais a vontade são no sofá da sala e na minha cama. Isso é um castigo pra minha coluna. Ainda mais com esses frios que ta fazendo nesse inverno.
Tenho um plano! Desenvolver uma espécie de mesinha que eu coloco em cima da cama. E que eu fique sentado na cabeceira e tapado. Bem tapado. Uma mesa do estilo dessas que usam pra levar café na cama. Só que adaptada pra escrita.
Até já tenho o assunto para a inauguração da tal mesa. Fala sobre a impunidade dos jogadores dentro da área e a dos casais no relacionamento. Esta ta sendo martelada a tempos. Creio que será a melhor de todas. Só espero que essa mesinha não tire a magia de escrever na cama.


Elder Corrêa Jr

Barbosa

Sentado-se à mesa do bar estava Barbosa, arrasado.
Barbosa era, e é filho do seu Barbosa, pelo menos tenho certeza que nunca ouvi falar que seu Barbosa teria vindo á falecer. Ou será que sim? Ah sei lá
Então sutilmente entrou Afrânio com um saco preto na mão esquerda.
Afrânio é irmão do Timóteo que era amigo do Ronaldo, que era namorado da Roberta, que tinha um caso com um açougueiro, que comprou uma bicicleta do Jair que roubou do Francisco que tinha um bar onde Fabrício tocava violão e morreu engasgado com um churros que comprou de um vesgo que vendia no calçadão, mas isso não vem ao caso.
- Adilson, traga outra cerveja! – esbravejou Barbosa.
- Porque tu não vais pra casa? – opinou Adilson.
- Porque tu não vais pra minha casa ver se a minha mulher ta disponível? – indagou Barbosa desapontado, que já segurava a cabeça com as mãos para que não caísse do pescoço.
- que isso Barbosa? Postura homem! – disse Afrânio.
O garçom apenas balançou a cabeça, serviu a cerveja e retirou-se.
- Afinal o que é isto Afrânio?
- Isto o quê?
- Esse saco preto!
- Que saco? Desde que você descobriu que foi traído vem tendo alucinações. – disse Afrânio tentando esconde-lo embaixo da mesa.
- Que conversa é essa? Eu te vi entrando com um saco preto na mão.
Afrânio desistiu e confessou.
- Esses são os ossos da mãe do Atanagildo.
- E o que você esta fazendo com isso?
- É que às vezes tenho saudade dos velhos dias em que sentava-mos na varanda da casa do Atanagildo juntos com a mãe dele.
- Ah aquelas pernas!! Aquilo sim eram pernas!!


Lucas Loch Moreira

Operação Recopa

É incrível e estarrecedor o que_ na virada do dia 7 pra 8 de junho, data em que o INTERNACIONAL foi campeão da RECOPA SUL-AMERICANA_ presenciei na praça Dr. Fernando Abbott. Vi a Brigada Militar interromper, com cavaletes, a carreata de comemoração ao titulo colorado.
O espanto não foi pelo fato de ter sido interrompido, pois talvez pudesse existir algum argumento considerável. Quem sabe estavam, os colorados, muito eufóricos a ponto de colocar em risco a segurança pública. Mas não.
Dois dias depois, ainda na ressaca, descobri que a causa da interrupção daquela manifestação pública e pacífica de amor ao INTER foi a futilidade, a inveja, o rancor e o anti- desportismo do nosso secretario municipal de serviços urbanos. Um prepotente e ditador gremista, que ainda gozou de ter feito aquela afronta a multidão colorada.
Tudo isso que aconteceu nesta noite, com relação à manifestação de amor a um time de futebol, havia acontecido na madrugada anterior. Alguns gremistas ficaram comemorando a classificação pra final da Libertadores, mesmo perdendo e sendo humilhado pelo Santos de Zé Roberto e Wanderlei Luxemburgo e Jonas Gerb. E o secretario citado, não vi, mas provavelmente estava “enchendo-a-cara” na praça até as 4 horas sem interrupção alguma.
As questões que levanto são: será que um político que age desta forma, usando seu poder para atingir infantilmente torcedores, deveria permanecer no seu cargo? Talvez ele pense estar vivendo na década de 70... Esse é um caso típico de cidade de interior.
E depois as autoridades ficam tentando achar culpados para a violência entre torcida...


Elder Corrêa Jr

Porque o quadro negro é verde?

O que há de errado com as escolas?
Ou
O que há de errado com os estudantes que delas fogem?
Talvez o grande defeito da escola seja o de não ter sido criada por um estudante.
Talvez o grande defeito do estudante seja o de ter sido criado na escola.
Se o Machado de Assis fosse apenas a ferramenta que o senhor Assis usasse para cortar lenha, os alunos certamente teriam menos dor de cabeça. A escola deixa dúvidas que podem enlouquecer um indivíduo, como exemplo, o quadro negro.
João acaba de se formar em Biomedicina, e quando chega em sua casa cai em um nostálgico devaneio, recordando dos tempos de criança, mais especificamente quando entrou na escola, e com isso entrou em desespero por perceber que de nada adiantava ter estudado longos anos, pois não sabia nada. Tudo isso por causa de uma dúvida: Porque o quadro negro é verde???
Desde seu primeiro contato com uma sala de aula até sua formatura na universidade, nem João, nem ninguém, conseguiu desvendar este mistério que mais parece um dogma, pois todo quadro negro que vi é na verdade verde. Do que valeram seus estudos se não aprendeu a primeira questão da escola?
Na escola XV de Novembro há um caso um tanto assustador, as salas de aula estão perdendo os seus alunos para um recinto insalubre, inóspito, fétido e difamado, mas que parece fazer bem mais sucesso, o banheiro.
Seria interessante se os professores ao invés de expulsar os alunos do banheiro, procurassem entender o porquê desta situação.
Parece que as aulas são tão chatas que os alunos preferem fazer do banheiro o seu segundo lar.
É claro que sempre vai ter um desinteressado como eu que vai procurar uma explicação para a falta de interesse dos alunos, ou pelo menos passar a batata quente para as mãos dos professores. Faço isso por coerência, pois não basta ser um desinteressado se não for defender esta tão grandiosa classe, e rebater de alguma forma as declarações feitas em sala de aula por alguns professores que acabam deixando sem resposta os alunos, que por ventura se tornam ainda mais desinteressados.
Quero ser escritor, mas temo ser famoso e que consecutivamente meus escritos se transformem em material didático, incrementando assim mais um desgraçado escritor á ser estudado na literatura daqui á algumas décadas, por isso quero continuar escrevendo mal.
E se possível, nas paredes de algum banheiro de escola...


Lucas Loch Moreira

O Grêmio tem perna curta

“Um Caxias com grife” foi o infeliz comentário que um dirigente do Grêmio teceu ao se referir do Boca Junior’s. se não me engano foi o mesmo que em algum dia “iluminado” falou que eram imortais e maior que tudo.
Isso ocorreu diante de serem massacrados pelo time argentino naquela chuva de papeis azul e amarelos na Bomboneira. Era de se imaginar esta frase partir de alguém que contrata atacantes que passam seis jogos sem fazer gols.
Peço desculpas pela vulgaridade das palavras, mas imortal... imortal é a minha bola esquerda. Mesmo assim não parece que os gremistas tenham acreditado na frase que só vem a deixar os argentinos com mais fome de vitória. Pois cantavam “...mesmo não sendo campeão o sentimento não se termina...” antes mesmo da derrota. Se bem que pareciam nem quererem golear, pois, como de tradição, Martin Palermo humilhou o Grêmio ao não se importar c/ o pênalti desperdiçado. Afinal tinham Riquelme para cobrar. Ele não erraria.
Uma utopia foi o Grêmio dos últimos tempos. E até que durou muito. Fantasiaram um Grêmio vencedor. Parece que se envergonharam da realidade e preferiram mentir.


Elder Corrêa Jr

Mauricio Mauricio

Ele achava futebol um esporte estapafúrdio e escalafobético.
Mauricio teve uma infância difícil, era um garoto problemático.
Contava- os passos, tinha problemas com o comprimento das pontas do cadarço, colecionava clipes de papel, o que não seria estranho se não levasse em consideração o fato de que todos os clipes eram perfeitamente idênticos.
- Só pode ter merda na cabeça!!! – Era o que se pai dizia.
Porém, várias consultas psiquiátricas depois, Mauricio era um homem respeitado e bem sucedido profissionalmente.
Como era de se esperar, Mauricio não poderia ter profissão que se adequasse melhor com seus problemas mentais, ele era um burocrata do funcionalismo público, o seu maior defeito era o de ser muito perfeito.
O que era engraçado é que em sua mesa no escritório tudo era milimétricamente perfeito, e a cadeira que ficava à sua frente era muito afastada da mesa, para que ninguém que fosse atendido por ele pudesse mexer em alguma coisa.
Ninguém conseguia imaginar o que se passava na cabeça dele, apenas o criador deste personagem, que sou eu.
Por isso vou desvendar esse mistério, Mauricio pensava que era o portador de algum poder que nem eu sei explicar, como se fosse um azarado, isto, essa é a definição, azarado.
Todo o dia ele fazia tudo exatamente igual, milimétricamente igual,
E pensava que por qualquer descuido ou falha em sua rotina o mundo podia acabar, ou coisa parecida. Superstição pura.
Ele trocava as lâmpadas de sua casa a cada 35 dias, pois achava que se uma delas queimasse haveria um desastre na terra, ou pelo menos em sua sala-de-estar. Isto se deve ao fato de que uma vez, quando criança, a lâmpada do seu quarto queimou, e coincidentemente no mesmo dia centenas de pessoas foram dizimadas por um acidente em uma fábrica de molas de cadernos na Ucrânia.
Ao chegar do trabalho, um minuto atrasado perante todos os outros dias de sua vida, ele sem perceber, abre a porta com a mão esquerda pela primeira vez na vida, e acende a luz, ou melhor, tenta acender, pois estava queimada.
O pavor tomou conta daquele homem, que saiu em disparada no seu carro atrás de uma lâmpada nova. Porém, em alta velocidade, e em uma rua que nunca tinha passado antes, Mauricio acaba batendo o carro.
Seu automóvel ficou destruído, mas teve ferimentos leves, já o outro carro nem tanto, porem a pessoa que estava no carona morreu.
O passageiro morto não era nada mais nada menos que o ex-padre Quevedo, que tinha entrado para as milícias comunistas e se tornado presidente do Brasil, a maior economia do mundo.
Quevedo estava se dirigindo ao encontro diplomático que selaria a paz com Angola, segunda maior economia do mundo, que efetuou um cartel com suas colônias, entre elas EUA, França e Japão, para dominar o monopólio mundial da produção de bananas transgênicas. Mas mesmo com a morte do maior líder mundial, o acordo tinha de ser selado, afinal a paz mundial estava em jogo.
Para substituí-lo, o vice-presidente Gugu Liberato, que estava ocupado comendo seu Chandelle, escolheu R.R Soares, seu secretario, mal sabia Gugu que R.R era um agente secreto da ultra-mega- super- extrema- direita- ampla- revolucionária.
Ao chegar ao púlpito, R.R esbravejou palavras de ódio ao povo angolano e declarou guerra, agarrado com a tese de que o presidente foi assassinado por um terrorista que usava o nome falso de Mauricio Mauricio, provindo logicamente das Ilhas Mauricio, que quase ninguém sabe onde fica.
E assim nasceu, coincidente ou não, a quinta guerra mundial.
Os ataques nucleares só cessaram quando já não havia ninguém para apertar os botões dos computadores que acionavam os mísseis.
E essa é a estória de Mauricio Mauricio, o homem que, querendo ou não, fatidicamente selou o seu destino e o da humanidade.
Falando nisto, vou lá trocar as lâmpadas de casa, mas não se assustem, irei á pé.


Lucas Loch Moreira

domingo, 1 de julho de 2007

Bolacha de Maisena

O primeiro jogo da final da Libertadores foi uma confirmação da história do Grêmio e Boca Junior’s na competição. O time gaúcho havia perdido as cinco últimas partidas fora de casa. Perdeu a sexta.
Mano Menezes cometeu o erro maior gritando para que o Riquelme fosse jogar seu futebolzinho. Logo para o craque argentino cujo empréstimo por seis meses o Boca pagou U$$ 2 miliões. Riquelme ouviu e obedeceu. Já tinha sido ele o cobrador da falta que originou o primeiro gol, fez o segundo, o quinto dele na competição, e o camisa 10 ainda teve participação brilhante no terceiro gol.
Ao termino do jogo, com a torcida do multi-campeão Clube Atlético Boca Junior’s, cantando “INTER... INTER... INTER...” o destaque da partida, em entrevista perguntou ironicamente se era mesmo aquele Grêmio de Belo Horizonte que passou pelo santos quem estava jogando.
Passaram para a final após serem vergonhosamente “socados” pelo santos de Zé Roberto e Wanderlei Luxemburgo e Jonas Greb. Deviam ter preferido nem passar. Pois vão ser humilhados, escrachados, e outros tantos “ados” pelo Boca de Riquelme e Palermo e Palácios e Ledesma e Diaz e outros tantos. E até nem seria tão feio para o santos. Fora que facilitaria uma manchete: “Peixe morre pela Boca”.
Também pudera como a criatura iria ganhar de seu criador? Isso é pra esses gremistas aprenderem a não idolatrarem esses argentinos, dizendo terem alma castelhana.
E agora da Azenha até o Gigante da Beira-Rio, onde está a taça da Libertadores, existe uma grande distância.
Eu estava tentando encontrar uma boa explicação para eles se intitularem imortais e falarem que nada pode ser maior. Esta é fácil. Analisando a palavra nada, achei como significado um espaço vazio. Então fica: Grêmio: um espaço vazio pode ser maior.
Até a tremedeira dos aflitos eles transformaram em Inacreditável. Filminho. Inacreditável foi aquele timinho do Náutico não vencer aquele gre-nau, errar dois pênaltis. Aflito ali só os gremistas pirando com a iminência de continuar a segundona, que é o lugar adequado a um time daqueles. Transformaram aquilo numa batalha. A batalha ali era o Grêmio contra a bola. Vale ainda ressaltar uma derrota para o poderoso Anapolina por 4 a 0.
Imortal contra Náutico e Caxias e Juventude qualquer um é.
Ainda procurando um significado para a imortalidade do Grêmio, o time brasileiro considerado o mais gay e mais argentino. Só me faz lembrar um popular adágio: Bicha não morre, vira purpurina...
E assim está o ano de 2007 para os gaúchos: Internacional, terceiro Campeão do Mundo reconhecido pela FIFA e Libertadores, ganhou a Recopa, garantindo assim a Tríplice Coroa. E o Grêmio com seu 35° Gauchão, o cafezinho. Ainda tem o Brasileirão pra eles e mais o Juventude.
E o Boca Junior’s ainda vai ganhar a segunda partida da final. Vai ganhar lá no Monumental Olímpico (o chiqueirão).
“Sábio é aquele que guarda as palavras desta profecia, pois eu voltarei”!


Elder Corrêa Jr

Cíntia


-Cíntia, o que é essa cueca vermelha?
-É uma cueca vermelha ora.
-Que é uma cueca vermelha eu já percebi, eu quero saber o que ela andava fazendo embaixo da nossa cama.
-E eu vou saber ?
-Cíntia sua sobrancelha, ela sempre treme quando você mente. Diga-me, de quem é esta cueca?
-Do Armando.
-Quem é Armando?
-Meu namorado.
-Como assim?? Cíntia, nós somos casados á onze anos.
-É que... é que... eu... eu...
-Tu o quê?
-Eu.. eu vivo em um universo paralelo.
-O quê???
-É isso mesmo que você ouviu.
-Que merda é essa?
-Eu pertenço a um ser superior que me convocou.
-Te convocou para uma suruba?
-Não, a coisa é séria, depois que Deus privatizou o purgatório a coisa ficou uma bagunça. Daí ele terceirizou o SA.
-SA?
-Serviço Angelical. Já fazia anos que não abriam concursos. Daí ele terceirizou.

E minha missão é te converter e recrutar.
-Ta bom Olga Benário, continue.
-Precisamos de você para o grande dia, você foi o escolhido.
-O escolhido para ser chifrado?
-Não, para findar os dias da terra. Esses malditos ambientalistas, o greenpeace e toda essa gente chata esta atrapalhando tudo. O patrão não vê à hora do mundo acabar.

Era para ter acabado antes de o Romário fazer o milésimo gol.
-Sério?
-Você não lê a bíblia, não vê o Globo Esporte?
-Não.
-Mas tu não sabe nada também. O que interessa é que a minha missão era te conquistar.
-Ora Cíntia, quando eu te conheci você estava se engasgando no próprio vomito em frente á uma carrocinha de cachorro quente, daí te levei no hospital e começamos a namorar. Nem sei como me senti atraído por ti.
-Deus escreve certo por linhas tortas.
-Vamos raciocinar. Deus precisa de alguém para fazer o trabalho do anticristo, e recorre a mim??

-É.
-Porque eu?
-Porque tinha de ser alguém com a sua frieza, inteligência, força e talento.
-Cíntia eu sou um professor de educação física.
-É realmente, eu exagerei na estória. Posso ver as crianças no fim de semana?
-Tudo bem, mas eu fico com o cachorro.


Lucas Loch Moreira